De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

domingo, 29 de março de 2009

Capítulo 47 - Minhas Esmeraldas

Estou deitada no chão... já estou sem forças para tentar abrir novamente essa janela. Não tenho idéia da hora, mas já deve ser tarde da noite. Não ouço mais barulhos pela casa. Ele deve estar dormindo. Monique disse que iria me ajudar. Onde está ela? De repente ouço passos, eles vem de fora, tento olhar pela fresta que há na janela, mas não da para ver nada. De repente ouço uma voz vindo de um alto-falante:

-Atenção. Sr. Algeria. O senhor está cercado. Liberte a refém e se entregue.

Ai Meu Deus. Me acharam. OBRIGADO SENHOR. Algeria é o sobrenome dele?
Depois ouço novamente:

-Atenção. Sr. Algeria. Para o seu bem. Se o senhor se entregar, e libertar a refém sem causar mais danos, será melhor.

Ai... Ouço ele andando. Droga deve ter acordado. Acho melhor eles terem certeza de que estou aqui, então grito:

-SOCORRO. ALGUÉM ME TIRE DAQUI. PELO AMOR DE DEUS. SOCORRO.

Ele entra no porão:

-Sua menina levada. Olha a confusão que fez.

Ele me arrasta até a sala, as luzes já estavam acesas, olhei pela janela e vi longe as luzes dos carros. Ele estava me segurando, então o vejo pegando uma faca. Ele vai terminar o serviço aqui e agora:

-SOCORRO. ME SOLTA. – ele vem com toda a força me atingir, consigo me soltar mas ele corta o meu braço. - AHHHHHHHHHH

Como dói... Aiiiiii...

- Sua menina levada. Me deixe acabar logo com isso.

É quando ouço a voz de Monique:

-Papai... Porr favorr, solte Lucy. Ela não merrece isso... Papai saia. Essas pessoas não vão te machucarr... É só fazerr o que elas querrem.

Ele pára... Solta a faca no chão. Pega uma arma, e me segura novamente... Tento gritar mas ele tapa a minha boca com a mão, coloca a arma contra a minha cabeça e fala:

-Agora quieta. Minha filhinha está chamando.

Ele me puxa e saímos da casa... Há umas luzes apontando para nós que me ofuscam. Meu braço está latejando de dor... Aperto os olhos e consigo distinguir, papai, Monique, Sr. Cloney e... Andrew. Meu amor. Você está aqui. - Papai começa a correr em minha direção e um estampido ensurdecedor sai. NÃO! ALGERIA ATIROU EM PAPAI:

-NÃO!

Ele coloca a arma novamente contra a minha cabeça, é agora... Vou morrer. Vi meu pai morrer por mim... Vou morrer olhando para Andrew. Como queria poder ter conseguido dizer eu te amo. De repente um estampido forte.
Morri...
Ouço Andrew gritar:

- LUCY, NÃÃÃÃOOO!

Eu sei que morri. Caio no chão... Mas espera, se eu estou pensando... EU NÃO MORRI. Olho para o lado, Sr. Algeria estava sangrando e agonizando, ouço Monique gritar:

-PAPAI!

Levanto-me, e vejo Monique correndo, ela abraça o pai dela, ele agora começara a colocar sangue pela boca... Meu Deus. Que confusão... Ele está morrendo. E eu estou viva... Mas... Meu pai... Corro para onde o seu corpo havia caída, chego lá e ele estava usando um colete... Um colete a prova de balas. Ele abre os olhos e me vê, eu falo:

-Papai! Ai... O senhor está vivo...

Ele começa a chorar e me abraça forte:

-Minha filha... Minha menina... Ainda bem que está aqui.

-Papai... Pensei que tivesse levado um tiro. – estamos os dois chorando – ai papai... eu pensei que fosse morrer...

-Calma meu amor... você está aqui comigo... Tudo ficará bem.

Alguns policiais aparecem e nos ajudam a levantar, estou fraca e caio de novo no chão. Eu não sabia que estaria tão fraca assim. O policial me carrega, me leva até a parte traseira de uma ambulância que havia chegado, ele me senta e me entrega um copo com água, logo vejo a figura familiar de meu amor se aproximando, ele me abraça... Me enche de beijos... Ele estava chorando, e me fala:

-Meu amor... Por um minuto pensei que tivesse morrido. Ah Lucy... Que susto... – ele me abraçava forte. Como era bom estar em seus braços novamente. Começo a chorar também – Meu amor – ele agora chorava muito – Meu amor...

O afasto, e olho nos seus olhos, em meio aquelas lágrimas lá estavam, os olhos de menta que tanto amo... As minhas esmeraldas... Falo:

- Amor. Estou com você... E nada mais vai me separar de você. Nada... – o beijo - Andrew... Como eu tive medo de nunca mais te ver.

Ficamos ali abraçados. A camisa dele absorvendo minhas lágrimas... Como era bom saber que ele estava ali... Que saudade tive de meu amor... Que medo de nunca mais o ver. Ele se afastou e olhou para o meu braço... Estava feio, e continuava a sangrar.

-Aquele desgraçado fez isso?

-Calma Andrew. Isso vai cicatrizar.

Falei apenas da boca pra fora, porque estava doendo horrores. Papai chegou perto de nós, e Sr. Cloney também, ao me ver ele falou:

-Que bom que está bem, Lucy. – ele me dá um beijo na cabeça – Há muita coisa para lhe falar. Mas agora você vai para um hospital cuidar desse ferimento – fala apontando para o meu braço, graças a Deus foi o direito, se não eu não conseguiria escrever... – e depois conversaremos com mais calma.

Concordo, e Andrew pergunta ao pai:

-Posso ir com ela na ambulância pai?

-Não, meu filho. Quem vai é James.

Andrew concorda sem retrucar, vem e me dá um beijo na testa:

- Que susto, minha menina do sol.

Ele sai, papai entra na ambulância junto com um enfermeiro, olho para fora antes da porta ser fechada e vejo que Monique havia desmaiado, e havia um corpo em um saco preto sendo levado... o Sr. Algeri havia morrido. O enfermeiro me olha e fala:

-Bom mocinha – odeio quando me chamam assim... – preciso colocar o soro em você. – ele vem com uma agulha... Aiii... Isso dói. – agora você vai dormir. Precisa relaxar.

-Mas eu não estou com sono.

-Vai ficar.

Ele coloca uma daquelas máscaras de oxigênio em mim... Qual é a dele, eu tou respirando legal, ele fala:

-Conte de um até cinco.

-Um, dois...

-

-Como está se sentindo?

-Acho que melhor.

Uma enfermeira entrou no meu quarto. Acordei há alguns minutos. Olho para debaixo das cobertas... Estou usando uma daquelas camisolas que fica aparecendo a bunda... Peraí... QUEM FOI QUE TIROU AS MINHAS ROUPAS? Olho para a enfermeira, que parecia ter entendido o que eu quis dizer quando arregalei os meus olhos:

-Calma. Fui eu quem trocou as suas roupas. Não se preocupe, não foi nenhum homem.

Não era isso que me preocupava... Era o fato de alguém ter visto o meu corpo... Ai que vergonha, ela me olha e fala:

-Está pronta para receber visitas?

-Estou, mas quem são?

-Seus pais. O delegado que cuidou do caso do seu seqüestro e dois rapazes muito bonitos que estavam com eles.

-Um deles – sorrio, mais para mim, do que para ela – é o meu namorado, e o outro o meu irmão. – tenho certeza que são eles.

-Ah... Mandarei eles entrarem.

-Espera! Deixa eu me arrumar?

-Está bem. Eu ajudo.

Eu levanto da cama... nossa ainda está tudo girando... enquanto ela me ajudava trazendo o suporte do soro eu arrumava meu cabelo no espelho, eu estava com uma cara terrível de doente, e eu pareço mais magra, mas não um magra legal, e sim um cadavélica... Que horror, Andrew vai me ver assim? Olhei para o meu braço. Estava enfeixado. Quando será que eu vou tirar essa porcaria? Mas... tenho que cuidar da minha aparência agora. Olhei para ela...

-Você não teria aí... Um pó? - Ela faz que não com a cabeça sorrindo – nem um blush? Rímel? Lápis? Sombra?

Ela apenas continuava negando com a cabeça e sorrindo ao mesmo tempo. Desisto e vou para a cama de novo. Deito-me, cubro direitinho, e peço para ela chamar minhas visitas. Mamãe entra e logo vem correndo me abraçar:

-Minha filha... Fiquei tão preocupada depois que me contaram tudo o que aconteceu lá... Como você está? Sentindo dor em algum lugar? Minha filha, como está magra... E essas olheiras.

-Nossa, que animador mamãe.

-Ah... Desculpe-me.

Depois vejo o papai entrando, ele vem e me dá um beijo no rosto.

-Como está a minha menina?

-Bem papai.

Depois vejo Daniel entrando, ele parecia ter tido um ataque de pânico alguns minutos antes:

-E aí pirra. Mas o que é que você não faz para chamar a atenção hein?

-HÁ HÁ HÁ. Muito engraçado – ao vê-lo lembro da Kat – Como está Kat?

-Bem. Estão contando os dias para o parto. Já está perto de completar nove meses.

Sorrio, então vejo Andrew entrando, trazia uma flor, um gira-sol. Daniel se afasta um pouco para Andrew se aproximar, como ele estava lindo. Afinal quando é que ele não está lindo?

-Oi amor...

-Oi amor...

Daniel fala:

- Xi... Vai começar a sessão amorxinho – ele fez bico na hora do “amorXinho” – Vamos papai... mamãe... Se não vamos sufocar aqui.

Eles saem e me deixam a sós com Andrew, ele se aproxima de mim e me beija, de repente ele pára:

- Desculpe... Devo estar te forçando, deve estar cansada não é?

- Ta... veja o ‘cansada’...

O beijo de novo... ficamos um bom tempo naquele beijo. Então ele pára e me olha:

- Você está linda.

- Corta essa Andrew. Estou longe de bonita... estou parecendo um cadáver. E mamãe falou que eu emagreci...

- Olha aí. Já sabe a dieta. Não precisa mais ficar sem comer por um dia inteiro e depois desmaiar. Basta ser seqüestrada.

- Muito engraçado você. – olho para a flor, e ele me dá – você roubou a minha idéia. Fui eu quem te deu um gira-sol.

- Trouxe apenas para mostrar que você continua sendo o sol que ilumina a minha vida. E nunca vai deixar de ser.

- Andrew... eu tive tanto medo lá. Quando ele me falou que não haveria resgate... que eu morreria ali... lembrei dos nossos momentos... nossa... foi tudo tão horrível. Fiquei com tanto medo de nunca mais te ver, de nunca mais... andar de bicicleta contigo. – ele ri – É sério!

- Não se preocupa. Andaremos mais. Agora eu vou chamar todos, porque papai está aí e vai explicar tudo o que aconteceu.

Todos entram e Sr. Cloney também, ele vem até mim e me dá um beijo na mão.

- Como está Lucy?

- Bem Sr. Cloney.

-Pode me chamar de William se quiser.

- Está bem... William.

-Bem – ele começa – descobrimos que o Sr. Algeria estava escondido em uma lojinha de artigos roubados, que por sinal fica entre sua casa e o colégio – agora ta explicado, era o próprio pai que Wanessa estava escondendo lá – prendemos o vendedor da loja por compactuar com Wanessa para esconder um fugitivo da polícia. Mas agora tem mais: enquanto viajávamos atrás de você – todos prenderam a atenção em William agora – outros policiais foram até a casa da Srta. Algeria. A encontramos em casa e a levamos, junto com a Sra. Algeria para a delegacia. Fizemos um interrogatório e ela negou tudo. Foi neste exato momento que a informação de que havíamos lhe resgatado chegou na delegacia daqui. Onde ela estava prestando depoimento. Quando ela ouviu um policial falando ao outro, que você havia sido resgatada e estava bem. Ela ficou parecendo uma louca, puxou a arma do cinto de um policial e começou a atirar para cima, sua mãe, que no começo pareceu ofendida com todas aquelas acusações para com sua filha, ficou assustada. E depois que acalmamos Wanessa, e contamos que seu pai havia morrido, ela começou a gritar o chamando de incompetente. Não demonstrou remorso algum pelo o que fez. Ela estará indo a julgamento amanhã. E você tem que ir para testemunhar contra ela.

- Tudo bem, se eu tenho que ir.

Andrew fala:

- Eu também vou testemunhar, amor. Você não ficará sozinha.

Depois ficamos conversando, e rindo durante algum tempo. Nem parecia que algo horrível havia acontecido, que alguém havia morrido. Que eu passara por uma experiência traumatizante... Que em uma hora eu havia perdido as esperanças... Pensei que minha vida havia acabado. Mas depois eu criei esperanças... Tentei fugir quatro vezes, sei que todas foram inúteis. Mas eu tentei, não importa que algo que você faça não dê em nada. Você se sente leve apenas em ter tentado. Apenas pelo fato de ter em mente que fez o que pôde. Com certeza é muito bom... e bem melhor do que ficar se martirizando e se perguntando: -Se eu tivesse tentado, o que aconteceria? É muito melhor se arrepender por algo que você fez, do que por algo que você não fez.

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