Estou na delegacia com papai, Gina foi levada para a casa de meus avós enquanto estamos muito ocupados. Estou sentado ao lado do Sr. Filliart e da Sra. Filliart. A Sra. Filliart está com os olhos inchados de tanto chorar, o Sr. Filliart até que tenta, mas não consegue esconder que está totalmente assustado, ele me olha e fala:
-Andrew... Me conte, como foi que tudo aconteceu?
-Sr. Filliart – sei que ele me falou para chamá-lo de James, mas numa hora dessas... – Antes de tudo queria lhe informar que eu estou namorando a sua filha. Tudo apenas ia tornar-se oficial quando eu fosse falar com o senhor. Mas não deu. Estávamos... conversando quando do nada aquele homem veio e nos abordou, colocou formol no rosto dela, então parti para cima dele,mas ele me derrubou, quando fui levantar para revidar, ele colocou formol em mim também e eu desmaiei.
-E de quem foi a idéia de sair do colégio?
-Minha senhor. Mas haviam me informado que haveriam seguranças do lado de fora. Estávamos completamente seguros, nunca me passou pela cabeça que algo dessa gravidade fosse acontecer. Mas na hora que aconteceu eu vi, haviam seguranças pelas redondezas, mas eles não fizeram nada. Assumo a responsabilidade de culpado.
-Não meu rapaz... Você não é culpado de nada. Mas com certeza a empresa de segurança vai pagar. Eles estavam ali para proteger os alunos e não conseguiram fazer. Não se preocupe meu rapaz... Eu posso ver que gosta de minha filha. E essa marca na sua boca – ele aponta pra o local inchado onde levei um murro – essa marca mostra que fez o que pode para não deixar que nada a acontecesse. Afinal é a segunda vez que faz algo para ajudá-la.
Agradeço com a cabeça e dou uma tapinha em suas costas. Depois que eu disse aquelas coisas ao papai ontem à noite, parece que ele criou mais disposição e agora mergulhou de corpo e alma nesse caso. É quando ele entra na sala onde estávamos e anuncia:
-Boa tarde Sr. E Sra. Filliart. – olha para mim – Andrew, o retrato falado que nos deu encaixa-se perfeitamente com o cara que fugiu da cadeia da cidade hà alguns dias.
Senhora Filliart grita:
-EU AVISEI! Eu avisei a Lucy... Eu disse que era perigoso...
Então ela volta a chorar, o Sr. Filliart a abraça, e então meu pai continua:
-No local onde Andrew foi encontrado haviam marcas de pneu. Especialistas foram lá e avaliaram a marca do pneu e para quais lojas de carros eles vendem. Descobrimos que daquele tipo de pneu apenas vendem-se para carros grandes. E como a Srta. Filliart foi levada como refém, presumo que tenha sido um carro onde ele pudesse colocá-la... Então o carro que temos suspeita seja uma Van...
Meu pai é interrompido por um colega de trabalho que entra na sala parecendo ter feito uma grande descoberta e anuncia:
-Sr. Delegado. A escola possui um sistema de câmeras recém instalado, e havia uma câmera logo na portaria e vimos toda a cena. Me acompanhe por favor.
Novas esperanças surgem em mim... Vão ver a cena. Vão ver o carro... Tudo o que aconteceu. Graças a Deus. Entramos em uma sala e lá estava a diretora da escola, que afinal a essas horas já devia mesmo ter sido avisada do ocorrido, o nome dela eu nunca soube, apenas a chamavam de Sra. McHale, ela me vê e cumprimenta com a cabeça, então nos juntamos em frente a televisão e colocam a fita para rolar: “Aparece uma menina... Espera, é a Wanessa, ela entra em uma Van azul, a Van não sai do canto, acho que ela estava conversando com alguém, então ela sai, acena com a mão para um segurança, ele se aproxima, ela fala algo em seu ouvido e lhe entrega um bolo de dinheiro... Depois ela sai, e a Van desaparece... Não demora muito e eu apreço com Lucy, nos encostamos e eu tiro a sua máscara e a minha, nos beijamos... – todos na sala me olham, droga, não era pra ninguém ter visto isso – então, acaricio o seu rosto, e do nada vem uma Van por trás dela, a mesma Van que Wanessa estava - eu não vi essa Van no dia – e de dentro sai um cara, era o cara que eu vira lá, ele coloca aquele pano no rosto dela, ela cai, eu parto para cima dele, esmurro e chuto, e depois ele me dá um murro e caio, então quando fui me levantar ele colocou o pano em mim também e desmaiei, ele pegou Lucy no colo abriu a parte de trás da Van ,jogou-a dentro, e saiu...”
Depois aparece o segurança indo lá me acudir. Nos mandam sair da sala para avaliarem com mais calma, depois do que acho que foram umas 3 horas, papai sai da sala onde assistimos o vídeo nos olha e fala:
-Conseguimos. Acabamos de confirmar que é realmente o nosso fugitivo. E sabemos que esse fugitivo é pai de uma aluna da sua escola, diretora – ele falou olhando para a Sra McHale – e eu presumo que aquela que entrou na Van seja a filha dele... Chegamos a uma hipótese que a aluna pagou para os seguranças para não fazerem nada quando o pai dela fosse seqüestrar Lucy. Claro que é apenas uma hipótese... Afinal não há razão alguma para uma menina de 16 anos encomendar o seqüestro de outra.
-Espera... – interrompo – Wanessa, que é essa menina daí... Ela jurou Lucy de morte. – todos fizeram aquele “Ohh...” – é sério isso... Claro que nós não levamos a sério... Mas não sei. Se ela foi capaz de subornar os seguranças, não duvido de mais nada.
Todos estavam atentos me ouvindo, então papai fala:
-Isso é muito sério, Andrew.
-Eu sei que é, pai.
-Vamos investigar essa menina... Chamaremos a mãe dela aqui para prestar um depoimento.
Somos interrompidos pelo mesmo colega de trabalho de antes:
-Ahn... Sr. Delegado... Temos duas pessoas aqui.
Todos levantamos e vamos ver essas pessoas, eram Sophy e Dayanne. Sophy parecia determinada já a Dayanne estava chorando e parecia implorar para não estar ali, Sophy segurava firmemente a mão dela. Chegamos lá e papai fala:
-E então? O que desejam?
-Queremos prestar um depoimento acusando Wanessa Algeria.
-Vamos, siga-me, pegarei seu depoimento.
-Não. Sr. Delegado. Se não se importa eu queria que os pais da Lucy, e – ela olhou para mim – você Andrew, também ouvissem.
-Está bem. Se não se importa.
-Não – Dayanne cochicha para Sophy, inutilmente porque todos estávamos ouvindo – não... por favor...
Sophy a olha repreendendo-a, e cochicha de volta:
-Ela te salvou de um filho-da-mãe. Precisamos ajudá-la. Não seja covarde, Day.
Olho para elas, elas me ignoram. Papai as leva para a sua sala, todos acompanhamos e lá elas começam:
- Meu nome é Sophy Garret e o dela é Dayanne Voxy. – Dayanne a cutuca, mas Sophy ignora e continua – Wanessa havia nos dito já há algum tempo que soltara seu pai da cadeia. Mas não nos contou como – Dayanne começara a chorar – ela nos disse que iria mandar seu pai matar Lucy – a Sra. Filliart solta um grito aterrorizado, e o Sr. Filliart tenta acalmá-la – Ela nunca havia nos contado porque odiava tanto Lucy, mas acreditamos que era inveja. Bem, pelo menos algumas pessoas pensam assim... Em todo o caso, pensamos que não ia levar em nada, que na verdade era tudo da boca para fora. Mas ela realmente o fez. Ela nos falou que iria mandar seu pai seqüestrá-la no dia do baile, e passar alguns dias com ela para depois matá-la, ela queria que a família de Lucy sofresse... O pai de Wanessa tem alguns problemas mentais, e ama a filhinha de todo o coração. Fará qualquer coisa por ela. – WANESSA É A UMA VACA!
- Mas – papai começa a interrogá-la – porque Srta. Algeria iria querer fazer tanto mal a Srta. Filliart?
-Lucy estava tendo alguma coisa com Andrew. E era óbvio que Andrew gostava dela. Andrew se apaixonou perdidamente em apenas pouco tempo. Enquanto Wanessa tentava ficar com ele há anos... Ele nunca deu bola alguma para ela. E eu digo... Wanessa não é normal, ela tem problemas psicológicos, ela é totalmente obcecada por Andrew. Morre e... Mata por ele. – engulo em seco, e papai me olha – Certo dia ela jogou Lucy contra a parede e começou a avisá-la que era para se afastar de Andrew, mas claro que Lucy não iria se afastar simplesmente porque uma menina havia feito uma simples ameaça, eu no lugar dela faria o mesmo. Não tinha como levar Wanessa a sério... ou pelo menos tão a sério. Então Wanessa agrediu Lucy, e obviamente Lucy deu uma surra nela. E sinceramente, bem dada. Daí Wanessa ficou com um ódio mortal dela, e no mesmo dia procurou seu pai para fazer “a encomenda” como ela chamava. Ela nos contou, nós fingimos que gostávamos da idéia. Para ser sincera Sr. Delegado, nós nunca fomos amigas dela, estávamos com ela por simples interesse. Sei que parece malvadeza isso, mas confie em mim, ela não vai ficar magoada. Wanessa não possui coração algum para ficar magoada. Ela apenas queria pessoas com as quais compartilhar a sua inveja, que claro, ela não aceitava que era inveja... Dizia que odiava a Lucy pelo simples fato dela ser irritante e sem graça. Mentira, sempre soubemos que ela invejava a Lucy. E isso piorou quando Lucy se tornou mais amiga de Andrew. E bem... no dia do baile, Andrew veio e nos falou que estava namorando com Lucy. Wanessa ficou possessa e foi para fora do colégio. Não sei ao certo o que ela foi fazer, apenas sei que ela me disse que conquistaria o Andrew no dia do baile, e que se Lucy atrapalhasse mais uma vez, ela iria realmente levar o seu plano adiante. No fundo, no fundo, ela não queria fazer algo tão trágico, mas quando Andrew chegou e comunicou, eu sei – ela me olha – foi inocentemente, ela ficou possessa e saiu. Acho que foi falar com o pai dela.
-E a senhorita veio aqui prestar depoimento para ajudar Lucy, ou para destruir a vida da Srta. Algeria?
-Para ajudar Lucy. Não que eu goste dela, mas eu gosto dessa daqui – ela aponta para Dayanne, que continuava a chorar – e Lucy nos alertou que Dayanne estava se envolvendo com um canalha que lhe faria muito mal. Descobrimos hoje mesmo que era verdade. E Lucy havia nos avisado em troca de nada, nunca fizemos nada de bom para ela e mesmo assim ela nos alertou. Ela foi honesta e não guardou rancor nosso, mesmo depois de termos estado ao lado de Wanessa humilhando-a. Day não soube reconhecer o ato de Lucy, mas eu soube e a obriguei a vir até aqui para denunciar a Wanessa. Porque Lucy não merece isso. Lucy é uma pessoa boa, e se alguém merece passar por tanto sofrimento, é a Wanessa.
Todos estamos chocados com tudo. Não acredito... Minha Lucy é realmente fantástica. Mesmo depois de tudo que Sophy e Dayanne fizeram a ela, ela as alertou, as ajudou. Minha Lucy é realmente fantástica.- Papai as olha com cuidado:
-Obrigado Srta. Garret. Isso esclarece muitas coisas, apesar dos motivos terem sido bem infantis. Mas não vou poder deixá-las ir embora. Preciso estudar mais isso. Vou precisar que faça esse depoimento novamente e agora se possível acrescentando mais detalhes, por favor, siga o Sr. Houston. – ele fala apontando para o colega de trabalho. – Afinal, ainda não sabemos como o Sr. Algeria fugiu.
Ao ouvir isso Dayanne se joga no chão e começa a chorar insistentemente, e fala:
-Eu avisei Sophy... Eu disse... eles vão nos manter aqui... vão nos prender... nos jogar naquelas celas podres...
-Day – Sophy ajuda-a a levantar-se – calma... apenas são presas pessoas culpadas.
-Mas... eu sou.
Todos ficamos atônitos, e continuamos a ouvi-la:
-Se a Wan é culpada... Eu também sou – ela chorava muito, e Sophy a olhava sem entender
-Como assim Day? – Sophy parecia confusa
-Wanessa conseguiu tirar o pai dela de lá... Ele estava preso na cadeia que o papai é dono lembrasse?
-Aii... Não acredito que se meteu nisso, Day...
-Eu a ajudei... Pensei que apenas estivesse com saudades do pai. E ela havia me dito que ele tinha sido preso injustamente. Eu não fazia idéia de que ela seria louca ao ponto de fazer algo... tão grave.
Alguns policiais a retiram, e as levaram para uma sala onde fariam novos depoimentos e Dayanne explicaria tudo direito, enquanto isso papai ficou conosco na sala dele. O Sr. Filliart olhou para a diretora McHale e falou:
-A senhora realmente vai precisar avaliar os seus alunos. Como pôde deixar algo tão grave acontecendo?
-Mas eu não fazia idéia.
-A senhora vivi ausente de sua escola.
Papai interrompe:
-Calma Sr. Filliart. Não culpe a Sra. McHale. Ela não poderia fazer idéia de algo assim. Ninguém poderia. É algo inacreditável. Uma adolescente... Fazer algo tão monstruoso assim e por motivos totalmente sem cabimento. Cuidarei para que quando ela for julgada, não seja julgada como uma menor. Porque para alguém que consegue armar uma emboscada assim, para mim não é de menor. Tem que arcar com as conseqüências de seus atos como uma de maior.
-Estou contando com o senhor, Sr. Cloney. Como amigo e como vítima.
Papai concorda.
-Muito de meu esforço Sr. Filliart é por parte pessoal. Vejo que nossos filhos se amam. Quero vê-los juntos.
-Tirou as palavras de minha boca.
Não há como não gostar disso. Nossos pais aceitando isso. Meu pai, fazendo algo para me ver feliz. Lucy veio a minha vida para me salvar mesmo. Sou interrompido pelo Sr. Houston:
-Sr. Delegado? Conseguimos testemunhas próximas a escola que disseram que viram para onde foi a Van. E câmeras que ficam nas fronteiras entre as cidades flagraram quando a Van passou. O Sr. Algeria saiu da cidade. Mas agora que temos a placa da Van não será tão difícil assim achá-lo. Uma frota de nossos policiais está saindo agora. Temos esperanças de que a encontraremos ou hoje ou amanhã. De qualquer forma, eles ficarão hospedados em um hotel na cidade vizinha enquanto investigam. Deseja ir com eles senhor?
-Sim. Levarei comigo Andrew.
-Também vou. – O Sr. Filliart estava em pé. – Vou com vocês.
Houston finaliza:
-Estão saindo agora senhor.
-Vamos agora – disse papai - e Sr. Houston, você comandará as coisas por aqui em minha ausência. Estou confiando no senhor.
Sr. Houston dá um sorriso, discreto, mas pude vê-lo, ele agradece com a cabeça e sai.
De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?
sexta-feira, 27 de março de 2009
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