De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Capítulo 21 - Os homens de minha vida

N/A: Mil perdões pela demora. =X. Colégio e outras coisas. ^^'. Ah... há uns dois dias atrás eu JURO, eu tentei atualizar, mas o blog deu problema, e ja tava tarde da noite, awe tive que sair. -.- . Mas, tá aqui, o capítulo 21. Beijos! ;***


Ai... Tudo dói... Estou com uma sensação horrível de vazio, abro os olhos aos poucos, está tudo tão claro... Onde estou? Abro mais meus olhos, devido a claridade está difícil enxergar, com o tempo meus olhos vão se acostumando, é quando ouço a familiar voz de Daniel:

-Olhe, ela está acordando.

-Dan?

Ele estava sentado ao meu lado esquerdo, olhando para mim com um misto de preocupação e repreensão. Depois olho para o meu lado direito e Andrew estava em pé, seu kimono entre aberto deixando a mostra seu tórax nu e bem definido, Deus como é lindo. Ele fala:

-Lucy... – ele parece aliviado, mas seus olhos estavam cravejados, do que me apreciam ser, pérolas cintilantes, mas eram lágrimas – ainda bem que acordou.

Daniel chega mais perto e fala:

-Lucy. Ficamos preocupados. – depois ele coloca um pequeno sorriso na boca. – Pirra doida. Quer morrer é? Fica inventado dietas malucas é nisso que dá.

-O que aconteceu, não lembro de nada. – pergunto com ar de inocente.

-Você com essa invenção de não comer, ficou fraca, não agüentou e desmaiou. Todos nós sabemos que está gorda... Mas não invente mais essas coisas – palhaço, me vê nessa situação e ainda me chama de gorda.

-Nossa Dan, como melhorou a minha auto estima. - Ele sorri e me da um beijo na cabeça.

-Vou ligar para o papai, para vir nos buscar.

Concordo com a cabeça, ele sai e me deixa a sós com Andrew, que se aproxima de mim:

-Nossa Lucy. Você me deixou muito preocupado. Quando te vi caída no chão lá na academia fiquei com ar de louco.

-Haha... De vê ter sido uma cena linda. – agora ele está sorrindo

-Ta achando graça não é?

-Sinceramente... Estou sim. Mas... Seus olhos estão vermelhos, o que foi? – tenho que dar uma de ingênua.

-Não sei... Acho que é o ar condicionado daqui... Acho que irritou os meus olhos.

-Está bem. – finjo que acredito – Desculpe ter estragado o nosso 2º dia.

-Não estragou não. Eu passei mais tempo com você do que imaginei. Você desmaiada em meus braços, serena, indefesa... Estava linda.

-Foi você quem me trouxe? – eu pensei que o Daniel tivesse ido lá.

-Fui eu sim. Saí da academia correndo com você nos meus braços. Ainda estou de kimono – realmente... – então me joguei em frente a um táxi para ele parar, entrei vim para cá, no caminho liguei para seu irmão, e quando cheguei aqui, o taxista nem cobrou a corrida.

-Sério? Porque?

-Disse que iria descontar porque viu minha preocupação.

-Hahaha... Deu um calote no taxista não foi? – Kkkkkkkk, ele ri comigo.

-Viu o que você me faz fazer? Até calote já estou dando.

Rio com ele, ficamos conversando e brincando por algum tempo, depois vejo meu pai entrando no quarto, ele estava lindo, arrumado para o trabalho, estava com um ar preocupado, em seus calcanhares vinha Daniel. Papai me olhou e me abraçou:

-Minha filha. Fiquei muito preocupado. Parece que não tem responsabilidade. Cadê a minha filha que tem bom senso?

-Desculpe-me pai. Não sei onde estava com a cabeça.

Ele sorri e concorda. Depois olha para Andrew:

-E você deve ser Andrew não é?

-Sim Sr. Filliart. Andrew Cloney.

-Meu jovem, pode me chamar de James. Trouxe a minha filha o mais rápido que pode, e soube que também se jogou na frente de um táxi para que ele os trouxesse aqui. Foi corajoso. Ah... também soube que deu uma gritaria aqui. – como assim? – Agradeço tudo o que fez pela minha filha.

-Ah, não há de quer James. Só fiz o que devia ser feito.
Olho para eles conversando... Uma cena que pensei ser inédita. Os três homens de minha vida. Meu pai. Meu irmão e... Andrew. Acho que esta cena ficará em minha mente por um bom e longo tempo... A cena dos três homens mais lindos e importantes de minha vida, quer dizer... Andrew até agora tem sido um bom amigo... os que mais se importam comigo... Conversando, e boa parte sobre mim... Papai o adorou e Daniel também. Nem se Andrew tivesse planejado como agradá-los teria conseguido com tamanha destreza. Ele me salvou. Se eu tivesse desmaiado a caminho de casa? Ou no colégio? Ou em algum lugar desconhecido, poderia ter ficado ali sem ajuda. Mas não... Dei a sorte de ter Andrew por perto, que feito um louco se jogou na frente de um táxi, passou um calote, deu uma gritaria no hospital, chorou... E tudo isso por mim. Não acho que seja um teatrinho o que ele esta fazendo , seria possível? Acho que estou acreditando... que ele goste de mim, acreditando que ele realmente seja uma pessoa boa. Mas ainda temos 6 dias... Mais 6 dias e veremos...

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Capítulo 20 - O susto de Lucy

O treino já estava começando, Xavier nos posiciona e começamos com alguns golpes simples, olho para Lucy, ela está muito pálida... Será que está doente? Do nada ela cai do banco, corro em sua direção, a pego no colo:

-LUCY! LUCY, acorda... Vamos... – ela não esta reagindo, começo a entrar em desespero – LUCY! ACORDA! – olho para Xavier que esta assistindo a cena com uma cara preocupada, então digo-lhe – Xavier ela desmaiou do nada. Treino outro dia a levarei ao hospital.

Saio feito um louco com ela nos meus braços, preciso ir ao hospital mais próximo, estou correndo pelas ruas feito um louco com uma garota desmaiada em meus braços, ela mesmo assim está linda, serena... Mas minha preocupação toma conta de meus sentimentos, quando vejo um táxi passando na rua corro para a frente dele, ele pára buzinando:

-Moleque doido, saia já da minha frente!

-Por favor, para o Hospital mais próximo, minha amiga desmaiou. Pelo amor de Deus. Me ajude

-Esta bem. Entre.

Entro para o banco de trás com ela em meus braços, parecia tão frágil. O taxista me pergunta:

-Ela é sua namorada meu rapaz?

-Não. Apenas minha amiga.

-Você parece gostar muito dela.

-Eu a amo.

Depois disso ambos ficamos calados. Enquanto o táxi nos levava até o hospital resolvo mexer em sua bolsa atrás do telefone de sua casa. Acho seu celular, procuro na agenda e finalmente encontro, disco, uma voz masculina atende:

-Alô?

-Ah, oi. Aqui é Andrew um amigo de Lucy. Ela está passando o dia comigo, mas do nada ela desmaiou, estou levando-a para o hospital... – olho para o taxista pelo retrovisor que estava acompanhando a conversa, ele me fala que é o Hospital Santa Edwiges – Santa Edwiges.

-Como assim? O que aconteceu?

-Não sei. Ela de repente desmaiou, já estava bem pálida hoje mais cedo.

-Acho que já sei o que foi. Ah é, sou Daniel irmão mais velho dela. Estou indo para lá.

-Está O.K. Tchau.

Desligo, ele até que foi bem legal. Se fosse comigo, começaria a gritar com o cara pensando em coisas horríveis que ele poderia fazer com minha irmã. Esse não foi o melhor jeito de conhecer meu futuro cunhado. Rio, e depois me sinto culpado em achar graça em uma hora dessas. Estou preocupado, do nada uma lágrima escorre pelo meu rosto, a enxugo, eu estou chorando. Chego mais perto do rosto dela, pálido, consigo ouvir sua respiração, e isso já me acalma bastante, chego bem próximo de sua boca e sussurro:

-Não faz isso comigo Lucy. Não me deixa preocupado assim.

Mais uma lágrima cai, dessa vez em seu rosto a enxugo. Eu poderia beijá-la naquele instante... Mas não seria sacana a este ponto, não seria justo. Quero beijá-la apenas no dia em que ela também o quiser. Retiro uma mecha loira de seu cabelo da frente de seu rosto, como ela é linda em qualquer circunstância. Do nada o táxi pára e avisa:

-Chegamos meu rapaz.

-Olha, eu não tenho dinheiro agora, estou de kimono. Mas pode passar na academia de Judô Thompson.

-Não tem problema meu rapaz. Você estava em desespero pelo seu amor. Tudo bem. Cuide dela.

-Nossa, muito obrigado. Cuidarei sim.

Nossa, esse cara realmente foi gente fina, entro feito um louco no hospital, corro para a ala de urgência, chego na balconista e falo:

-Quero um médico agora. Minha amiga desmaiou do nada.

-Calma, precisa passar pelos procedimentos padrões. Qual o nome dela?

-Pelo amor de Deus, não sabe que é perigoso um desmaio? Quero um médico, depois preencho todos os papéis que quiser.

-Entenda rapaz. Este é um hospital particular, temos regras por aqui. – qual o problema dessa recepcionista?

-EU QUERO A PORCARIA DE UM MÉDICO AGORA!

Um senhor todo de branco aparece e fala:

-O que foi meu rapaz? Não precisa de toda essa gritaria aqui.

-Ela desmaiou já faz algum tempo. Pelo amor de Deus cuida dela.

Ele concorda com a cabeça e chama alguns enfermeiros que a colocam numa maca, e a levam, ele me olha:

-Quando você puder vê-la, voltarei e lhe chamarei.

Ele vai te a recepcionista e fala:

-Sarah. Esta é a ala de urgência. Primeiro atendemos o paciente, depois fazemos a parte burocrática deste hospital. Agora pode falar com o rapaz.

-Sim. Desculpe-me Dr. – bem feito!

Ela me olha e começa:

-E então? O nome dela?

-Lucy Rondon.

-O nome completo

-Ahn... – não sei ao certo. – espere, vou até a bolsa dela e procuro em sua carteira a carteirinha de estudante, lá estava – Lucy Becky Rondon Filliart – que nome grande

-Idade?

-16 anos.

-O convênio?

-Não sei. O irmão mais velho dela já esta chegando.

-O que é dela?

-Ahn... Amigo.

-Sente-se, quando o irmão dela chegar me avise.

Fico sentado, impaciente, guardo as coisas dela em sua mochila e fico com ela no colo. Um rapaz de cabelos castanhos, alto e forte chega e pergunta por uma Lucy que teria dado entrada agora, corro em sua direção:

-Oi. Eu sou o Andrew. – o cumprimento

-Sou o Daniel. E então, como ela está?

-O médico a levou. E disse que quando pudermos vê-la, ele nos chamará.

-Está bem... Você estava chorando? – ele me pegou de surpresa

-Bem... fiquei preocupado...

A recepcionista nos interrompe:

-E então? Você é o irmão dela – fala olhando para Daniel

-Sim sou eu.

-Qual o convênio dela?

Enquanto Daniel terminava o formulário para aquela recepcionista sebosa, fiquei sentado com a mochila de Lucy. Nossa... Nunca pensei que fosse ficar tão preocupado. Será que ela estava doente? Será que possuía algum tipo de doença esquisita? Será que fui o culpado por deixá-la sem almoço? Mas afinal era apenas meia hora... Estou me sentindo um lixo. O culpado dos culpados. Quando Daniel termina, ele vem e senta-se ao meu lado:

-E então? O que aconteceu?

-Nós fizemos um acordo de passarmos a semana juntos... É uma longa história. Então hoje a levei para um treino meu de judô, por isso o kimono, mas era coisa de meia hora ou até menos. Depois íamos almoçar. Mas quando estava lá no treino ela estava meio pálida... E do nada ela desmaia, fico feito um louco, a pego e corro para cá. O taxista nem cobrou pela corrida.

-Muito obrigado. Mesmo. Fiquei preocupado. Minha irmã estava nas mãos de um marmanjo que eu nem conhecia. Consegue imaginar o meu desespero?

-Consigo sim. Também tenho uma irmã mais nova. Mas você havia dito que achava que sabia o que foi?

-Pois é. Ela não comeu nada de manhã em casa. Disse que estava começando uma dieta. Disse que passaria o dia sem comer. Ninguém lá em casa acreditou, acharam que ela estava apenas brincando, mas eu fiquei com um pé atrás. Lucy tem cisma de que precisa emagrecer.

-Ela não precisa disso. Já é linda. – ele me olha com uma cara – Ah... Não é nada do que está pensando. Mas eu acho a Lucy linda já do jeito que ela é.

-Vocês... por acaso... Já ficaram ou coisa do tipo?

-Não. Ela não quer. – olho para ele. Acho que ele agora tem pena de mim.

-Ela é difícil de se entender. Você gosta dela? Mesmo?

-Muito. Mas fazer o que... Só com o tempo ela descobrirá isso.

Ele sorri e me da uma tapinha nas costas, acho que de consolo. Ficamos conversando por algum tempo, contei como cheguei lá, que havia me jogado em frente a um táxi para ele parar. De repente o doutor Que a levou aparece e vem falar comigo:

-Bem rapaz. Eu sou o Dr. Ringo. O que a paciente é sua?

-Minha amiga Dr. – aponto para Daniel - e este é o irmão dela.

-Bem - o doutor continua – colocamos ela no soro, e daqui a pouco ela deve acordar. Desmaiou porque estava fraca de mais. Acho que é mais uma adolescente que tenta emagrecer sem orientação de um nutricionista. Apesar de ter visto que ela não precisa. Ela é saudável. – Graças a Deus – e então. Querem vê-la?

Ambos concordamos com a cabeça e seguimos o doutor, graças a Deus ela estava bem... Mas ela só pode ser louca mesmo. Uma dieta doida dessas... E ela não precisa, tem um corpo lindo. O que eu não daria para acariciá-lo... Olho para o lado e Daniel estava lá. Engulo em seco... Estava tendo pensamentos sobre a irmã dele. Mas acho que ele viu o quanto gosto dela. É, parece que já conheço metade da família de Lucy.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Capítulo 19 - 2º Dia

Depois de muito ri imaginando maneiras doentias de Wanessa conquistar Andrew, saio da escola sorrindo, e encontro Andrew sentado ao lado da portaria, ao me ver ele levanta rápido e se coloca na minha frente, levo um susto com a rapidez dele, mas antes que eu possa falar algo, ele começa:

-Olá Srta. Rondon.

-Olá Sr. Cloney... Mas como você descobriu o meu sobrenome? Eu nunca te falei nada.

-Hahaha... Eu tenho minhas fontes... Mas fecha os olhos... – hahaha, de novo?

-De novo?

-Vai.

-Ta O.K – fecho os olhos

-Abre – quando abro os olhos me deparo com uma rosa branca, e presa nela tem um pepelzinho, e nele escrito ”Obrigado pelo dia de ontem. Ele foi perfeito” – Viu... A flor aumentou de ontem para hoje... É como o meu sentimento, aumenta mais a cada dia... E não tem medo algum de aumentar.

-Nossa, não sei nem o que dizer. A rosa é linda. O que você fez foi lindo. Obrigada

O abraço em forma de agradecimento, acho que o peguei meio de surpresa, mas ele me aperta, consigo sentir seu cheiro... Nossa como é bom, e seus músculos... Nossa como são duros... Ele vai colocando a cabeça dele no meu pescoço e me da um beijo lá... Me arrepio toda, e me afasto dele, sorrindo, ele olha para mim e fala:

-Já sei seu ponto fraco... – ele esta com um sorriso lindo, meio malicioso... Mas lindo. – agora já sei o que fazer para te deixar sem ação...

-Ta bom Andrew... Mas e aí... Qual o programa de hoje? Se é que tem algum programa...

-Temos sim. Hoje eu treino judô, e você vai comigo. Prometo não ficar muito tempo, porque deve ser chato ficar vendo uns caras se agarrando e tentando jogar o outro no chão. Por isso passarei apenas meia hora e depois vamos para o The Point Place.

Concordo com a cabeça, já contei a mamãe da proposta dele... Essa coisa de semana com ele, ela adorou e disse que estou liberada durante a semana para sair... Amo a minha mãe. E sobre a idéia de programa do Andrew hoje: a idéia de ver um monte de caras musculosos, inclusive ele e o irmão era encantadora, aceito de bom grado. O The Point Place é uma lanchonete famosa por aqui perto da escola, é quase como um ponto de encontro mesmo, todos vão, e tem comidas ótimas. Lembro que fui com as meninas ano passado para comemorar o aniversário de Rachel... Só em pensar em toda aquela comida minha barriga faz um barulho alto, fico com medo de Andrew ter ouvido, mas parece que não.

Estamos de mão dadas quando chegamos à academia dele, ela tinha uma parte de vidro, e a porta também era de vidro, havia um adesivo dizendo os dias que haviam treinos, e também avisando os estágios do judô, em uma parte vi que como professor das crianças lá constava o nome de Mike. Ao entrarmos noto que haviam vários tatames, em um deles estava Mike e um monte de criancinhas vestidas em kimonos imitando tudo o que ele fazia e soltando gritos como: “Iaaaa” “Raiaaan”, era realmente engraçado. Andrew se vira para mim, e avisa que já ia começar, me mostra onde ele faria a aula e me diz onde posso ficar sentada. Me dirijo até o banquinho que ele havia sinalizado e fico observando todos ali, compenetrados no que faziam, de repente um cara grande, careca, com um grande bigode branco, usando um kimono branco com uma faixa preta aparece na minha frente, ele pergunta:

-Boa tarde mocinha bonita. Querendo saber os dias de aula?

-Boa tarde. Na verdade vim ver o treino de um amigo meu. Mas obrigada assim mesmo.

-Ah, amigo não é? Qual o nome dele?

-Andrew Cloney.

-Ah... O Andrew... Ele é um aluno exemplar. Ele te falou que recebeu um troféu de um campeonato nacional e que esta treinando para o internacional? – estou surpresa, não sabia que ele era tão bom

-Ahn... Na verdade, ele não havia me dito nada disso.

-Ele é muito modesto. – ele me olha bem – e tem um bom gosto também.

Sorrio, é quando vejo Andrew chegando, Graças a Deus, ele vai me tirar dessa situação constrangedora:

-Ah, Xavier, vejo que conheceu a Lucy.

-Então esse é o nome da mocinha – pois é. Velho tarado. Andrew dirigi-se a mim – Lucy, este é o meu treinador, Xavier Thompson.

O cumprimento e sorrio, Andrew antes de despedir-se de mim comenta:

-Esta meio pálida sabia?

E vai treinar. Fico sentada no banco, minha barriga esta roncando... Nossa que fome. Mas tenho que me controlar, estou precisando perder alguns quilos mesmo. Estou com um frio... Uns arrepios... Nossa que coisa estranha... De repente as coisas estão tão embaçadas... Que sensação esquisita... Tudo começou a girar... Ai... Ta tudo apagando... Quero falar com o...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Capítulo 18 - Mina

O sinal acaba de tocar anunciando o fim deste dia cansativo de aula. Estou cheia de exercícios para fazer... E com uma fome braba, resolvi fazer um regime meio doido, não comi nada ao sair de casa, e nada no intervalo... Acho que passarei hoje o dia sem comer para ver o quanto emagreço, à noite eu belisco alguma coisa. Será que o Andrew sairá comigo hoje de novo? Se formos comer, inventarei uma desculpa fajuta, e também tem os exercícios... A última coisa que ele pode fazer, é me prejudicar nos estudos, isso já é de mais. Quando estou arrumando as minhas coisas noto que tem alguém parado na minha frente, olho para cima e vejo aquele nariz de tomada, que mais parece um porquinho... Mina:

-Lucy, eu quero falar com você.

-Hãn... Eu estou aqui, pode falar...

-Olha aqui... Se você está começando a ter algo com o Andrew, acho melhor ir parando porque ele é da Wanessa. – kkkkkkkkkkk, não dá para acreditar.

-kkkkkkkk, fala sério.

-Não ria. Wanessa fará tudo para tê-lo. Não fique no caminho dela porque apenas dificultará as coisas.

-Mas do que por** você está falando? 1º Eu não te devo satisfações das pessoas com quem falo. 2º Não é da sua conta se tenho ou não algo com ele. 3º Crie vergonha na cara, pare de correr atrás daquela menina, seja você. 4º Cuide da sua vida e não da minha, porque ela pelo menos comigo esta indo muitíssimo bem... E 5º as 4 coisas ditas antes já foram o suficiente para você se calar... Sair da minha frente e nunca mais voltar a olhar na minha cara. – Levanto e saio, estou soltando fogo pelas narinas.

-Espera Lucy... – olho para ela com uma cara de desprezo, mas ela estava com os olhos cheios de lágrimas, amoleço e resolvo ouvir – Olha... Não pense que eu sou um monstro por meio que... Ter te trocado... Mas eu tive as minhas razões. Sabe eu nem devia estar falando com você. Mas saiba que a nossa amizade não esta esquecida, apenas acho que cometi um erro, troquei uma coisa pela outra... Mas agora já é tarde, se eu comecei vou terminar. Não quero te ver mal Lucy. Wanessa é obcecada por Andrew, há anos que ela tenta ter algo com ele, mas por mais que saibamos que ele é galinha... Pegador, ele nunca quis nada com ela, mesmo ela sendo, simpática, doce, agressiva, bonita bem cuidada, relaxada... Nada, parece que ele simplesmente a odeia.

-Mina. Não consigo acreditar em nada do que esta me dizendo. Mas sabe... Se Wanessa quer tanto assim o Andrew. Por que ela não tenta conquistá-lo sendo ela? Se ele gostar, ótimo, se não, não há mais nada que ela possa fazer. Não se tenta prender um cara a força fingindo ser alguém que não é. Porque em algum momento ele vai descobrir, e quando isso acontecer será horrível.

-Não Lucy – ela começa a chorar com mais força – Você não entende. Olha, não da mais para perdermos tempo... Daqui a pouco a Wanessa vai aparecer. Tenho que ir. Mas Lucy, adoraria depois conversar direito com você.

-Mina... – eu não posso estar caindo na dela – não vou cair no seu teatrinho, apesar de boa parte de mim ainda acreditar em você. Está bem. Como queira, conversaremos, mas posso apenas conversar com você na semana que vem. Agora da licença que eu estou ocupada.

Saio da sala de aula chocada... Do que a Mina estaria falando? Estaria me avisando de algo importante? Ah... Fala sério, não acredito que ainda estou pensando no que aquela falsa me falou. Claro que nada daquilo era verdade, nada daquilo fazia sentido algum... E só porque a “ídolo” dela, Wanessa, queria algo com Andrew eu não poderia ter? Falando sério... Alguém drogou aquela menina? Maconha? Heroína? Crack? Estase? Pelo amor de Deus alguém me diz qual foi a droga... Porque isso foi fora do normal. Essa menina ficou louca do nada. Vai ver que é o fixador que ela passa no cabelo para ficar calmo, acho que ela colocou de mais e ficou cheirando sem querer. Mas que ela me assustou, a isso ela conseguiu mesmo. Estou começando a achar que Wanessa seria capaz de me matar por isso... Não... Não é para tanto, afinal ela tem a minha idade, isso seria meio que... sem noção.
Caminho em direção ao banheiro, até agora nenhum sinal de Andrew, acho que ele enjoou de mim porque passamos tempo de mais juntos. Ao chegar dou uma olhada no espelho... É parece que não da para ficar melhor, entro em um cubículo e vou fazer xixi, quando estou quase no fim ouço algumas meninas entrando no banheiro, e como a minha curiosidade é sempre maior que meu bom senso fico para ouvir:

-Mina, você viu o And hoje? – é a voz da Wanessa

-Sabe que não, pensei que ele fosse estar na quadra com os meninos mas... Ele não estava, não tenho idéia para onde tenha ido. Só vi o Djim hoje jogando basquete na quadra – Nossa Mina, para quem estava chorando, sabe que esta muuito bem.

De repente outra voz, que presumo que seja da Sophy, fala:

-Aiai... Djim, acho que eu vou sair com ele hoje. Ele parece estar a fim. Dayanne, só falta você arranjar alguém. – todas riem juntas.

-Acho - Dayanne esta falando agora – que no baile de máscaras arranjarei alguém. Estou de olho em um carinha da natação, o Afonso, ele é da sala dos meninos sabiam? – todas fazem um “huuumm”, elas são... Arrghh – Wan, fala com o Andrew para ele me apresentar direitinho vai.

-Vou ver Danny. Porque ta difícil prende-lo, mas estou pretendendo no baile de máscaras mostrar a ele que se ele não ficar comigo perderá muuuita coisa. Só há um pequeno probleminha, na verdade nada que vá me fazer perder a cabeça. A sardenta da Lú-uzinha esta investindo nele. Ela que pense que eu não reparei... Quem ela acha que é? Ela realmente acha que tem alguma chance com ele? Fala sério! Se ele não me quis até agora, imagina ela... Que ele nem conhecia há alguns dias atrás... E a culpa é toda sua não é MINA? – NOSSA!!!

-Calma Wan. Me desculpa vai... Eu não podia imaginar que ela se sentiria no direito de querer o Andrew para ela. Ela sempre foi grossa comigo, e sempre odiou os populares da escola não entendo porque ela foi tão gentil... Ou pelo menos fingiu. Acho que foi porque queria impressionar o Andrew mesmo.

-Exato, sua palerma. E por causa disso And criou uma péssima imagem de mim. Mas isso não fica assim não. Se aquela loirinha desclassificada aparecer no meu caminho mais uma vez... As coisas não vão ficar boas.

De repente as vozes vão se distanciando, então presumo que elas já devem ter ido... NOSSA!!! Era tudo um plano mesmo... Naquele dia que gazeei a aula de matemática... Era exatamente o que imaginei... Elas queriam que eu passasse a imagem de grossa, para que Wanessa ficasse com a cara boa na frente de Andrew. Elas arquitetaram algo muito sem noção. Kkkkkkkk, e elas só falam em meninos, aff... E Wanessa trata Mina super mal, Mina parece até um capacho. E naquele dia... Mina estava toda assim com o Petter... Tudo se encaixa, Wanessa com Andrew, Sophy com Djim e Mina com Petter, é isso. Eu estou passada... E Wanessa fará algo no baile de máscaras... Algo que fará Andrew enxergá-la... Rio em lembrar que combinamos de nos encontrar lá... Acho que ela vai me matar. Hahaha, rio só em pensar na cara dela... Sinceramente, aquelas meninas são dignas de pena mesmo.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Capítulo 17 - Yani

N/A: Olá! Tempos que não falo com vocês. Aqui pra agradecer a todos que estiverem lendo. =D. Ah... e esse capítulo 17 está na folha 74(folha de ofício) e na página 180(em formato de livro), é ja ta grandinho neh. xD. Deixo vocês por aqui.... leiam. ;*

“...Eu já sei, mas você não pode esconder de você mesma. Não esconda que o And mora no seu coração....”

As palavras de Gina não saíram de minha cabeça durante toda a noite. Ela me ama. Ela me ama. É quase inacreditável... Será que Gina não se enganou? Será que estou alimentando uma falsa esperança. Fui atrás de Lucy quando ela pediu para ir ao banheiro, sabia que ela iria falar com Gina, tinha certeza, fiquei ouvindo do lado de fora da porta... Gina disse que eu moro no coração dela... Espero que Gina não tenha errado. São 05:00 da manhã e eu não consigo esquecê-la, não consigo tira-la da minha cabeça. O dia ontem com ela foi inesquecível, o melhor que eu poderia imaginar. Acho que ela já entendeu que não sou como ela imaginava... Se ela já reparou, então agora esses 7 dias vão servir para conquistá-la. Tudo tem que dar certo. Passo uma hora apenas lembrando de seu sorriso, suas sardas, sua voz, seus olhos... Olhos de chocolate, que sabor deverá ter sua boca? Seria de cereja como o seu cheiro? Quando olho para o relógio já marcavam 06:00, Benoit começava a dar sinais de quem estava realmente afim de ir ao banheiro, resolvo levantar da cama, colocar uma roupa qualquer e descer com ele.
Começo a caminhar em frente ao prédio pacientemente para que Benoit pudesse marcar todas as árvores com sua urina. Estou caminhando com ele, mas na verdade minha cabeça está pensando naqueles olhos de chocolate... Ela vai me deixar louco... Volto do meu devaneio ao ver que uma senhora caminhava na direção oposta a minha, ela para e começa a fazer festa com Benoit que parecia gostar dela, nunca o vira tão feliz. Ela olha para mim e fala:

-Bom dia! Mas que cachorrinho lindo você tem aqui não? Qual o nome dele? ou dela?

-Bom Dia! É ele, Benoit.

-Mas que belo nome. É francês não é? – poucas pessoas sabem de cara que o nome dele é francês.

-Sim. Como a senhora sabe?

-Eu já morei na França meu rapaz. Eram bons tempos aqueles.

-Sério? Adoraria conhecer. Queria tentar carreira.. – é melhor eu ficar calado

-O que? Diga meu rapaz... Carreira artística? Não precisa ter vergonha.

-É. Adoraria ser pintor na França. Mas não é vergonha, é que meu pai nunca permitiria.

-Mas que belo. Um jovem rapaz já com sonhos altos. Seu pai tem que entender que você gosta. Converse com ele – como se fosse tão fácil.

-Acho que não seria uma boa idéia. Mas mesmo assim obrigada por me ajudar.

-Ah, não há de quer. Mas acho que posso ajudá-lo mais ainda.

-Sério? Não tenho idéia de como.

-Quando morei na França eu era professora de uma escola de artes. Tenho ainda vários amigos por lá. E a escola na qual ensinei todo fim de ano recebe vários quadros, desenhos... Em fim criações de artistas de todo o mundo, eles vêm quem são os 20 melhores e os chamam para estudar lá com uma bolsa. Deveria tentar meu rapaz.

-Nossa. Nem posso acreditar. Isso é sério?

-Claro.

-Eu adoraria.

-Venha tomar uma xícara de chá em minha casa qualquer dia desses que posso lhe explicar algumas coisas e ainda lhe ajudar com alguma obra sua. O que me diz?

-Seria ótimo. Nem sei como agradecer... Mas, qual o seu nome?

-Meu nome é Yani Rondon. E o seu?

-Andrew Cloney. Onde a Sra. Mora?

-Nesse prédio aí – ela fala apontando para o meu prédio – moro no 3º andar.

-Sério? Eu também moro aí. Moro no 10º. Espera, a Sra. Que é a nova moradora?

-Que bom, somos vizinhos. Sim sou eu. – Lucy falou que sua avó mora no 3º andar.

-Me desculpe se estou sendo intrometido de mais... Mas a senhora possui alguma neta chamada Lucy? – ela parece surpresa com a minha pergunta.

-Sim tenho sim. Uma loira?

-Sim. Essa mesma.

-Como a conhece? Conheceram-se domingo?

-Não... Na verdade ela estuda na mesma escola que eu. E se posso ser sincero. Sou louco pela sua neta. Estou tentando conquistá-la, mas parece uma tarefa muito difícil.

-Hahahaha – sua risada lembra a de Lucy – mas que ironia hein? Nem se você soubesse que eu era a avó dela e tentasse passar uma boa impressão teria conseguido com tanta destreza. Adorei você meu rapaz. Parece ser um rapaz honesto, sincero e de bom coração. Pode contar comigo no que quiser para conquistar a minha neta, e juro – ela faz um X com os dedos e põe sobre a boca – nada sairá de minha boca para ela a respeito disso.

-Nossa. A Sra. É um anjo sabia? – eu nem posso acreditar.

-Ah meu rapaz. Como você vai ter aula hoje, já quero lhe ajudar. Lucy é muito romântica assim como eu e minha filha. Dê a ela flores... cartões... chocolates em forma de coração. Acho que já seria um bom começa... Claro apenas uma dessas coisas, não dê tudo... Parecera exagerado de mais.

-É, eu estava pensando em algo parecido. Muito obrigado mesmo.

Despeço-me dela agradecendo e vou subindo com Benoit. Preciso me arrumar para o colégio. Eu já havia pensado em dar uma rosa. Em agradecimento ao dia de ontem, mas não tinha certeza se ela era do tipo que gostava de flores... Afinal apesar de saber que mulheres gostam disso... Nem todas são iguais. Sra. Rondon me deu novas energias. Adorei tê-la conhecido, e realmente, não poderia ter sido melhor, além do que, ela vai me ajudar a entrar para uma escola de arte na França. Não poderia ter pedido uma “avó” melhor.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Capítulo 16 - Menina do Sol

Ela nos olha e junta nossos rostos, ficamos bochecha com bochecha. Então ela fala:

-Eu vi menina do sol – isso é comigo? – eu vi seu coração.

-Viu Gina? E você viu o quê?

-Vi que seu coração é tão claro quanto você. – ela da um sorriso meigo – no coração da menina do sol, mora... – o oquê??? Quem???

-O quê Gina?

-Só te digo quando me der um chocolate. Seus olhos são cor de chocolate. Me deu fome

Eu e Andrew começamos a rir juntos, ficamos ali sentados os três no chão, eu e Andrew lado a lado e em frente a Gina que tinha uma risada gostosa, ela era muito misteriosa. De repente somos interrompidos pelo o que chamo de “DEUS GREGO” ele estava saindo do quarto ao lado, estava apenas de calça jeans e sem blusa, tinha uma barba meio grandinha, um cabelo maior que o de Andrew, cabelos pretos e um belo par de olhos verdes assim como Andrew, presumo que este seja Mike, ao me ver ele parece surpreso mas sorri, Andrew levanta-se rápido e o imito. Andrew fala:

-Sério. Finge que tem educação, vai colocar uma blusa né? Temos visita.

-Ah, Andrew. Que besteira, isso é coisa dos anos 50, esquece isso. – depois dirigi-se para mim e se apresenta com ar galanteador – Oi, eu sou o Michael, irmão mais velho do Andrew. Mas pode me chamar de Mike

-Oi, eu sou a Lucy, amiga do Andrew – o cumprimento com um aperto de mãos.

Andrew insiste:

-Mike. Vai colocar uma blusa. Que falta de educação.

-Ahhh... Sério mesmo Andrew. Assim você vai passar uma má impressão para a Lucy.

-Aah... – Andrew dirigi-se para mim e para Gina – Vamos almoçar, acho que o almoço está quase pronto.

Concordo com a cabeça e caminho de volta a sala.

Almoçamos macarrão com almôndegas, estava ótimo, tive um almoço maravilhoso, eles são super divertidos ri aos montes com as graças de Mike, já o Sr. Cloney em vários momentos o vi sério, apenas as vezes ele sorria, o achei meio abatido, pensei na hipótese dele estar assim pela perda da esposa, mas não sei há quanto tempo a mãe do Andrew morreu, só sei que foi ano passado. Depois do almoço eu e Andrew ficamos na sua varanda comendo chocolate, Andrew nem encostou, disse que não podia comer, não perguntei o porque, acho que não é da minha conta. Discretamente guardei um pedaço comigo, resolvi que na hora de ir embora, quando Gina pensasse que o chocolate havia acabado, eu daria o pedaço a ela e ela me diria o que morava no meu coração. Era o plano perfeito, ficamos na varando até escurecer, e foi quando me dei conta que já estava tarde de mais:

-Andrew, eu preciso ir mesmo. Está ficando muito tarde.

-Nossa, nem vi o tempo passar.

-É. Nem eu.

-Com você o tempo pareceu voar. Você é uma ótima companhia Lucy. E mais uma vez, obrigado por ter topado a proposta. Garanto que não vai se arrepender.

-É. Até agora não me arrependi.

Sorrio, é a primeira vez que não dou um fora nele, acho que ele entendeu e abriu um sorriso lindo, ele olhou para mim e falou:

-Quando o Mike se apresentou. Você se apresentou como minha amiga. É verdade? Já conquistei sua amizade? – aiii... ele ainda acaba comigo olhando pra mim desse jeito.

-É... Eu acho que sim. Admito que estava errada quando pensei e disse aquelas coisas de você. Passar o dia hoje com você me mostrou que você não é nada do que eu pensava... Pelos menos até agora tudo esta indo bem.

-Mas ainda faltam 7 dias, em 7 dias te conquistarei Lucy. Você vai ver.

Ele olhou para mim rindo, sorri também, depois perguntei onde ficava o toalete e fingi que fui ao banheiro, mas na verdade fui ao quarto de Gina. Ao chegar em frente a porta rosa, bati, assim como havia feito Andrew, e me identifiquei:

-Gina, aqui é Lucy. Tenho algo para você.

De repente a porta se abriu e ela olhou para mim curiosa, olho para o lado, quero me certificar que Andrew não aparecerá de surpresa, acho que ela entendeu porque me convidou para entrar, ótimo. Ao entrar mostro o pedaço de chocolate, me agacho, fico do tamanho dela e falo:

-E então? O que mora no meu coração Gina?

-O coração é seu. Você sabe. Mas você também ta confusa. Tadinha da menina do sol. Ta confusa. – sorrio, ela passa a mão na minha cabeça, como quem consola, mas logo continua – a menina do sol ficou escondendo de mim. Mas eu achei quem mora lá. A menina do sol quer de todo o jeito esconder dela. – ela pára e fica séria, era até cômico, ela toda lambuzada de chocolate, e bem pequenininha olhando sério para mim – Não esconda mais de você menina do sol. Eu já sei, mas você não pode esconder de você mesma. Não esconda que o And mora no seu coração. Faz mal esconder de você uma coisa tão simples. Minta para os outros, mas nunca para você. Isso poderia transformar o que é claro em escuro.

Eu não estou acreditando, me despedi com um beijo na sua cabeça e agradeci, e quando fui saindo ela me chamou:

-Ei, menina do sol – isso pegou mesmo – não fica preocupada com a menina que vai nascer, ela vai ficar bem.

E então ela começou a brincar com suas bonecas me deixando olhando para as suas costas... Como ela sabia da Lily?


Ao me despedir de Andrew, ele me segurou pelo braço e trouxe para bem perto dele, encostou seu boca perto de minha orelha e sussurrou:

-O dia hoje foi maravilhoso. Até amanhã menina que faz do meu dia, um dia de sol.

Estou em casa, deitada na banheira, meu corpo está submerso a uma água morna, apenas a minha cabeça está do lado de fora, não paro de pensar naquela menina, era como se ela conseguisse ver no meu coraç... AI MEU DEUS! AI. MEU. DEUS. AIMEUDEUS! AIIIII. Sento na banheira, estou respirando rápido de mais, ta tudo girando... As coisas começam a se encaixar... A menina... Gina tem o dom de Thelma, a irmã de Romeu... e o sobrenome de Andrew... Andrew Cloney!! O meu é Rondon, Lucy Rondon. Aiiiiii. Não pode. Eu estava começando a achar que a Lily é quem era a descendente... Mas... Será que sou eu? Será que eu sou a descendente de Hérmia?? Não, não... Ta tudo estranho. Isso significaria eu ficar com o Andrew... Ahhh, nós não temos nada haver... Gina estava errada, Andrew tem cabelo escuro como os de Daniel, e os olhos deles são claros, ela deve ter se confundido... Só pode. Claro... Se não? Ta tudo errado, era para os nossos pais ficarem juntos então... Mas... como eles acharam alguém antes, a magia passou para a próxima geração. Não pode ser. Eu me recuso a acreditar. Até eu ter uma prova concreta, não vou acreditar!

Capítulo 15 - 1º Dia

Depois daquele momento tenso, o sinal tocou, e antes mesmo de nos despedirmos direito, dei um leve “tchau” e sai dali rapidinho. Não posso negar que ele é lindo, mas já é convencido o suficiente para que eu diga isso a ele. Quando ele chegou bem perto pude sentir seu cheiro, um cheiro de homem... Não sei explicar como é, é como o que sinto em Daniel, ou no papai. Mas nele... Havia algo mais, um cheiro além do perfume, não sei dizer o que era. Só sei que era extremamente bom... Uffss... Nossa.

Ao sair da sala na hora da saída, ele já estava lá esperando por mim. Qual é a desse cara? Não tem mais nada o que fazer não? Ao sair Mina logo o vê e vai correndo em sua direção:

-Andrew. Veio aqui atrás de mim? Já sei, quer saber onde esta a Wanessa não é?

Andrew ri e fala:

-Da licença Mina. A pessoa que eu estou esperando já está bem aqui. E quanto a Wanessa – ele faz uma cara de nojo – não estou nem um pouco a fim de saber onde ela está.

Ele esquiva-se dela e vem em minha direção, ele está com uma das mãos na costas, ao chegar na minha frente me fala:

-Fecha os olhos.

-Mas por que?

-Vai fecha.

-Ta bem. – antes de fechar vejo que Mina está olhando atentamente tudo o que está acontecendo – pronto, fechei.

Depois do que me pareceu alguns segundos ele fala:

-Pode abrir.

Quando abro, tem uma florzinha, bem pequenininha das que tinham no jardim do colégio, na minha frente, então ele fala:

-Pra você. Eu sei que é pequena. Mas é em agradecimento ao seu sim.

Sorrio, pego a flor e agradeço. Eu sei que ela é pequena, mas foi tão fofo o gesto dele. Fomos caminhando à saída, e ao passar por Mina ela me lança o pior olhar que já me lançara em toda a sua vida. Aff... Deu medo, vai que aquela sapa nojenta lança uma macumba em mim... Deus me livre.
Quando saímos do colégio pergunto:

-Aonde estamos indo?

-Almoçar.

-Onde?

-Na minha casa.

Paro abruptamente. O fato de almoçar com a família dele, quando estava a algumas horas pensando coisas horríveis dele era constrangedor. Não posso. Morreria de vergonha. Ele olha para mim intrigado e pergunta:

-O que foi?

-É que, imaginar almoçar na sua casa, com a sua família toda lá. É meio esquisito. Acho que vou morrer de vergonha.

-Hahaha – ele ta rindo?? RINDO? Cara eu estou pensando na vergonha que eu vou ficar, e ele fica rindo – Me responde uma coisa?

-Diga

-Quando você foi conhecer os pais das suas amigas, você teve vergonha?

-Não. Por quê?

-Sabe o que é a vergonha? – faço que não com a cabeça – é quando você tem medo que alguém tenha uma má impressão de você. Então você fica com vergonha porque não sabe como agir diante daquela pessoa. Tem medo de fazer qualquer coisa errada. Porque tem medo de conhecer minha família?

-Ah – nossa, ele é inteligente – sei lá. Nunca é bom que alguém tenha uma má impressão de você.

Ele só ri e continua a andar, é, acho que vou almoçar lá mesmo, ligo para minha casa e aviso a mamãe que vou almoçar com um amigo. Em certo momento eu começo a me sentir a vontade com ele, como se eu pudesse falar sobre tudo:

-Sua mãe deve ter muito orgulho de você. Você parece ser um bom filho. Tem boas notas, é educado, cavalheiro, inteligente.

-Nossa. Obrigado pelos elogios. – droga. Não devia ter dito. Agora ele vai ficar se achando – minha mãe era muito orgulhosa de mim, ela vivia me dizendo isso.

-Porque você colocou no passado?

-Porque minha mãe faleceu ano passado. - POR FAVOR ALGUÉM ME ARRANJA UM BURACO PARA SOCAR A MINHA CABEÇA DENTRO.

-Nossa Andrew. Me desculpe, eu não tinha idéia.

-Tudo bem. Ninguém tem. Ninguém do colégio sabe.

-Nem os seus amigos?

-Não. Preferi não contar. Achei que talvez fossem ficar com pena de mim sabe. Me tratando diferente durante algum tempo. Não queria isso.

-Mas, e então... Quantos são na sua casa? – tenho que mudar logo de assunto. Um dia converso com ele sobre isso. Quem sabe quando formos amigos

-Somos quatro. Meu pai, William; meu irmão mais velho, Mike; e minha irmã mais nova, Gina. Ah claro sem esquecer de Benoit, meu Beagle.

-Ah, realmente agora estou lembrada. Eles estavam cheios de malas, e falaram comigo. – sorrio, e ele também – hãn... Seu irmão pratica algum esporte? – para ter aquele corpo, só sendo.

-Ele é professor de judô para crianças e eu faço judô.

-Ah, explicado seu tórax duro. – ele olhou para mim meio sem entender e vermelho, então logo explico – Sabe, no dia que você foi um bruto comigo... Que eu bati meu nariz no seu tórax.

-Ah... é mesmo. Havia esquecido. Fui tão rude com você que prefiro esquecer aquele dia. – ele faz uma carinha como quem pede desculpas, e do nada, ele me elogia – sabia que as suas sardinhas são lindas?

-Kkkkkkkk, porque falou nisso do nada?

-Você me elogia e eu te elogio. Ah, chegamos.

E realmente havíamos chegado, era o prédio da minha avó, eu nem tinha reparado, estávamos conversando como pessoas civilizadas agora.

O apartamento dele, obviamente, era igual ao de vovó, mas sabe que mudando os móveis fica parecendo outro lugar. A sala era clara, porém com um sofá escuro, tinha uma TV bem grande e preta, uma varanda imensa. Ao lado ficava a mesa, era preta e com vidro. Colocamos nossas bolsas em um armário que ficava ao lado da porta de entrada, depois o segui até a cozinha, lá estava o pai dele preparando o almoço, era um senhor bonito, tinha um porte atlético, mas possuía olheiras escuras, e já estava começando a ficar calvo. Andrew me apresentou a ele:

-Pai. Trouxe uma amiga para almoçar conosco hoje. – o Sr. William se virou para mim e abriu um sorriso. – Pai, esta é Lucy. – depois dirigiu-se a mim – E Lucy este é o meu pai, Sr. Cloney.

-Eu a conheço não?

-Ah sim. Foi a mim que o Sr. Cumprimentou ontem a tarde quando entrou no hall. É que a nova moradora do prédio, a do 3º andar, é a minha avó.

-Ah, claro. Não havia como esquecer de uma moçinha tão linda.

-Ah – que vergonha... devo estar super vermelha – Obrigada Sr. Cloney.

Andrew então pega na minha mão e me leva por um corredor, no meio do caminho somos interrompidos por Benoit pulando na nossa frente, ele era branco, e nas costas manchas marrons e pretas, é um cãozinho fofo, adorável, ele começa a pular na minha frente, olho para ele e pergunto:

-Meu amor... Sabia que você é o cachorrinho mais fofo que existe? - olho para Andrew – Uma vez eu tive um cachorro, mas ele morreu... O nome dele era Bob Marley.

-Você ainda tem que me contar essa história. – ele fala rindo.

Ele solta um meio latido e abana o rabo mais forte, olho para Andrew e ele apenas me fala:

-Não sei como, mas parece que ele entende o que falamos.

Benoit corre e entra numa porta que estava atrás de nós, depois olhamos para frente, havia uma portinha rosa, ele bate e fala:

-Gina? Tenho uma pessoa para você conhecer.

De repente a porta se abre com entusiasmo e uma menininha de cabelos pretos escorridos e um belo par de olhos verdes aparece sorrindo, Andrew solta minha mão, agacha-se, a beija na bochecha e cochicha algo em sua orelha. Depois levanta-se novamente e pega na minha mão, a menina me olha durante algum tempo e fala:

-É ela sim And. – Andrew sorri e confirma com a cabeça. Mas do que eles estavam falando afinal? A menina puxa a blusa da minha farda me fazendo ficar na sua altura – Qual o seu nome? O meu é Gina.

Sorrio, passo a mão em seu cabelo e falo:

-Eu sou a Lucy. Muito prazer. – ela sorri para mim e me da um beijinho na bochecha – Sabia que você é uma menina muito linda?

-É porque me pareço com o And. – kkkkkk, ah fala sério até a menina. Andrew também ri, mas continua nos olhando

-E então Gina. Me contaria um segredo?

-Sim – olho para o Andrew e ele parecia não entender.

-Gina, me conta... O que foi que seu irmão disse no seu ouvido – Andrew parece surpreso com a minha pergunta, mas minha curiosidade é maior que meu bom senso.

-É que... – ela me puxa ao ponto que somente eu vá ouvir o que ela vai dizer – tem uma menina que mora no coração do And. E ela brilha como o sol. – hã? Que papo é esse? – e ele queria saber se era você. – ela pegou numa mecha do meu cabelo e falou sorrindo – e é. Viu, brilha como o sol. Por fora – então ela coloca a mão no meu tórax – e por dentro. – Ele pagou a menina para ela falar essas coisas não foi?

Do nada ela pega o meu rosto e puxa para perto do dela, então ficamos olhando uma nos olhos da outra. Pelo canto do olho reparo que Andrew soltara a minha mão e agora estava abaixado ao meu lado assistindo aquela cena estranha. Ficamos por algum tempo ali, os olhos dela pareciam procurar por algo nos meus, como se fossem janelas abertas, só consigo lembrar do ditado: os olhos são as janelas da alma. Do nada ela sorri, me solta e fala:

-É engraçado.

Eu e Andrew perguntamos ao mesmo tempo:

-O que é engraçado?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Capítulo 14 - Sim.

Estou no intervalo, daqui a pouco toca para entrarmos em sala. Sabe que eu até que prestei atenção na aula hoje. Estou tentando esquecer das coisas ruins... Kat e a gravidez de risco... Andrew... Grrrr, Andrew com aquele jeitinho de quem quer realmente me ajudar, conversei com Funnie sobre o que aconteceu, e ela me falou que eu não devo acreditar nele, que ele é um mentiroso, que na verdade esse teatrinho é só para dar uns pegas e depois um pé na bunda. Ela está certa, não sei como não enxerguei isso antes. Conversei também com Georgie, ela me falou que em relação à homens eu não devo ir falar com a Funnie, afinal ela renegou os homens devido à uma grande decepção que teve. Georgie me falou que vai ver que ele estava falando a verdade, que o que Mina falou a ela, que ele é esquisito às vezes porque parece ser alguém que não é, pode ser verdade. Pode ser que ele realmente seja um cara legal e tenha gostado de mim. Essa idéia não entra na minha cabeça. Ele foi um rude comigo no dia que bati meu nariz nele, mas pediu desculpas. Mas caramba, ele convive com Wanessa, e aquela história que ele me falou, dela viver no pé deles mas ele não gostar, também não acredito. Os popularzinhos sempre foram uns arrogantes e metidos, e sinceramente ótimos atores também. E vocês não vão acreditar. Quando eu disse isso à Georgie ela me disse:

-Lucy. Você precisa achar algo mais útil o que fazer a não ser ficar vendo esses filmes que mostram o quão podres os popularzinhos são. Nem todos os filmes retratam a realidade. E nem sempre as pessoas são o que parecem ser.

Claro que isso mexeu comigo. Mas eu retruquei, falei:

-Mas Georgie, ele anda com o Djim, e Djim é totalmente desse jeito. Ta, realmente é um pouquinho mais legal do que eu imaginava, mas é pegador e arrogante.

A resposta dela foi o que mais me surpreendeu:

-Sério Lucy, me surpreende você falar essas coisas. Você que já passou por poucas e boas, e que já foi julgada de mais pelo que parecia ser e que na verdade não era. Você, Lucy, julgando. Cadê a minha amiga justa? – ela realmente estava certa – Ah, e tem mais. Nós andamos com a Funnie e ela é lésbica. Isso faz de nós lésbicas também?

Ao terminar ela saiu. Fiquei parada pensando no que ela me disse. Ela estava com a razão, eu estava sendo injusta, estava fazendo algo que abomino, não devo julgá-lo pelo o que ele parece ser, e sim pelo o que ele fizer para me provar o contrário. É por isso que a resposta àquela proposta ridícula vai ser sim. Passarei uma semana com ele para descobrir se ele realmente é um cara legal como ele diz ser.
Pareceu até que foi telepatia, porque quando eu finalmente chego a esta conclusão, aquele par de olhos verdes aparecem, ele estava sorrindo, estava com um sorriso maroto, e começa a andar na minha direção. Eu estava sentada em uma das mesas da cantina, afinal Georgie me largara aqui pensando, ele senta-se na cadeira em frente a minha e começa:

-E então Lucy?

-Sim. Eu aceito a sua proposta.

-Hãn? – ah fala sério, não venha me dizer que esqueceu – Ah sim claro. Na verdade eu estava esperando que me contasse porque estava chorando. Fiquei preocupado com você. Mas ainda bem que lembrou da proposta. E como passaremos uma semana juntos, você terá tempo o suficiente para me contar o porquê do choro, tempo o suficiente para detalhes.

-Ta, ta... Mas quando começamos?

-Hoje mesmo, e só terminará na próxima segunda.

-Aiaiaiai... Ta bom vai. Já topei mesmo. Não sou de faltar com a minha palavra.

-Ah, que bom que falou nisso, tem uma regra.

-Xii, já comecei a não gostar. O que é?

-Se durante a semana, você quiser desistir porque está se apaixonando. Não pode...

-Hahahahahahahahahahaha – sério, esse cara é super engraçado – mas você nem se acha não é? Sendo assim – então vou com o meu corpo mais para frente e fico bem próxima dele, então continuo – você também não vai poder parar se começar a se apaixonar por mim.

Será que não foi meio provocante isso não? Mas o que é que tem. Se já aceitei essa loucura mesmo, uma a mais não fará diferença. Mas ele se aproxima também de mim, ao ponto que estamos quase encostando um no outro, de perto assim consigo ver os belos olhos verdes dele, tão lindos, são um verde claro, como se não escondessem nada mas ao mesmo tempo não quisessem revelar nada, ele responde:

-Ai é que ta, Lucy. Eu já estou me apaixonando, e pelo contrário, não quero parar, quero mais é continuar. Porque quanto mais envolvido eu estiver com você melhor será. Porque quanto mais tempo eu passo com você, mais certeza eu tenho de que você é perfeita.

-Ah, fala sério Andrew.

Eu posso até ter falado isso, mas com certeza eu devo estar vermelha, nossa o que ele falou foi lindo... Aiaiai, mal começa a semana e já vou me apaixonar é? AIAIAI, o que é que eu to pensando. Claro que isso não vai acontecer, eu posso até me tornar amiga dele. Mas isso já é demais. Continuamos nos olhando de bem perto, um olhando no olho do outro. Dava para fazer um sorvete legal, o meu olho é chocolate e o dele é menta. Hahahahaha, é eu acho que quero tomar um sorvete.
De repente nosso devaneio é interrompido por nada mais, nada menos que...:

-Oii And, conversando com a Lucy? – Wanessa você realmente é um saco.

-Han, não que é isso. Não esta vendo? Estamos jogando cartas. – Hahahaha, e eu pensei que EU fosse grossa.

-Hehe, And seu senso de humor é fantástico.

Wanessa olha para mim dos pés a cabeça, pra mim chega eu olho para ela e falo:

-Que foi? Quer saber a cor da calcinha também? E quem sabe do sutiã?

-Hãn??

-Ô sua sonsa, me olhou dos pés a cabeça, me avaliando, achei que quisesse saber a cor da calcinha também.

-Nossa Lucy. Como você esta grossa hoje. – ela coloca a mão no peito, dando uma de vítima – Não fiz nada do que você está me acusando.

Porém, Andrew levanta-se antes que eu pudesse respondê-la ele fala:

-Vamos. Não desça ao nível dela.

Wanessa com um sorriso de um lado ao outro dirigiu-se a ele e falou:

-Nossa And. É melhor irmos mesmo.

Andrew olha para ela, dessa vez ele a olha dos pés a cabeça, ri debochadamente e da A resposta do ano:

-Sai daí garota. Tou falando com Lucy. Ela que não deve descer ao seu nível. Vamos Lucy.

Estou passada, hahaha, foi ótimo, ela tava precisando mesmo. Ele estende a mão dele para eu pegar, pego e saiu rindo silenciosamente, quando ele se vira e termina com chave de ouro:

-Ah – ela olha para nós, estava com os olhos cheios d’água, de raiva – e não me chame de And, apenas a Gina me chama assim.

E depois disso saímos em direção à arquibancada do campo de futebol. Quando me dou conta estamos rindo juntos, andando de mão dadas e indo em direção ao local onde casais vão para ficar, paro quando chegamos ao pé da escada da arquibancada, que era um corredor estreito e deserto. Andrew fala:

-O que foi?

-Nós estamos de mão dadas – solto imediatamente a mão dele – e estamos indo para um local onde apenas casais vão.

-Ah é, realmente. Desculpe-me se insinuei algo, foi sem pensar.

Que fofooo, ele é um cavalheiro, pediu desculpas. Resolvo quebrar o silêncio incômodo com minha curiosidade:

-Quem é Gina?

-Ah, Gina é a minha irmã. Aquela que estava com o cachorro ontem.

-Ah... Ela é muito linda. Sua cara. – falei alguma besteira não foi?

-Ah... – ele se aproxima mais de mim – então quer dizer que você me acha lindo? – ele está tão próximo que já posso sentir sua respiração.

-Han... – minhas pernas estão começando a amolecer – não quis dizer isso. Só que ela lembra você. Mas é linda, o seu inverso. Entende, eu contra-disse. – Será que colou?

Ele sorri, e direciona a sua boca à minha orelha, enquanto percorre o caminho roçamos nossos rostos um no outro, e quando ele chega na minha orelha fala:

-Tah O.K. Eu finjo que acredito.

Fecho os olhos pensando na delícia que aquilo foi. Não sabia que senti-lo tão perto, fosse tão bom.

Capítulo 13 - A Profecia

-Lucy...

-Oi mãe.

-Enquanto conversávamos com a sua avó o que ficou fazendo lá em baixo?

-Bem, caminhei pelo jardim. Ah, descobri que um garoto lá da escola mora lá.

-Huum... É apenas um amigo é?

-Mãe. Nem amigo ele é.

Minha mãe realmente não tem noção de nada não é? Fala sério nem viu ele e ainda fica insinuando coisas absurdas e sem cabimento. Ele até que foi gentil comigo, pareceu preocupado... Mas acho que aquilo era mais um teatrinho que verdade. Afinal ele está parecendo querer algo comigo, quando um cara quer alguma coisa parece que vira um ator da noite para o dia. Homens, são todos iguais, só mudam de cara mesmo.
Parando para pensar no que ele me falou, até que em alguma coisa concordamos. Foi coincidência de mais ele morar exatamente no prédio para o qual minha avó se mudou. Realmente parece ser coisa do destino, mas o destino só junta as pessoas que devem, merecem e foram feitas par ficarem juntas... E pelo amor de Deus, eu e Andrew não temos absolutamente nada haver um com o outro. Estou em casa e não há nada pra fazer, acho que vou ver um pouco de TV. Sento-me ao lado de meu pai e juntos entramos em acordo por um canal que estava passando uma pesquisa sobre as árvores genealógicas dos famosos e antigos:

-Olá. Boa noite! Sou o repórter Chavier Blaston e vou acompanhar a descoberta que os pesquisadores ingleses, Jacob e Sammuel fizeram. – nossa, são daqui. O repórter se dirige aos pesquisadores – É verdade que descobriram algo sobre o famoso casal Romeu Montecchio e Julieta Capuleto?

-Boa Noite! Eu sou o Sammuel. Bem como já deve saber há boatos que dizem que o casal Romeu e Julieta existiu. Bem, devido as nossas pesquisas descobrimos que Shakespeare conheceu o casal, e que eles eram do século XVII, e não do século XVI como conta a história. Na verdade Shakespeare relatou a história de amor trágica dos dois. Mas a grande curiosidade, é que há ainda descendentes deles nos dias atuais.

O outro pesquisador agora fala:

-Boa noite! Eu sou Jacob. Bem... Pesquisamos muito e terminamos descobrindo que Julieta Capuleto possuía uma irmã bastarda, que o Sr. Capuleto nunca havia mencionado. O nome dessa menina era Hérmia. E algo mais extraordinário ainda. Ao saber que Shakespeare iria escrever sobre a história de amor de Romeu e Julieta, Mercúcio teria falado com Shakespeare e teria pedido para que em sua história ele não fosse reconhecido como o irmão de Romeu, como o era.

O repórter parecendo surpreso pergunta:

-Então quer dizer que o personagem, Mercúcio, que na história era parente do príncipe Escalo, e que morre no final na verdade era irmão de Romeu?

-Sim. Shakespeare criou personagens e também modificou várias coisas a pedido de Mercúcio.

-Mas porque ele havia pedido algo assim? – pergunta o repórter.

-Para preservar o amor dele por Hérmia. Mercúcio era apaixonado por Hérmia e ela por ele. Então devido a rivalidade de suas famílias, o que causou indiretamente a morte de seus irmãos, Mercúcio pediu para Shakespeare omitir o fato, para que eles pudessem levar uma vida sossegada. Porém há algo ainda mais inacreditável. Romeu possuía uma irmã, seu nome era Thelma. Ela era freira, e foi devido a visitas que fazia a ela que ele conheceu Rosalina, prima de Julieta que ele fora apaixonado a princípio. Sua irmã não é mencionada na história de Shakespeare porque ela era vista como uma bruxa.

-Mas porque isto? – o repórter parecia interessado de mais.

-Thelma possuía o que denomino de “dom”. Era como se ela conseguisse enxergar através dos olhos das pessoas podendo assim ver dentro de seus corações. Daí surgiu o ditado: Os olhos são as janelas da alma. Esse dom é algo passado pelo sangue, porém apenas uma mulher em cada século possui esse dom, e apenas mulheres o possuem. Como Thelma não teve filhos, acreditamos que estava no sangue de Mercúcio.

Sammuel toma a vez novamente:

-O pai de Julieta, o Sr. Capuleto havia recebido recebido uma profecia que diria que sua filha amaria um Montecchio. Porém devido a rivalidade das famílias, ele tratou de nunca, jamais permitir algo assim. Depois que sua filha morreu, ele fez as “pazes” com os Montecchio, porém foi da boca para fora, e com medo de que sua outra filha, Hérmia levasse o mesmo caminho foi procura-la. Quando ele a proibiu de ter contato com qualquer Montecchio, ela fugiu com Mercúcio. Porpem eles de desencontraram. E em Mântua não conseguiram ficar juntos. Então cada qual preosseguiu com sua vida, formando assim cada um uma árvore genealógica extensa. Mas, há algo por trás da história deles. Algo forte. Existia uma magia antiga, a mesma que fizera a profecia, eles tinham que ficar juntos. E a magia passou para os mais próximos de Romeu e Julieta, seus irmãos. Então a magia vem passando para os descendentes deles. Não que todos a possuam. Mas apenas um descendente de cada geração esta com ela.

-Então, esta querendo dizer que os descendentes estão até hoje conosco?

-Claro. De acordo com o espiritismo um espírito reencarna quando não terminou de cumprir sua missão na terra. Os espíritos de Mercúcio e Hérmia estão tentando se encontrar há 500 anos, que no caso seria desde o século XVII. Diz-se que eles tem que ficar juntos. Que algo como uma grande onde de coisas boas acontecerá no dia que esses espíritos se encontrarem. Afinal trata-se de magia antiga.

-Ah – interrompe Jacob, como se lembrasse de algo – no século XIX os descendentes de Hérmia foram para a Bulgária, então apenas no século XX eles retornaram para a Inglaterra, então por isso presumimos que eles possuam um sobrenome ainda búlgaro.

Papai olha para mim, sorri e fala:

-Isso é muita piada mesmo não é? Já vou indo minha filha. Vou dormir.

Ao sair me dá um beijo, mas estou tão concentrada na matéria que nem ao menos noto, então Jacob continua:

-Suspeitamos que o sobrenome do descendente de Mercúcio, e sim achamos que seja um homem, seja Cloney, e da descendente de Hérmia, sim achamos que é uma mulher, seja Rondon.

O repórter agora estava com uma interrogação na testa:

-Então quer dizer que se uma pessoa tem Cloney como sobrenome é o descendente e se tem Rondon é a descendente?

-Na verdade não é tão simples assim. – Sammuel fala – nas pesquisas que fizemos descobrimos que cada pessoa possui uma essência. É quase como um cheiro, um aroma só dela. A descendente direta possui cheiro de cereja. Nos livros vem dizendo que na casa de Hérmia havia uma cerejeira, e que, desde pequena ela adorava passar as tardes sentada ao pé da árvore, devido a isso se diz que ela adquiriu o aroma. Já o caso de Mercúcio foi que, ao nascer ele teria recebido um banho de sua tia, porém na água havia caído um ramo da baunilheira e devido a isto ele adquirira o aroma para si. Acreditamos também que quem quer que sejam os descendentes, devem saber que são. Descobrimos que Hérmia deixou a sua história escrita para seus filhos com sua assinatura. Esperamos que seus filhos tenham passado este documento de geração para geração.

-Ah. Há ainda mais uma dúvida de minha parte... – o repórter manda – Pode existir alguém nos dias atuais que possua o mesmo dom que Thelma? Afinal, como freira ela não deve ter tido filhos.

-Realmente, e ela não os teve. Como já havia dito, o dom passou para a primeira mulher nascida no próximo século, claro descendente de Mercúcio. O dom estava com ele, mas não se manifestava nele.

-E durante esses 500 anos os descendentes nunca se encontraram? – boa pergunta repórter.

-Não. Isso é o mais curioso. É como se sempre algo acontecesse e não os deixassem ficar juntos. Como alguma coisa ruim. Uma força que não quer deixar esses apaixonados finalmente encontrarem a paz.

-Nosso tempo já esta acabando e como todos que devem estar nos assistindo, eu gostaria de saber – o repórter parecia maravilhado com aquilo tudo – Quando este casal Montecchio e Capuleto do século XXI estiver junto. Como saberemos?

-Há uma magia que os envolve. Haverá, o que chamo de uma onda de entendimentos. E coisas estranhas acontecerão. Como por exemplo... Nevará em locais tropicais... Haverá chuvas onde há secas... Parará de chover onde tem água de mais. Eu sinceramente acredito que isto se resume a uma onda de coisas boas. Uma onda que mudará algumas pessoas e até melhorara a vida de outras. Esta magia está meio que esquecida, mas seu poder ainda é forte. Então não sabemos quem é o “casal da vez”, quem sabe não são um casal de velhinhos... Ou duas crianças que ainda se conhecerão, ou dois adolescentes que ainda não sabem de nada da vida. Nunca se sabe. A profecia diz que se esse casal não ficar junto coisas horríveis podem acontecer. Há um livro muito antigo, e que conta exatamente a história dele, no livro estava dizendo que poderiam haver terremotos, furacões, grandes ondas (as quase hoje denominamos de tsunamis), até mesmo o aquecimento global pode se intensificar. Quando este casal ficar junto saberemos de imediato porque acontecerão coisas as quais denomino de milagres.

O repórter termina a matéria. Eu estou passada. Tipo, eu sou extremamente católica. Mas será que pode ser verdade? Será que os espíritos estão voltando querendo ficar juntos? Será que há alguém na minha família que seja a descendente? Será que eu sou a descendente?? Logo essa idéia some da minha mente, eu nunca seria uma coisa dessas. Seria querer de mais. Seria sonhar com algo inacreditável. Com algo que na verdade só acontece com pessoas incríveis. Não, isso não é pra mim. E Julieta era ruiva, com certeza Hérmia também o era... e eu sou loira, bem loira. Não, isto está fora de questão. Resolvo fazer uma breve pesquisa na internet, atrás de informações sobre o casal Romeu e Julieta. Depois de muito pesquisar, não achei nada a mais que os livros não contem, e sobre Hérmia parece que ela nunca existiu. É, a pesquisa deles foi realmente bem aprofundada. Ah, descobri apenas uma coisa legal sobre Romeu e Julieta. Eles conheceram-se e se apaixonaram em um baile de máscaras. Que romântico, haverá um lá no colégio... Quem sabe eu não encontro o meu Romeu? Hahaha

Quando vou dormir ainda não parei de pensar em Hérmia e Mercúcio. Devia ser algum tipo de mentira mesmo, afinal o canal em que passara estava ameaçando acabar porque a audiência era baixíssima. Mas é uma história de amor tão linda. Uma história que já dura há 500 anos... Espero que esse casal se encontre, e que quando isto aconteça nada dê errado dessa vez.


Ahh, aconteceu algo incrível. Na sexta-feira à tarde fui com meu pai à Madeimoselle Chick, meu pai foi quem fez a propagando daquela loja e com isso ganhamos mais abatimento, no final o vestido saiu por £550,00, inacreditável. Provei o vestido lá e ficou fantástico, só falta achar um par de sapatos rosado e uma máscara branca.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Capítulo 12 - Crianças sabem das coisas

- Andrew, vem pra água, está uma delícia. Só falta você aqui.

- Não Beatrice. Brigada mas estou ótimo aqui.

Hoje é domingo, último dia que passo aqui. Daqui a pouco é a hora do almoço, se fosse em outro dia eu estaria adorando ficar por aqui, afinal todos os meus primos estão na água inclusive Gina com os meus primos crianças ainda... mas estou doido pra voltar para casa para ligar para a escola perguntando o telefone da aluna: Lucy Rondon. Preciso ligar para ela para saber se ela concordou ou não. Porque afinal a semana começa no domingo, pretendo começar hoje mesmo. Enquanto brinco com Benoit vejo o meu avô caminhando em minha direção, adoro conversar com meu avô, ele parece ser carrancudo com um bigode branco e grosso, mas quando abre um sorriso largo e abre os braços a expressão de carrancudo some, ele chega e senta-se à mesa, levanto-me e coloco Benoit no meu colo que fica olhando para meu avô atentamente, parecia até que também queria conversar. Limpo as mãos de areia e me endireito, é quando ele começa:

- Um lindo dia hoje não?

- Realmente, perfeito para curtir com os netos e a família. Pensei que fosse para o mar vovô.

- Eu até ia, mas acho que seria melhor ficar conversando com meu neto. – sorrio, mas sei que ele quer apenas jogar conversa fora.

- Vô. Como o senhor conheceu a vovó?

- Nós só ficamos juntos na universidade, mas nos conhecemos no colégio. Estava no colégio na hora do intervalo quando vi, linda, com os cabelos negros esvoaçando, eram imensos, batiam no quadril, ela estava rindo com as amigas, quando passou na minha frente eu a parei e disse que adoraria sair com ela porque ela era a menina com as curvas mais belas que já vi. Hahaha – kkkkkkk, meu avô é muito sem noção – isso hoje ainda é um insulto imagine naquela época? Depois desse dia ela não suportava nem que eu respirasse... Acho que ela imaginou 1001 maneiras de me matar durante todo aquele tempo – parece até alguém que eu conheço... e olhe que eu nem usei essa abordagem – até que um certo dia, eu resolvi pedir desculpas, sinceras desculpas e saí de lá com ar de fracassado sabe... EU sabia que ela jamais ia me dar uma chance, porém ela olhou para mim e me abraçou, disse que era um ato de coragem imenso pedir desculpas, e desde então foi só questão de tempo, não namoramos logo porque ela já tinha namorado e gostava dele, porém com o tempo eu a fui conquistando e somente na universidade, que coincidentemente fizemos a mesma universidade, foi que ela finalmente cedeu e eu a beijei.

- Espera aí vô. O senhora está me dizendo que só a beijou na universidade?

- Hahaha, para você é estranho, mas na minha época as coisas eram diferentes, não existia essa estória de ficar não.

- Ah é mesmo. Não sei como vocês conseguiam agüentar. Mas desculpa a invasão de privacidade vô. Mas quando foi que vocês... tiveram a primeira noite de vocês?

- Hahah, na lua de mel Andrew. Só depois de casar – eu queria que ele dissesse uma coisa dessas pra Beatrice.

- Hahaha. Acho que nasci na época certa mesmo.

Olhei para o relógio, e já estava na hora do almoço, despeço-me do meu avô e agradeço a conversa, pego Benoit e sigo até o quarto, vou arrumar as minhas coisas e as dele, para depois do almoço finalmente irmos embora.
Coloquei a minha mala e a de Benoit na cama, decido que vou para casa apenas de bermuda porque estava um calor infernal. Ao sair do quarto com Benoit nos meus calcanhares dou de cara com Gina deitada no chão com um pedaço de papel e um giz de cera, estava desenhando algo que parecia um barco, agachei-me e falei com ela:

-Está desenhando os barcos do vovô Gina?

-É, o vovô disse que quando voltarmos ele vai andar de lancha comigo, e vai até lá beeeem longe. Disse que quer me levar lá no horizonte.

-É mesmo? Eu quero ir com vocês está bem?

Gina levanta-se e fica em pé, mais ou menos da minha altura agachado, ela segura o meu rosto e fixa seus olhos nos meus, passamos um bom tempo assim, verde no verde. Depois de algum tempo ela sorri e me da um beijo no nariz, estou intrigado:

-O que foi Gina? Dizem que quando se olha lá dentro dos olhos se vê o coração da pessoa.

-Eu vi And. Eu vi seu coração. – como assim? Ela tem apenas 5 anos.

-Como assim Gina? Viu meu coração como?

-No seu olho And. Lá dentro – ela gesticula com seus dedinhos gordinhos. Resolvo entrar na brincadeira.

-É mesmo? Bem la dentro?

-Foi.

-E você viu alguma coisa legal?

-Vi sim.

-Você viu o quê?

-Vi que tem uma menina morando no coração do And.

-Como assim Gina? Uma menina? Como ela é?

-Tem uma menina morando no coração do And. Papai me disse que a mamãe mora no coração dele, e que ele a ama. Então o And ama a menina?

Agora não estou entendo nada, como ela sabe dessas coisas? Pergunto novamente:

-Como é a menina Gina? Como é a menina que mora no coração do And?

-Ela é que nem o sol.

-Que nem o sol?

-É, brilha como o sol.

Terminada a frase ela sai correndo pelo corredor e desce a escada levando consigo minha dúvida. Como assim: “brilha como o sol.” Será que ela estaria falando de Lucy?
Passo todo o almoço com essa dúvida na cabeça, seria de Lucy? Só poderia ser. E mesmo se fosse como Gina conseguiu ver? É só um ditado popular essa besteira de “Os olhos sã a janela da alma” qual é?... Está fora de questão que Gina consiga olhar dentro das pessoas, além disso ser uma coisa impossível, ela tem apenas 5 anos.
3 horas em um carro e finalmente estou em casa, desço do carro com minha mochila, a de Benoit e a de Gina, enquanto ela segura o guia da coleira de Benoit. Vou andando em direção ao hall, que mais parece uma sala de estar, quando entro encontro sentada uma cabeleira loira, era Lucy. Mas o que ela fazia sentada no hall do meu prédio?

-Lucy? O que faz aqui?

Ela levanta a cabeça e me olha assustada, como se eu fosse alguma espécie de monstro, havia esquecido de seus olhos, como eram lindos, nesse tom de chocolate que eles possuem, mas particularmente hoje eles estavam inchados e vermelhos, ela levanta-se e pergunta:

-O que eu faço aqui? O que você faz aqui?

Ela me olhou de cima a baixo e ficou vermelha. É quando noto que estou apenas com uma bermuda e cheio de bolsas. Meu pai, Mike e Gina entram no hall, cumprimentam Lucy com um boa tarde, Gina para com Benoit olha fixamente para Lucy depois sorri, olha para mim e fala bem baixinho:

-Brilha como o sol. – Sabia. É a Lucy.

E entra no elevador com papai e Mike. Antes de subirem papai me pergunta se vou subir, mas respondo:

-Sim, daqui a pouco. Leve essas bolsas aqui.

Entreguei as malas que estavam comigo e enquanto eles subiam em direção ao 10ª andar me virei para Lucy:

-Bem... Eu moro aqui. E então... O que faz aqui?

-Hã? Mas como assim mora aqui?

-Morando oras. Respondi a sua pergunta. Sua vez de responder.

-Bem... – ela funga... espera... ela estava chorando. – eu vim visitar a minha avó. Ela mora aqui. Na verdade ela se mudou há pouco tempo, e hoje é a primeira vez que venho. Meus pais ficaram lá em cima conversando, mas eu resolvi descer, afinal conversa de velhos. Sabe o básico, como anda o emprego, a vida, os filhos, não preciso ficar lá... Mas nunca pensei te encontrar aqui.

-Ahaa.. Viu isso é o destino.

-Ah corta essa.

-Sério, eu ia ligar para o colégio pedindo o seu telefone, afina hoje é domingo, começo de uma nova semana, precisava saber se aceitou a minha proposta.

-Não acredito que ainda lembrou disso.

-Claro, isso não saiu da minha cabeça nesse fim de semana. Mas ta O.K. eu espero a resposta até amanhã. Mas agora me diz, porque você tava chorando?

-Hã... Mas como assim chorando?

-Você fungou, está com os olhos vermelhos e inchados e o rosto parece que estava molhado.

-Fala sério. Vai adivinhar a cor do meu sutiã também?

-Hãn... – faço cara de dúvida e começo a olhar para os seios dela.

-Pára, seu ridículo. – ela esta rindo. Consegui.

-Esta bem, essa esta difícil, mas um dia descubro. Continuando... Porque estava chorando?

-Coisa minha Andrew. Não perca seu tempo com meus problemas.

-Não estou perdendo tempo algum.

-Não dá não Andrew. Te prometo que conversamos amanhã está bem. E te darei a reposta dessa sua proposta ridícula amanhã também.

Me aproximo dela, estou preocupado, ela arriscava começar a chorar de novo, chego mais perto e a abraço, era um abraço solidário, ela começa a chorar de novo, mas logo se afasta e enxuga as lágrimas, me pede desculpas, despede-se e vai para o jardim. Resolvo que já era a hora de subir.