De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Capítulo 51 - A vida...

N/A: Adianta pedir desculpas pela demora? Se adiantar me perdoooem! Eu estou no terceiro ano do colégio, acho que agora podem compreender um pouco a demora neah? Pois bem, deixem-se explicar: o blogspot agora não está aceitando colagens, eu copiava o texto do meu computador e quando apertava para colar aqui ele não colava nada, então eu tinha que reescrever ele todo e sinceramente eu desistia no meio! Estou de férias até o dia 13 e portanto aproveitei hoje para criar uma imagem com o último capítulo para vocês. É só clicar na imagem que ela será ampliada. Ah, este livro já está registrado no meu nome!!!! Agora sou oficialmente a dona do De Cereja.
Gostaria de agradecer à todos pela atenção e principalmente pelo carinho. Obrigada por terem vivido comigo essa jornada de Lucy! Ahh, tenho novidades. Está acontecendo a BIenal do Livro em Recife e eu levarei o De Cereja comigo para ver se consigo algo por lá. Torçam por mim! QUem sabe vocês não poderão ver o De Cereja sendo vendido nas livarias? Até a próxima e quem ainda não leu, divirta-se!

Thaís Lima.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Capítulo 50 - A viagem da família Cloney

A sexta-feira amanheceu com um sol radiante. Nossa, nem acredito que vou conhecer a família do Andrew. Agora, minha família também não é? – rio ao pensar nisso, levanto-me e vou me arrumar, as malas já estão prontas. As arrumei dois dias antes. Estou ansiosa. Andrew falou para eu levar biquíni, mas não sei se vou usar. Morro de vergonha, nada contra o meu corpo, mas parece que eu estou usando uma calcinha e um sutiã mais coladinhos. Vou para a cozinha e tomo meu café com a família. Fui assistir um pouco de TV enquanto mamãe me passava instruções de criança:

- Lucy, não fique pedindo tudo o que ver. Não recuse o que lhe oferecerem de bom grado. – ela parecia pescar as coisas no ar – lembre-se de dobrar bem as roupas, e não fique fazendo aquela bagunça enorme de roupas em cima da sua mala, vão pensar que você é desleixada. Ah... – fez cara de quem lembrara algo muito importante – lembre-se de comer direito – nossa que coisa importante – não fique sem tomar café-da-manhã... leve absorventes extra. – claro não é mamãe? – E sempre escove os dentes de manhã, depois do almoço e à noite...

Mamãe foi interrompida pela buzina do carro de William, dou um beijo na cabeça da mamãe, pego minhas malas e me mando.
Ao chegar lá embaixo, Andrew e Mike já estavam me esperando, cumprimento Andrew com um leve beijo nos lábios enquanto Mike pega as minhas malas e as leva ao carro. Ao entrar sou recebida com o bom dia de William, o bom dia animado de Gina e um bom dia super animado de Benoit. Durante toda a viagem fomos conversando e rindo, depois de algumas horas, que na verdade passaram rápido, chegamos em frente a uma mansão, o carro parou, e do nada várias pessoas fardadas aproximaram-se e começaram a tirar nossas malas. O sol brilhava forte, saí do carro e respirei fundo, cheiro de mar, e aquele calor gostoso do sol na minha pele... vovó estava certa, tenho uma ligação com o sol. Olho em volta, há coqueiros, e areia branca, e o horizonte lá em baixo... o azul anil do céu e o azul marinho do mar... mas que bela mistura. Andrew pega na minha mão, Mike carrega Benoit e William pega Gina, todos vamos caminhando em direção à uma varanda ampla, haviam redes, cadeiras e mesas, uma senhora que parecia bem saudável apareceu ao lado de um senhor com um ar rigoroso e um bigode grande e branco. Eles abraçam Andrew com força e depois me olham, Andrew me apresentou a eles:

- Lucy, esses são os meus avós. Minha avó Violeta e meu avô Chavier. – ele se dirige aos avós – vovô, vovó, esta é a minha namorada, Lucy.
Cumprimento o Sr. Cloney. A Sra. Cloney me cumprimenta com dois beijos, um cada bochecha. Ela fala:

- Você tem um bom gosto Andrew. Ela é linda.

- Ah... obrigada Sra. Cloney.

- Que horror – ela olhou para mim com os olhos arregalados... droga, falei alguma besteira? – não me chame de senhora Lucy. Isso me faz sentir velha... e me chame pelo meu primeiro nome... ou então de vovó.

Ela sorri para mim – que alívio... pensei que houvesse feito algo realmente errado... então o Sr. Cloney também fala:

- É minha jovem. Pode me chamar de Chavier, ou se quiser de vovô.

-Ah, obrigada!

Todos entramos na casa, a sala é imensa, há vários sofás brancos, uma grande TV, uma mesa enorme, e há várias pessoas sentadas nela tomando um café da manhã que parece estar realmente uma delícia. Algumas meninas parecidas com Andrew vieram falar comigo, quase todas possuíam o típico cabelo preto e olhos verdes, eu presumo que sejam as primas, primos, tios e tias dele, nossa, é muita gente! Andrew me apresenta, um por um. Até que chega a hora de uma prima dele, eu até já sabia quem era:

- Beatrice – sabia – esta é a minha namorada Lucy – ela parece um pouco surpresa – e Lucy – ele me olha com um sorriso no rosto – esta é a minha prima Beatrice.

Ela me olha dos pés a cabeça, odeio quem faz isso:

- Quer saber a cor da calcinha também?

Andrew contém um riso, e interrompe antes da resposta da Beatrice:

- Vamos Lucy. Vou mostrar onde você vai dormir. Suas malas já devem estar lá.

Droga, adoraria saber o que aquela lambisgoia ia falar. Ele vai me guiando escada acima, depois de andar por alguns corredores ele para em frente a uma porta branca, havia escrito “visitas” na porta, ele abre. Tudo no quarto estava claro, o sol entrando pelos vidros das janelas, batendo na colcha amarela da cama, tudo no quarto tinha um tom amarelo e branco, havoa um ar aconchegante:

- Nossa Andrew. Tudo é tão lindo aqui. – entro no quarto, é tudo tão amplo – parece um sonho.

Ele se aproxima e me beija, um hálito de menta delicioso invade a minha boca. Ele me envolve com seus braços, me aperta cada vez mais, nossa... ele sabe mesmo como deixar uma garota sem fôlego. Ele pára de me beijar, e agora começa a dar leves mordiscadas no meu pescoço, então volta a me beijar, somos interrompidos por:

- Andrew... a família está te chamando para tomar o café da manhã... – Beatrice...

- Já estou indo.

Mas ela não vai embora, permanece na porta nos observando. Qual é a dela hein?

- Beatrice... – Andrew parece estar um pouco irritado – já pode ir... não preciso de babá.

Adorei. Depois que ela vai, não posso deixar de falar ao Andrew:

- Ela tem cara de cachorra.

Ele pareceu desconcertado com a pergunta mas mesmo assim me responde:

- Lucy... eu já fui afim da Beatrice.

Me distancio um pouco mais dele, quero mais informações, mas ele não fala mais nada, o pressiono:

- Quando foi isso?

- Quando eu tinha uns 13 anos.

- Mas vocês chegaram a se beijar? – será que minha voz saio um pouco apreensiva de mais?

- Lucy... – ele abre a boca, mas depois a fecha, coça a cabeça e então finaliza – vamos tomar café.

Me pega pela mão e me leva escada a baixo. Aí tem coisa. E eu vou descobrir. Depois de um café da manhã agradável Andrew me pediu para por o biquíni que nós íamos para o mar. Fui ao meu quarto e coloquei meu biquíni, ele é vermelho, mas não é aceso porque ia ficar chamativo de mais, e eu sou branca cor de papel então ia ficar incandescente de mais. Ponho uma saída de banho e desço, encontro com Andrew no terraço, ele estava apenas com uma bermuda, sem blusa expondo aquele tórax lindo dele, mas antes dele me ver vejo Beatrice aproximando-se, ela passa a mão dela pelos ombros dele... cachorra, entro de novo na casa e fico atrás de uma janela que dava para onde eles estavam, então ouço:

- Beatrice sai daqui. – que alívio.

- Andrew... não posso acreditar que está namorando com aquela branquela. – EU VOU ESPANCAR ESSA RIDÍCULA BRONZEADA

- Não fale assim da Lucy! – HÁ HÁ HÁ!

- Andrew... - me estico, fico na ponta dos pés, e consigo vê-los, um pouco, mas consigo, ela está com os braços dela envolvendo o pescoço dele, ele está segurando os braços dela, tirando-os de cima dele – aposto como ela não faz como eu faço...

- Chega Beatrice. Esquece aquilo. Foi a última vez. Agora eu estou namorando com a Lucy. E eu a amo.

- A amava mês passado?

- Beatrice. Lucy é a mulher da minha vida. Acho que eu a amei antes mesmo de a conhecer, agora sai daqui... seu cheiro de cachorra está me incomodando.

- Andrew...

Mas antes que eu pudesse terminar meus pés não agüentaram mais, e como eu estava em cima de um tapete, o tapete escorrega, meus pés tremem e caio no chão... Aiii... Droga. Levanto-me rápido antes que alguém apareça, massageio minha bunda... doeu. Saio e vejo Andrew segurando os braços de Beatrice longe dele. Quando ele me vê a solta e vem para mim, me pega na mão e me leva para o mar, olho para Beatrice nos olhos, ela me olha meio assustada, posiciono os meus dedos em formato de dois, direciono para os meus olhos e depois para os dela (acho que ela entendeu o recado:MANTENHA DISTÂNCIA, PROPRIEDADE PRIVADA!) desvio o olhar dela e sigo Andrew até uma mesa onde estava o avô dele, coloca minha saída de banho lá e caminhamos até o mar, no meio do caminho ele para e me olha dos pés a cabeça, morde o lábio inferior e comenta:

- Lucy... como você é gostosa.

- Andrew!

- Que foi? Só estou falando a verdade ué.
Me aproximo da orelha dele e sussurro:

- Você também não está muito atrás, não.

Ele me olha:

- Ah... danaaada...

Sorrio e faço cara de inocente, então ele faz menção de me pegar e corro para o mar, ele corre atrás de mim, antes de entrar na água paro abruptamente. Aiaiaiaiai... tenho medo de água. Andrew então me alcança, me coloca no colo e vai me levando até a água, enquanto eu falava:

- Andrew, não sei se você lembra... mas eu não gosto muito de água.

- Juro como eu havia esquecido Lucy.

E então mergulha comigo. Senti aquela água gelada tocando o meu corpo. Andrew continuava a me carregar, sério mesmo, eu tenho medo de água... não da água em si... mas tipo... TEM MUITA ÁGUA AQUI! EU TOU NO MAR. Agarrei forte o pescoço dele:

- Lucy... assim você vai ter minar me sufocando – ele me colocou de frente para ele, me olhou nos olhos – sabia que você fica linda toda molhada?

Eu nunca havia visto ele com o cabelo todo molhado assim... ele conseguiu ficar mais sexy ainda. Nos beijamos, acho que meu medo foi embora com algumas ondas do mar... agora só ficou o desejo. A boca de Andrew parecia ter sido feita para a minha, as duas se encaixavam de uma forma... nossa! Uffs. Como certa vez ele havia me dito, somos como quebra-cabeça. Passo minhas pernas em torno da cintura dele, e ele me segura pelas costas. Estou literalmente trepada nele, sem segundos sentidos (ainda). A mão dele vai para a minha perna, perto da bunda, paro de beija-lo e falo em seu ouvido:

- Andrew...

- Lucy, você já transou?

Fiquei meio chocada com a pergunta, mas somos namorados, temos que jogar limpo:

- Não. E você já?

- Já.

Eu sei que ele vai fazer 19 anos. Mas sabe que foi meio chocante... sabe, imaginar ele dando todo esse carinho para outra garota que não eu... Solto ele e fico pensativa, querendo ou não fiquei chateada, ele preocupado me pergunta:

- O que foi amor?

- Nada... acho que apenas fiquei com ciúmes em imaginar você com outra garota.

Ele sorri e me abraça novamente... então fala:

- Mas eu não quero mais nenhuma, agora quero apenas você... – ele mordisca a minha orelha... uuuiiii – e eu queria você toda.

Olho para ele, seguro seu rosto com minhas mãos:

- Falando sério amor... eu também queria, mas não me sinto pronta, me desculp...

- Calma Lucy. Não precisa se desculpar. Para mim está bom quando estiver bom para você.

- É que eu tenho medo que você canse de esperar... e... faça com outra – falei sério mesmo.

- Amor... se tem uma coisa que eu sou, é fiel. Tudo bem que a carne é fraca – o olho feio - mas fraca apenas para você. – ele me beija – é – outro beijo – você – mais um – quem – mais outro... – eu – e outro – quero...

Infinitos beijos foram dados... depois a família foi entrando no mar trazendo uma bola, nos soltamos, afinal momentos assim não podemos fazer em público, e principalmente na frente da família... isso iria ser meio constrangedor de mais. Começamos então a jogar vôlei, Beatrice entra no jogo, mal havíamos começado e eu mandei uma bomba na cabeça dela, ela saiu. Depois começamos mais uma partida, ela tentou me matar, esquivei, então mandei uma bomba no ombro dela, ficou um vermelhão imenso, pedi desculpas, as mais falsas de minha vida. Ela mandou uma bomba em mim, bateu no meu antebraço, então quando eu já estava realmente de saco cheio daquela cara de cachorra dela mandei uma bomba, e essa foi em cheio no meio das fuças dela. Pedi mil desculpas enquanto todos ali riam, afinal estávamos brincando, pedi com licença e me retirei. Estava tudo indo muito bem até que a fome bate, o sol fica quente de mais, é chegada a hora deu partir. Vou para a mesa onde havia deixado a minha saída de banho, Chavier estava sentado lá, acho que estava nos observando de longe, ao chegar ponho minha saída de banho e pergunto se posso me sentar, ele responde:

- Claro minha norinha – sorrio – fique à vontade.

Sento-me então ele me pergunta:

- Está feliz com o Andrew?

- Muito Chavier. Acho que não é apenas um namoro de adolescentes não... quero ficar com o Andrew para o resto de meus dias.

- Isso foi realmente muito bonito de se dizer sabia? – faço que sim com a cabeça – ele conversou comigo hoje. Somos muito ligados sabe? – concordo novamente com a cabeça – ele me falou algo parecido... disse que você é a mulher da vida dele, que ele quer passar o resto da vida dele com você. Acho que vocês tem futuro mesmo. Vocês formam um belo casal e toda a família gostou de você.

- Nossa que bom saber disso Chavier. Adorei todos, mas para ser sincera acho que a Beatrice não gostou muito de mim, não.

- Não precisa se preocupar Lucy. Beatrice não gosta de ninguém. – rimos juntos – acho que ela ainda tem ciúmes do Andrew.

- Como assim?

- Eles já tiveram alguma coisa. Andrew nunca me falou muito não, mas eu não sou burro como Winston. – Winston é o pai de Beatrice.

- Tiveram alguma coisa? – dou uma de completamente ingênua.

- Acho que há alguns anos atrás...

- Quando Andrew tinha uns... 13 anos?

- Não... também... mas acho que pelos 16 anos dele. De qualquer forma ela que se acostume com você. Porque eu e o resto da família queremos lhe ver aqui mês que vem de novo.

- Nossa Chavier, muito obrigada!

Eu realmente fiquei lisonjeada com o convite e com a boa recepção deles a mim. Mas essa pulga atrás da minha orelha ainda não foi embora, Andrew não me falou a verdade...

-

Mais à tardezinha fomos caminhar na praia e eu resolvo interrogá-lo:

- Andrew, me fala a verdade. O que aconteceu entre você e Beatrice?

- Lucy... – ele parece hesitar, mas depois cede – eu gostei da Beatrice quando tinha uns 13 anos, e nós tivemos um rolo de primos. Mas nada muito relevante, afinal ela também pegou meu irmão e com certeza todos os meus primos, ou quem sabe a metade da população masculina do Reino Unido...

- Andrew, não enrola!

- Eu dei meu primeiro beijo com ela, e aos 14 anos eu perdi a virgindade com ela também. Nos encontramos algumas vezes durante uns dois anos, e mês passado eu... - Solto a mãe dele. ECA! Que nojo, mês passado? – Lucy, por favor não fique com raiva de mim! Foi um erro, um ato inpensado. Eu me arrependo seriamente pelo o que fiz.

- Do mesmo jeito que você não soube dizer não a ela mês passado isso pode acontecer hoje, ou amanhã, ou semana que vem...

- Lucy! Eu jamais te trairia! E eu não fiz amor com ela... Eu fiz simplesmente sexo. Era tudo carne. Não há razão para eu pensar em outra mulher, querer outra mulher, seja ela Beatrice ou não. Tudo o que eu mais quero e desejo está bem aqui, na minha frente... – ele me abraça, encosta sua testa na minha – a minha menina do sol.

Ahhh, qual é? Por que eu sempre amoleço hein? Droga!

- Eu amo você, Andrew!

- Eu também te amo, Lucy. Pra sempre!

- Não vamos mais comentar esse assunto, por favor!

- Ótimo!

- E outra coisa. Pelo amor de Deus, jamais fique no mesmo ambiente a sós com aquela cadelinha bronzeada. – ele ri. Eu não vi graça alguma.

- Tudo bem, meu amor.

E ficamos o resto da noite namorando à beira-mar.



Acabo de chegar em casa, hoje é domingo, essa viagem foi ótima; a única coisa realmente irritante foi a Beatrice no início... e Andrew até comentou que foi muito engraçado eu e ela, uma tentando atingir a outra com a bola, ele disse que ficamos parecendo duas crianças.
Ao chegar no meu prédio, Andrew me ajudou com as malas, subimos e não há ninguém em casa. Que estranho. Liguei para o celular dos meus pais, mas ninguém atendeu, para o de Daniel e Kat e nada. Apenas depois de uns dois filmes assistidos por mim e por Andrew é que escuto a chave na porta e meus pais entram. Quando eu já estava começando o meu sermão sobre a falta de interesse em saber se a própria filha iria chegar bem ou não, ou que pelo menos estivessem com um pingo de saudade da minha pessoa, fui interrompiada por mamãe:

- Sua afilhada nasceu!

VIREI TITIA!!

- Onde ela está?

- No hospital com Kat e Daniel.

- Mas eles estão bem?

- Estão sim Lucy, mas ainda é cedo para Lily sair do hospital, ela precisa fazer alguns exames, e Kat precisa recuperar-se da cesária.

- Ah... – Andrew levantou-se e parebenizou meus pais por terem virado avós, depois sentou-se ao meu lado novamente – você é titio, amor.

Ele me sorri, e continuamos a ver o filme.

-

Mais tarde fomos vê-las no hospital. Primeiro vimos Kat, ela estava dormindo, Daniel estava parecendo um paspalho olhando Lily através do vidro, nos aproximamos, ele me olhou e falou:

- Ela não é a coisa linda do mundo?

Seus olhos estavam marejados de pérolas cintilantes que oscilavam cair a qualquer momento. Então olhei para Lily, ela nasceu com cabelinhos morenos e era bem branquinha, é realmente a coisa mais linda do mundo.Quando Kat acordou quis pegar a filha, a olhou por longos minutos, e ali eu tive a certeza de que todo o preconceito tinha acabado. Sorri feliz, e abracei Andrew, que retribiu e me deu um beijo na cabeça.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Capítulo 49 - A magia

Hoje de manhã acordei leve. Vovó dormiu aqui em casa então fui conversar com ela, ela estava sentada na sala, sentei-me ao seu lado e comecei a falar sobre meu sonho:

- Vovó, hoje tive um sonho que me intrigou.

- Conte-me.

- Sonhei com várias mulheres, elas sorriam, estavam felizes por alguma razão. Todas eram diferentes, umas feias, outras belas, umas velhas outras jovens... E também vários homens... E alguns feios, outros belos, uns velhos outros jovens... Cada um achava o seu par e corria para um ponto que emitia uma luz rosa.. Não sei o que era... Mas todos os casais iam para essa ponto de luz, iam sorrindo, e parecia que eu assistia aquilo pela TV, e antes de todos entrarem na luz eles olhavam, como se pudessem me ver... Uns sorriam, outros piscavam, outros agradeciam... E depois iam para a luz. E teve um... Apenas um casal que ela me deu um beijo no lado esquerdo e ele do lado direito... Ela me agradeceu e ele também, então eles deram-se as mãos e foram para a luz, foram o último casal a ir... Mas a luz não cessou, permaneceu lá... Não é estranho?

- Para mim não tem nada de estranho, é até bem compreensível.

- Como assim vovó?

- Não entendeu nada mesmo, Lucy?

- Acho que não...

- O que elas tinham em comum?

- Em comum?

- É... o que as ligava?

- Não sei...

- Vamos... Faça uma forcinha. Tenho certeza que Andrew sonhou com a mesma coisa.

- Mas, por quê?

- Esse seqüestrou te deixou lenta nos pensamentos, não foi?

- Vovó... a senhora sabe não é? Conte...

- Não percebeu que eram os casais que nunca conseguiram ficar juntos? Que foram os casais que durante a história não ficaram juntos... os descendentes, Lucy.

- E porque nem a senhora, mamãe ou o pai do Andrew estavam lá?

- Lucy... Eu não estou morta.

- Ah... Mas porque eles estavam fazendo aquilo?

- Lucy, pelo amor de Deus... Cadê a sua lógica?

- Os casais encontraram a paz. Encontraram a luz Lucy. Você e Andrew concretizaram a profecia. Acabou! Não há mais busca... vocês encerraram o sofrimento desses espíritos. Vocês os colocaram na paz. Não sentiu? Há magia no ar...

- A senhora sentiu?

- Claro... ontem você notou algo diferente?

- Quando beijei o Andrew lá embaixo quando paramos vimos um pó ao nosso redor... deduzi que fosse magia.

- Vocês não apenas se beijaram não foi?

- Não... dissemos eu te amo um para o outro.

- Então foi sincero. Porque agora não há mais nada que os possa deixar separados... o perigo acabou. Seu coração não guarda mais rancor... você perdoou a Mina, Sophy e Dayanne.

- Não! Eu perdoei a Mina.

- Lucy. Seu coração é puro. Tenta, mas na consegue esconder de você. O que fez pela Dayanne, nem todos fariam. Você a ajudou mesmo depois dela ter feito coisas horríveis com você. Você é uma pessoa de coração puro... limpo, como disse Gina, um coração claro! Claro como o sol. – ao falar ela olhou para o sol que brilhava forte do lado de fora da janela, ela mantinha um sorriso no rosto, deu um grande suspiro – não sente a magia no ar?

- A senhora está sentindo a magia no ar?

- Estou!

- A senhora é meio misteriosa não é vovó.

- Todas as mulheres possuem mistérios. Todas.

- Eu não tenho.

- Claro que tem... Ninguém saberá porque tem uma ligação com o sol.

- Ah vovó... Foi apenas a Gina que falou que pareço com o sol por causa do meu cabelo loiro aceso.

- Perguntou a ela?

- Não... mas é óbvio.

- Ela enxerga diferente de nós. É apenas uma criança, mas para sempre será misteriosa... para sempre apenas ela saberá como vê as coisas.

- Qual o mistério da mamãe então?

- Porque ela ama tanto flores? Já parou para pensar nisso?

- Ahn... nada haver vovó...

- Como queira Lucy. Não vou discutir.

Fiquei olhando para vovó... ela era realmente muito misteriosa, depois que soube dessa história de profecia me tornei muito próxima dela, ela fala:

- Todas as mulheres possuem mistérios. Mesmo que elas não saibam disso. E pode ser até mesmo coisas que elas nem imaginam... cada uma possui um segredo Lucy. Pode ser apenas seu... ou de um casal... entre mãe e filha... pai e filha... vice e versa... ou entre famílias. Nós temos o nosso segredo de família. Temos a nossa herança. Somos diretamente ligadas à magia. Esse é o nosso segredo. Mas eu acho que você deveria contar ao Andrew isso... ele merecia saber que é o amor de sua vida há 500 anos.

Sorrio e concordo. O telefone toca, é o Andrew... ele acaba de me convidar para viajar com ele em uma viagem de família... para a casa dos avós dele. Topo. Iremos na sexta-feira. Ao desligar o telefone, chego perto de vovó de novo, acabo de lembrar de algo:

- Vovó... a Gina olhou nos seus olhos?

- Ela tentou Lucy... ela tentou.

- Como assim tentou?

- Ela não conseguiu.

- Porque não?

- Não sei... pergunte a ela um dia desses.

- Ah... vovó... há algo que não me entra na cabeça...

- Diga...

- Se ao morrer os espíritos de Romeu e Julieta não ficaram juntos, então eles reencarnariam. Certo?

- Sim.

- E como eles entraram em Hérmia e Mercúcio. Isso é impossível não é? Espíritos não podem encarnar em pessoas vivas... não é?

- Sabe Lucy. Nem tudo o que o repórter falou fazia algum sentido. E... quem foi que disse a você que os espíritos são de Romeu e Julieta? Só porque eram o casal famoso? Entenda algo Lucy. – ela olha bem para mim - Há um mistério nisso também... a magia passou para os irmãos... mas os espíritos predestinados eram o de Hérmia e Mercúcio. Eu não acho que foram espíritos que reencarnaram todas essas vezes... para mim não faria sentido... acho que apenas alguns casais é que estavam com os espíritos... mas a magia... ela sim foi passada para o mais próximo... e claro, no sangue. Lucy... isso nós nunca saberemos... nunca! Apenas, conte ao Andrew e vá ser feliz sendo a Hérmia do século XXI, vá ser feliz com o seu Mercúcio...
Sorrio, a beijo e saio. Minha avó é realmente demais.

terça-feira, 31 de março de 2009

Capítulo 48 - Nascer de novo

Depois que eles foram embora fiquei no quarto sozinha. Ficaria ali até o outro dia. Disseram que eu precisava de repouso. Sério mesmo, eu me sinto bem, apenas quando eu levanto, me sinto meio tonta. Mas nada de mais. Dá para eu ir para casa. A enfermeira falou que eu não fosse para a aula essa semana.
Hoje é terça-feira. Hoje seria o dia de minha morte... Mas foi hoje que eu renasci. Minha vida agora parece estar mais colorida. As coisas parecem ter mais efeito. As pessoas parecem ser mais importantes. Lágrimas descem. Elas descem quentes... Deus me perdoe por cada segundo que não soube dar valor a minha vida. Ela é tão boa. Paro para pensar em tanta coisa agora. E se eu tivesse levado um tiro e ficado com alguma seqüela? Paralítica? Tetraplégica? Cega? Surda? Muda? E se eu tivesse tido um AVC? Ou se eu ficasse em uma cama que nem um vegetal... dependendo de aparelhos - mais lágrimas escorrem... - Senhor, obrigada por eu ter saído desse sufoco... Obrigada por cada segundo que eu passo respirando, obrigada por poder andar, falar, ver, ouvir, obrigada por entender as coisas... Obrigada por ainda ter pernas, braços... Obrigada senhor por cada pedacinho de minha vida. Porque eu tenho tanto... e eu nunca havia notado. Minha vida é ótima... tanta gente no mundo vive só. E eu tenho uma família linda que sempre está comigo, tenho amigos, um namorado que me ama de mais. Senhor tantas pessoas não tem nada disso... - Mais lágrimas caem... - Apenas nesses momentos é que você dá valor a vida... É apenas nas horas em que você está perto de perder tudo, que lhes dar o merecido valor. - Minhas lágrimas agora começam a escorrer freneticamente, então rezo... - Agradeço a Deus durante um bom tempo por cada detalhe bobo da minha vida. Fico rezando... Em meu silêncio está o agradecimento, o pedido de desculpa e a vergonha... A vergonha de nunca ter notado o quanto eu era feliz, e apenas quando estive perto de morrer foi que pude dar valor. Não era para ser assim. Era para nós agradecermos a cada dia de vida... todos os dias devíamos parar durante uma hora, uma mísera hora de um dia de nossas vidas... apenas isso, para agradecer a tudo o que nos foi dado... agradecer por cada segundo que estamos aqui... na terra. Porque a vida é uma bênção, nós não sabemos, apenas descobrimos quando quase a perdemos. Levanto e olho pela janela, lá embaixo as pessoas passam... suas vidas não foram abaladas pelo o que me aconteceu, elas nem ao menos sabem. Cada uma possui uma vida e pessoas que amam... cada uma possui os seus problemas... cada uma tem as suas preocupações e felicidades... e é assim que somos, levando a sério coisas bobas, ficando felizes com coisas bobas... sem nunca conseguirmos enxergar a verdadeira felicidade. Que é o simples fato de estarmos vivos... simplesmente por haver um coração dentro de nós batendo... já é algo para comemorarmos. Então, obrigada Senhor. Por estar aqui hoje, tão bem... e no meio de tanto carinho que recebo... obrigada. Mais lágrimas escorrem... as enxugo e vou me deitar... preciso dormir.

-

Nossa o que é isso? Tá tudo escuro... E apertado... Tento tirar isso do meu rosto, mas não consigo, tateio e sinto um braço... Aii... Está faltando ar... Arrrrrrrrr... SOCORROOOOOOO!!! Me solta... SOCORROO... Começo a chutar para todo lado, nisso escuto:

-Aiii... Sardenta desgraçada.

WANESSA... CACHORRA...

Ela continua pressionando o travesseiro contra o meu rosto, ESSA DESGRAÇADA QUER ME MATAR SUFOCADA. Começo a dar chutes e soco para todo lado. É quando tenho uma idéia genial, pego as minhas unhas e aperto no braço dela, vou apertando com toda a força que eu posso. De repente ela solta... Tiro o travesseiro e respiro fundo, vaca... O quarto estava escuro mas eu podia vê-la, a luz dos postes lá fora, deixavam uma luz fraca dentro do quarto, vejo ela vindo em cima de mim... Então começamos a entrar na porrada como da última vez, começo a gritar:

-SOCORROO, ALGUÉM ME AJUDE... SOCORROOO!!

Escuto uma movimentação vindo de fora, e vozes, então continuo:

-SOCORRO, TEM UMA LOUCA AQUI!!!!!!!

Estamos nos batendo me distancio da cama, e a agulha que estava em mim, me passando o soro, sai com tudo. AIIIIIII. Como dói, me distancio e acendo a luz do quarto, ela estava descabelada, com um ar de louca, olha para o lado e vê uma seringa com agulha, ela vem em minha direção... Queria me atingir.

-SUA RATA FEDIDA! VOCÊ NÃO VAI TIRAR O ANDREW DE MIM – a seguro pelos cabelos enquanto a minha outra mão segura a mão dela que está com a seringa, olho nos seus olhos e falo – pois fique você sabendo que estou bem e de mais com o Andrew. Nós nos amamos e vamos ficar juntos... E nada do que você... sua louca... Faça para impedir vai adiantar...

Dou uma tapa na cara dela quando a enfermeira e seguranças entram, o enfermeiro vem e me acode, os seguranças a seguram, ela olhou para mim e gritou:

- Lucy, eu volto.

- Quando sair da cadeia? – grito

- Hahahaha... Eu sou de menor Sardenta. Não vou.

-Mas eu vou testemunhar contra você rata fedida. E do mesmo jeito que você foi adulta para tentar me matar, vai ser adulta para ir para a cadeia. Se eu alegar que você é altamente perigosa... você mofa lá – pude ver terror em seus olhos

- NÃOOOO... NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO...

E então a levaram. A enfermeira me colocou na cama, olho para o meu braço, estava sangrando muito, os dois, o ferido e o da serginga. Ele me viu olhando com terror para os meus braços:

- Fique calma. Isso vai melhorar. Agora eu preciso que você relaxe. Está muito tensa.

- Estou com medo. Esta louca vai continuar tentando me matar.

- Calma. Os seguranças vão levá-la embora. Ela vai ser presa. Mesmo sendo de menor ela ameaçou a vida de uma paciente.

- Eu acordei com ela me sufocando com um travesseiro.

- Sério?

- Claro. Depois que eu finalmente consegui tirá-la de cima de mim e então respirado, aí começamos a nos atracar no chão. E não foi a primeira vez.

- Não?

Comecei a contar a história toda, do Andrew comigo... Ela ria. E riu mais ainda quando contei como espanquei ela. Enquanto ela cuidava dos meus ferimentos com todo o cuidado possível conversamos... E conversamos... Então ela falou:

- Se quiser ligo para seus pais virem lhe buscar agora mesmo. Quer?

- Não precisa... posso dormir aqui mesmo. Amanhã bem cedo eles virão. - Ela sorri e concorda.

-

Papai abre a porta de casa e quando eu entro:

- SURPRESA!

Olho, ao redor, tinham bexigas penduradas, um bolo em formato de sol, uma mesa cheia de salgados e poucos docinhos, Georgie, Funnie, Djim, Petter (Rachel ao seu lado. Estão ficando), Rodney, Jerry, Sr. e Sra. Watson, Daniel, Andrew, Gina, Mike, William, Jeff, vovó... eu nem posso acreditar, todos estão aqui. Olho para a parede e lá havia uma faixa, escrito: ”Seja bem vinda de volta, Menina do sol.” Que lindo. Andrew vem até mim e me beija...

- Oi meu amor...

A confraternização estava ótima, assim como a comida, contei a todos sobre o segundo ataque da Wanessa, todos riram muito, de repente a campainha toca, vou e atendo, era Mina:

- O que faz aqui?

-É... Podemos conversar?

-Está bem... – olho para as pessoas que estavam lá, ninguém ia notar se eu desse uma saída rapidinho – vamos para os jardins.

Desço com Mina e lá ela começa:

-É... Lucy me perdoa?

-Poderia especificar pelo o quê? Porque são tantas coisas...

-Por tudo que te fiz de ruim. A Sophy me disse que te contou, mas que você não acreditou. Eu, Sophy e Dayanne apenas nos aproximamos da Wanessa para conseguir o que queríamos.

-Mas vocês não prestam mesmo, não é?

-Olha... Sabe como descobriram que foi a Wanessa quem armou teu seqüestro?

-Sei...

-Então sabe que Dayanne descobriu que Afonso é realmente um filho da mãe e Sophy a levou até a delegacia porque estavam gratas pelo fato de você a ter ajudado, mesmo depois do que ela fez com você. Não é?

-Disso eu não sabia.

-Nós não somos pessoas ruins. E eu sou sua amiga ainda Lucy. Eu me tornei “amiga” da Wanessa porque queria o Petter, apenas por isso. Ela me disse que apenas me ajudaria... Ela apenas se convenceu de que eu gostava dela quando eu tive que ser falsa com você. Ela disse que eu tinha que provar que estava do lado dela e não do seu. As meninas e eu achamos que ela tem inveja de você. Na verdade temos certeza. E aí quando você conseguiu em dias o que ela tentou em anos, que foi o Andrew. Ela só faltou enlouquecer. Ela é doente por ele... É obsessiva... Me perdoa Lucy. Eu fui estúpida. Coloquei um cara na frente de nossa amizade. Eu sei que não vai me perdoar fácil assim... Mas eu precisava falar... Adeus Lucy.

E ela vai indo embora... Por alguma razão eu queria acreditar... É quando lembro: É melhor se arrepender por algo que tenha feito do que por algo que não fez.

-Espera. Mina.

Ela olha para mim, corro e a abraço.

-Vamos ver... se for mentira te dou uma surra como dei na Wanessa.

Rimos juntas e subo com ela para a festa, ela pára e diz:

-Mas Lucy. Lá estão apenas seus amigos... É uma confraternização para pessoas próximas... E o Petter está lá com Rachel.

-Mina. Nunca é tarde de mais para se consertar um erro. Não custa tentar... Vem. Precisa conhecer o irmão do Andrew. É lindo e tá solteiro...

-Ah... Assim a coisa já muda, não é?

Sorrimos juntas e subimos. O resto do dia ocorreu numa paz incrível. Depois que todos foram embora, ficou apenas a família de Andrew lá em cima, conversando com a minha, desço com Andrew e nos sentamos no jardim:

- O jardim do seu prédio tem flores. O de lá de casa é apenas terra.

- Mamãe que ajuda o zelador a cuidar delas.

-Tem gira-sol?

- Não sei...

- Lucy... No dia que você foi levada... Eu queria continuar dali... – eu olho diretamente para seus olhos, ele fala – Lucy. Eu te amo.

- Andrew. Eu te amo.
Nos beijamos. Naquele momento foi como se algo mágico estivesse acontecendo de novo. Paramos o beijo e olhei ao nosso redor, havia uma espécie de brilho nos envolvendo, era rosa... branco... vermelho... Não sei ao certo, ele pairava sobre nós... Parecia magia... Não parecia não. Tenho certeza de que era magia.

domingo, 29 de março de 2009

Capítulo 47 - Minhas Esmeraldas

Estou deitada no chão... já estou sem forças para tentar abrir novamente essa janela. Não tenho idéia da hora, mas já deve ser tarde da noite. Não ouço mais barulhos pela casa. Ele deve estar dormindo. Monique disse que iria me ajudar. Onde está ela? De repente ouço passos, eles vem de fora, tento olhar pela fresta que há na janela, mas não da para ver nada. De repente ouço uma voz vindo de um alto-falante:

-Atenção. Sr. Algeria. O senhor está cercado. Liberte a refém e se entregue.

Ai Meu Deus. Me acharam. OBRIGADO SENHOR. Algeria é o sobrenome dele?
Depois ouço novamente:

-Atenção. Sr. Algeria. Para o seu bem. Se o senhor se entregar, e libertar a refém sem causar mais danos, será melhor.

Ai... Ouço ele andando. Droga deve ter acordado. Acho melhor eles terem certeza de que estou aqui, então grito:

-SOCORRO. ALGUÉM ME TIRE DAQUI. PELO AMOR DE DEUS. SOCORRO.

Ele entra no porão:

-Sua menina levada. Olha a confusão que fez.

Ele me arrasta até a sala, as luzes já estavam acesas, olhei pela janela e vi longe as luzes dos carros. Ele estava me segurando, então o vejo pegando uma faca. Ele vai terminar o serviço aqui e agora:

-SOCORRO. ME SOLTA. – ele vem com toda a força me atingir, consigo me soltar mas ele corta o meu braço. - AHHHHHHHHHH

Como dói... Aiiiiii...

- Sua menina levada. Me deixe acabar logo com isso.

É quando ouço a voz de Monique:

-Papai... Porr favorr, solte Lucy. Ela não merrece isso... Papai saia. Essas pessoas não vão te machucarr... É só fazerr o que elas querrem.

Ele pára... Solta a faca no chão. Pega uma arma, e me segura novamente... Tento gritar mas ele tapa a minha boca com a mão, coloca a arma contra a minha cabeça e fala:

-Agora quieta. Minha filhinha está chamando.

Ele me puxa e saímos da casa... Há umas luzes apontando para nós que me ofuscam. Meu braço está latejando de dor... Aperto os olhos e consigo distinguir, papai, Monique, Sr. Cloney e... Andrew. Meu amor. Você está aqui. - Papai começa a correr em minha direção e um estampido ensurdecedor sai. NÃO! ALGERIA ATIROU EM PAPAI:

-NÃO!

Ele coloca a arma novamente contra a minha cabeça, é agora... Vou morrer. Vi meu pai morrer por mim... Vou morrer olhando para Andrew. Como queria poder ter conseguido dizer eu te amo. De repente um estampido forte.
Morri...
Ouço Andrew gritar:

- LUCY, NÃÃÃÃOOO!

Eu sei que morri. Caio no chão... Mas espera, se eu estou pensando... EU NÃO MORRI. Olho para o lado, Sr. Algeria estava sangrando e agonizando, ouço Monique gritar:

-PAPAI!

Levanto-me, e vejo Monique correndo, ela abraça o pai dela, ele agora começara a colocar sangue pela boca... Meu Deus. Que confusão... Ele está morrendo. E eu estou viva... Mas... Meu pai... Corro para onde o seu corpo havia caída, chego lá e ele estava usando um colete... Um colete a prova de balas. Ele abre os olhos e me vê, eu falo:

-Papai! Ai... O senhor está vivo...

Ele começa a chorar e me abraça forte:

-Minha filha... Minha menina... Ainda bem que está aqui.

-Papai... Pensei que tivesse levado um tiro. – estamos os dois chorando – ai papai... eu pensei que fosse morrer...

-Calma meu amor... você está aqui comigo... Tudo ficará bem.

Alguns policiais aparecem e nos ajudam a levantar, estou fraca e caio de novo no chão. Eu não sabia que estaria tão fraca assim. O policial me carrega, me leva até a parte traseira de uma ambulância que havia chegado, ele me senta e me entrega um copo com água, logo vejo a figura familiar de meu amor se aproximando, ele me abraça... Me enche de beijos... Ele estava chorando, e me fala:

-Meu amor... Por um minuto pensei que tivesse morrido. Ah Lucy... Que susto... – ele me abraçava forte. Como era bom estar em seus braços novamente. Começo a chorar também – Meu amor – ele agora chorava muito – Meu amor...

O afasto, e olho nos seus olhos, em meio aquelas lágrimas lá estavam, os olhos de menta que tanto amo... As minhas esmeraldas... Falo:

- Amor. Estou com você... E nada mais vai me separar de você. Nada... – o beijo - Andrew... Como eu tive medo de nunca mais te ver.

Ficamos ali abraçados. A camisa dele absorvendo minhas lágrimas... Como era bom saber que ele estava ali... Que saudade tive de meu amor... Que medo de nunca mais o ver. Ele se afastou e olhou para o meu braço... Estava feio, e continuava a sangrar.

-Aquele desgraçado fez isso?

-Calma Andrew. Isso vai cicatrizar.

Falei apenas da boca pra fora, porque estava doendo horrores. Papai chegou perto de nós, e Sr. Cloney também, ao me ver ele falou:

-Que bom que está bem, Lucy. – ele me dá um beijo na cabeça – Há muita coisa para lhe falar. Mas agora você vai para um hospital cuidar desse ferimento – fala apontando para o meu braço, graças a Deus foi o direito, se não eu não conseguiria escrever... – e depois conversaremos com mais calma.

Concordo, e Andrew pergunta ao pai:

-Posso ir com ela na ambulância pai?

-Não, meu filho. Quem vai é James.

Andrew concorda sem retrucar, vem e me dá um beijo na testa:

- Que susto, minha menina do sol.

Ele sai, papai entra na ambulância junto com um enfermeiro, olho para fora antes da porta ser fechada e vejo que Monique havia desmaiado, e havia um corpo em um saco preto sendo levado... o Sr. Algeri havia morrido. O enfermeiro me olha e fala:

-Bom mocinha – odeio quando me chamam assim... – preciso colocar o soro em você. – ele vem com uma agulha... Aiii... Isso dói. – agora você vai dormir. Precisa relaxar.

-Mas eu não estou com sono.

-Vai ficar.

Ele coloca uma daquelas máscaras de oxigênio em mim... Qual é a dele, eu tou respirando legal, ele fala:

-Conte de um até cinco.

-Um, dois...

-

-Como está se sentindo?

-Acho que melhor.

Uma enfermeira entrou no meu quarto. Acordei há alguns minutos. Olho para debaixo das cobertas... Estou usando uma daquelas camisolas que fica aparecendo a bunda... Peraí... QUEM FOI QUE TIROU AS MINHAS ROUPAS? Olho para a enfermeira, que parecia ter entendido o que eu quis dizer quando arregalei os meus olhos:

-Calma. Fui eu quem trocou as suas roupas. Não se preocupe, não foi nenhum homem.

Não era isso que me preocupava... Era o fato de alguém ter visto o meu corpo... Ai que vergonha, ela me olha e fala:

-Está pronta para receber visitas?

-Estou, mas quem são?

-Seus pais. O delegado que cuidou do caso do seu seqüestro e dois rapazes muito bonitos que estavam com eles.

-Um deles – sorrio, mais para mim, do que para ela – é o meu namorado, e o outro o meu irmão. – tenho certeza que são eles.

-Ah... Mandarei eles entrarem.

-Espera! Deixa eu me arrumar?

-Está bem. Eu ajudo.

Eu levanto da cama... nossa ainda está tudo girando... enquanto ela me ajudava trazendo o suporte do soro eu arrumava meu cabelo no espelho, eu estava com uma cara terrível de doente, e eu pareço mais magra, mas não um magra legal, e sim um cadavélica... Que horror, Andrew vai me ver assim? Olhei para o meu braço. Estava enfeixado. Quando será que eu vou tirar essa porcaria? Mas... tenho que cuidar da minha aparência agora. Olhei para ela...

-Você não teria aí... Um pó? - Ela faz que não com a cabeça sorrindo – nem um blush? Rímel? Lápis? Sombra?

Ela apenas continuava negando com a cabeça e sorrindo ao mesmo tempo. Desisto e vou para a cama de novo. Deito-me, cubro direitinho, e peço para ela chamar minhas visitas. Mamãe entra e logo vem correndo me abraçar:

-Minha filha... Fiquei tão preocupada depois que me contaram tudo o que aconteceu lá... Como você está? Sentindo dor em algum lugar? Minha filha, como está magra... E essas olheiras.

-Nossa, que animador mamãe.

-Ah... Desculpe-me.

Depois vejo o papai entrando, ele vem e me dá um beijo no rosto.

-Como está a minha menina?

-Bem papai.

Depois vejo Daniel entrando, ele parecia ter tido um ataque de pânico alguns minutos antes:

-E aí pirra. Mas o que é que você não faz para chamar a atenção hein?

-HÁ HÁ HÁ. Muito engraçado – ao vê-lo lembro da Kat – Como está Kat?

-Bem. Estão contando os dias para o parto. Já está perto de completar nove meses.

Sorrio, então vejo Andrew entrando, trazia uma flor, um gira-sol. Daniel se afasta um pouco para Andrew se aproximar, como ele estava lindo. Afinal quando é que ele não está lindo?

-Oi amor...

-Oi amor...

Daniel fala:

- Xi... Vai começar a sessão amorxinho – ele fez bico na hora do “amorXinho” – Vamos papai... mamãe... Se não vamos sufocar aqui.

Eles saem e me deixam a sós com Andrew, ele se aproxima de mim e me beija, de repente ele pára:

- Desculpe... Devo estar te forçando, deve estar cansada não é?

- Ta... veja o ‘cansada’...

O beijo de novo... ficamos um bom tempo naquele beijo. Então ele pára e me olha:

- Você está linda.

- Corta essa Andrew. Estou longe de bonita... estou parecendo um cadáver. E mamãe falou que eu emagreci...

- Olha aí. Já sabe a dieta. Não precisa mais ficar sem comer por um dia inteiro e depois desmaiar. Basta ser seqüestrada.

- Muito engraçado você. – olho para a flor, e ele me dá – você roubou a minha idéia. Fui eu quem te deu um gira-sol.

- Trouxe apenas para mostrar que você continua sendo o sol que ilumina a minha vida. E nunca vai deixar de ser.

- Andrew... eu tive tanto medo lá. Quando ele me falou que não haveria resgate... que eu morreria ali... lembrei dos nossos momentos... nossa... foi tudo tão horrível. Fiquei com tanto medo de nunca mais te ver, de nunca mais... andar de bicicleta contigo. – ele ri – É sério!

- Não se preocupa. Andaremos mais. Agora eu vou chamar todos, porque papai está aí e vai explicar tudo o que aconteceu.

Todos entram e Sr. Cloney também, ele vem até mim e me dá um beijo na mão.

- Como está Lucy?

- Bem Sr. Cloney.

-Pode me chamar de William se quiser.

- Está bem... William.

-Bem – ele começa – descobrimos que o Sr. Algeria estava escondido em uma lojinha de artigos roubados, que por sinal fica entre sua casa e o colégio – agora ta explicado, era o próprio pai que Wanessa estava escondendo lá – prendemos o vendedor da loja por compactuar com Wanessa para esconder um fugitivo da polícia. Mas agora tem mais: enquanto viajávamos atrás de você – todos prenderam a atenção em William agora – outros policiais foram até a casa da Srta. Algeria. A encontramos em casa e a levamos, junto com a Sra. Algeria para a delegacia. Fizemos um interrogatório e ela negou tudo. Foi neste exato momento que a informação de que havíamos lhe resgatado chegou na delegacia daqui. Onde ela estava prestando depoimento. Quando ela ouviu um policial falando ao outro, que você havia sido resgatada e estava bem. Ela ficou parecendo uma louca, puxou a arma do cinto de um policial e começou a atirar para cima, sua mãe, que no começo pareceu ofendida com todas aquelas acusações para com sua filha, ficou assustada. E depois que acalmamos Wanessa, e contamos que seu pai havia morrido, ela começou a gritar o chamando de incompetente. Não demonstrou remorso algum pelo o que fez. Ela estará indo a julgamento amanhã. E você tem que ir para testemunhar contra ela.

- Tudo bem, se eu tenho que ir.

Andrew fala:

- Eu também vou testemunhar, amor. Você não ficará sozinha.

Depois ficamos conversando, e rindo durante algum tempo. Nem parecia que algo horrível havia acontecido, que alguém havia morrido. Que eu passara por uma experiência traumatizante... Que em uma hora eu havia perdido as esperanças... Pensei que minha vida havia acabado. Mas depois eu criei esperanças... Tentei fugir quatro vezes, sei que todas foram inúteis. Mas eu tentei, não importa que algo que você faça não dê em nada. Você se sente leve apenas em ter tentado. Apenas pelo fato de ter em mente que fez o que pôde. Com certeza é muito bom... e bem melhor do que ficar se martirizando e se perguntando: -Se eu tivesse tentado, o que aconteceria? É muito melhor se arrepender por algo que você fez, do que por algo que você não fez.

sábado, 28 de março de 2009

Capítulo 46 - O resgate

Estamos hospedados em um hotel bem simples. Eu, papai e James (ele me pediu para continuar a chamá-lo assim) ficamos no mesmo quarto. Há um dia estamos investigando. A cidade que fomos ontem não havia rastro do Sr. Algeria, então hoje viemos para a cidade seguinte, um cara de um posto de gasolina disse que ele mora aqui. Em um casebre mais para a parte dos campos. Então pagamos por seu sigilo, para que ele não comentasse com ninguém que a polícia havia estado lá, nos hospedamos nesse hotel para nos preparamos, faremos uma busca noturna pela áreas dos campos, uns se fingirão de viajantes sem comida, enquanto os outros ficam a espreita, uns vão até olhar pela mata, querem ver se acham um... corpo. Tentei esquecer isso... Não quero pensar nessa hipótese. Mas por alguma razão a sinto viva... Não sei. Acho que estou ligado a ela. De alguma forma estranha... Não sei explicar como, nem porquê. Mas sinto isso. Amanhã é terça-feira, desde sábado estamos nisso... De repente escuto batidas em nossa porta, papai fala:

-Entre.

Um policial, já todo equipado para a busca abre a porta e fala:

-Temos uma novidade senhor. Há uma mulher que veio dar queixa de um homrm que seqüestrou uma menina. Ela está na delegacia da cidade.

Todos saímos apressados. Só pode ser ela. Só pode.
Ao chegarmos na delegacia vejo Monique, a professora de expressão corporal de Lucy, sentada e conversando com o delegado, ao me ver ela fala:

-Ohh... Andrrew. O que faz aqui?

-Estou ajudando na busca a Lucy. É sobre ela não é? Onde a viu?

-Calma. Falarrei parra quem estiverr cuidando do caso.

Papai dá um passo a frente e fala:

- Sou eu, senhorita... – ele estende a mão para cumprimentá-la – Sr. Cloney. Delegado. Estou cuidando do caso. – ela retribui o cumprimento

- ...Cherrie, é Srta. Cherrie. – ela senta-se e começa – quem a seqüestrrou foi o meu pai. – HÃ? Mas eu pensei que tivesse sido o pai da Wanessa – Meu pai a seqüestrrou a pedido de minha irrmã má... Ela ainda é de menorr, mas é muito má... – irmãs? Ah fala sério.

-Presumo que o seu pai seja o senhor Algeria, e sua irmã, Wanessa Algeria? – papai deduz

-Ah... Bem, como sabem?

-Descobrimos domingo e estamos procurando-o desde então. A senhorita já sabia que ele iria fazer algo assim e não contou a polícia?

-Papai me falou que não ia fazerr... Que havia dito não, parra minha irrmã... Então hoje fui visitá-lo. Eu sabia que ele havia fugido da cadeia... Mas meu pai não é uma pessoa saudável. Ele sofrre de prroblemas na cabeça. Eu não achava justo que o mantivessem naquele lugarr... Semprre quis que ele fosse parra um local onde as pessoas são como ele. Um sanatórrio talvez... Então hoje estava lá, e do nada Lucy aparrece na minha frrente. Ela estava tentando fugirr. E pelo o que me parreceu não era a prrimeirra vez – essa é a minha Lucy – então quando a vi rreprrendi papai e avisei a ela que a tirrarria dali. Pedi a papai que a soltasse... Mas ele falou que não... Que erra parra agrradarr Wanessa. E até me perrguntou se eu querria algo assim também. Minha irrmã não é uma pessoa boa. Se aprroveitou da insanidade de nosso pai parra ussá-lo contrra uma garrota inocente. Eu sei onde ele a matem. E em cima da messa da cassa dele havia um bilhete de Wanessa parra ele, falando que ele devia matá-la – sua voz falha nessa hora – na terrça-feirra. E isso é amanhã. Então rresolvi virr a delegacia. Porr favorr. Não machuquem o meu pai. Não o prredam. Ele não está bem da cabeça.

-Srta. Cherrie. Não posso prometer que seu pai sairá bem disso. Apenas farei o que for preciso para tirar a menina de lá sã e salva. Seu pai pode cooperar conosco e tudo sairá bem. Mas se ele dificultar. Bem... Teremos que usar a força.

-Entendo...

-A senhorita poderia nos levar lá?

-Oui. – todos olhamos para ela... Eu sabia que aquilo era um sim em francês, mas nem todos sabiam disso, então ela fala – sim.

Todos saímos apressados. No carro que comandava o resto estavam: Papai (dirigindo), Monique (ao seu lado dizendo onde era), eu (no banco de trás) e James (ao meu lado). Eu nem posso acreditar. Finalmente estamos indo salvar a Lucy. Meu amor... Eu já estou a caminho. Monique fala:

-É ali. Naquela cassa.

Papai pára o carro bem antes, ele nos olha e fala:

-Precisamos parar antes. Para que ele não ouça os motores, e consigamos dar o elemento surpresa, e também caso haja troca de tiros, não correremos o risco dele explodir os carros.

Papai sinaliza para os outros policiais e manda Monique, eu e James permanecermos no carro. Claro que não ficamos. Eles começam a avançar, papai sinaliza para alguns policiais avançarem e irem para a parte de trás da casa, presumo que seja para caso ele tente fugir. Então papai pega o alto-falante e começa:

-Atenção. Sr. Algeria. O senhor está cercado. Liberte a refém e se entregue.

Nos aproximamos mais, papai nos entrega coletes a prova de balas, ele nos manda colocar. E continua:

-Atenção. Sr. Algeria. Para o seu bem. Se o senhor se entregar, e libertar a refém sem causar mais danos, será melhor.

Nos aproximamos mais da casa, até que eu vejo uma luz acender, acho que ele estava dormindo e o acordamos. Nos aproximamos mais. Foi então que pude ouvir, vindo de lá longe:

-SOCORRO. ALGUÉM ME TIRE DAQUI. PELO AMOR DE DEUS. SOCORRO.

Meu coração pareceu rachar-se naquele momento. Era Lucy implorando para ser resgatada, e eu estava ali. Impossibilitado. Se eu me atrevesse a fazer qualquer mínima coisa que papai não tivesse dito, eu poria a missão em risco, e apenas pioraria as coisas. Papai nos olha e fala:

-Acabamos de confirmar que a refém está viva.

Pelo amor de Deus! Claro não é papai?

Outra luz acende na casa e ouço mais gritos:

-SOCORRO. ME SOLTA. AHHHHHHHHHH

Meu Deus. Ela está lá dentro. Ele a está machucando... James avança até papai:

-William, se não mandar alguém lá agora, eu vou. Aquele desgraçado está machucando a minha filha. E eu juro. Se ele machucar a minha menina eu mato aquele crápula.

-Por favor, James. Acalme-se é necessário paciência agora. – papai tentava tranqüilizá-lo. Mas parecia não adiantar.

Monique vai nele e fala:

-Senhor, porr favorr deixe-me tentarr falarr com ele... Quem sabe não ajude?

Depois de hesitar papai deixa:

-Papai... Porr favorr, solte Lucy. Ela não merrece isso... Papai saia. Essas pessoas não vão te machucarr... É só fasserr o que elas querrem.

Monique devolve o alto-falante para papai, ele fala:

-Senhor Algeria. Por favor não complique mais a situação. Liberte a refém.

Senhor Algeria sai da casa, ele estava tapando a boca de Lucy e apontando uma arma para sua cabeça. SE EU PEGAR AQUELE FILHO DA MÃE, EU MATO ELE. James sai correndo, e senhor Algeria atira. James cai no chão. Graças a Deus pôs o colete, mas Lucy não sabe e grita:

-NÃO!

Ele coloca novamente a arma contra ela, ele engatilha a arma. Ele não vai atirar. Não pode. Lucy está chorando. Meu amor, não posso te perder assim, meu Deus a ajude por favor. Ouço um disparo:
- LUCY, NÃÃÃÃOOO!

Capítulo 45 - A outra filha do sequëstrador

Estou sentada, meus braços e pernas amarrados. Acho que estou aqui a mais de um dia. Não consigo ter bem noção das coisas. Depois do almoço eu precisava ir ao banheiro... Então ele me vendou e me levou ao banheiro, lá ele retirou o pano. Olhei para a janela, estava lacrada com madeiras e pregos. Afinal, no que acredito ter sido o dia anterior, eu tentara fugir. Droga! Ele cogitou a hipótese deu fugir por ela. Faço o que fui fazer, ele me venda novamente e me leva de volta ao meu “lar doce lar”, o meu cativeiro, quando chego lá pergunto a ele:

-Quando vai me deixar tomar um banho? Estou começando a feder.

-Menina... Não tenho roupas...

-Não faz, mal, eu coloco essas mesmo. Mas pelo amor de Deus me deixa tomar uma ducha.

-Está bem menina...

E daí ele sai. Qual é o problema dele? Eu apenas preciso que ele me leve ao banheiro... Droga! Olho para mim... Estou usando esse vestido lindo e super caro, ele está sujo agora, e todo amarrotado, o meu penteado já caiu há séculos, a tiara está como diadema agora, bem a maquiagem... Não preciso nem dizer que já era não é? De repente ele entra novamente, trazendo nas mãos um saco... Era estranho, grande e tinha uns desenhos, ele coloca no chão e abre... Era uma piscina dessas de criançinha, ele a enche e coloca embaixo de uma torneira que tinha ali, e que por sinal eu não havia visto. E daí ele abre a torneira e deixa a água cair na piscininha, olha para mim e fala:

-Sua banheirinha... Pode tomar banho.

Ele coloca um sabonete do lado, uma toalha em um ferro que existia na parede, me desamarra e vai embora. Fala sério. Fui seqüestrada, e ainda por cima terei que tomar banho numa piscina de criança no meu cativeiro. Ninguém merece mesmo.
Depois do banho, que não foi lá dos melhores, me enxugo e ponho a roupa... Não demora muito e ele entra e me amarra novamente, graças Deus dessa vez foram apenas as mãos. Porém elas ficam amarradas para trás. Ai que saco. Ele esvazia a banheira numa pia... Sim numa pia. Aqui tem um monte de coisas que não havia notado. Depois que ele vai embora começo a vasculhar o local. Havia uma pia, e na torneira ainda há água, ao lado um ferro, que ia de um canto ao outro do cômodo, parecia uma barra de treino para balé. Aquelas que bailarinas colocam um pé e ficam se alongando. Na mesma parede da barra de ferro havia uma lona por trás, como se escondesse a parede... Puxei, fiz força e a lona caiu, revelando um enorme espelho que ia de um lado ao outro. Gente, alguém que morava aqui devia fazer balé. Continuo andando pelo cômodo, haviam várias coisas amontoadas, umas por cima das outras, bicicletas faltando partes... cadeiras quebradas, mesas velhas. Pás, enxadas, botas... Roupas, havia de tudo um pouco. Eu apenas conseguia ver essas coisas por causa da luz, que era fraca, mas dava pro gasto. Ouço alguém lá fora... Com toda a certeza havia mais uma pessoa. Fico atenta, era uma voz feminina, mas não consigo distinguir o que ela falava. Será que haveria mais de um seqüestrador? Será que é Wanessa vindo se certificar de que eu iria ser morta? Será que eu ia ser morta hoje? Porcaria. Esse pensamento fica me rondando a cabeça, me ajoelho, como minhas mãos estão amarradas atrás de mim não posso juntar as mãos... Mas Deus me perdoa e vai entender. Fecho os olhos e começo a rezar:

-Pai nosso, que estais no céu. Santificado seja vosso nome. Vem nós, ao vosso reino. Seja feita a vossa vontade assim na terra como nos céus... – antecipo logo – Senhor! Estou aqui te implorando... Me ajuda por favor. Me tira dessa. Me deixa viva. Me manda alguma coisa... Sei lá, uma pista de que eu vou sair viva. Uma chance de fugir – algo me atrapalha, um som, ignoro e continuo – Por favor. Sempre tive fé. Por favor, me deixa sair dessa. Me ajuda por favor – algo como alguma janela batendo – Senhor por favor. Me prova que está me ouvindo. Me manda algum sinal... – o barulho aumenta, que saco posso nem rezar em paz – Senhor, me ajuda. Prometo que me torno uma pessoa melhor se eu sair dessa. – o barulho já estava insuportável.

Abro os olhos e vejo uma janela batendo, mas janela no porão? Acho que é uma dessas saídas de emergência. Nossa! Fecho os olhos:

-Obrigado Senhor! O senhor estava tentando me mostrar há um certo tempo não é? Foi mal.

Abro os olhos, e vou até a janela, porcaria, com minhas mãos amarradas pra trás é complicado abrir a janela. Olho pelo vidro embaçado, parecia ser uma subida. Mas é claro, se eu estava em um porão a saída era uma subida até a superfície. É quando tenho uma idéia brilhante. Certa vez eu vi em um filme. Sento-me no chão, na verdade sento nas minhas mãos... Aii... Começo a passá-las por baixo de mim... Consigo, ótimo, elas estão na parte de baixo de meus joelhos, passo uma perna, depois a outra. Fantástico. Agora é só achar alguma coisa para me desamarrar... Vasculho o cômodo e vejo uma faca... Estava apresentando umas ferrugens, mas acho que dá para usar. Coloco a faca na mesa. A ponta para fora, então ponho algo pesado no cabo, e começo a arrastar a corda na parte afiada. Estou me sentindo em um filme. Finalmente consigo me soltar. OBRIGADO SENHOR! Vou até a janela, a puxo, a empurro, faço o que posso, mas ela parece emperrada, apenas um brecha estava aberta, e foi isso que estava fazendo barulho, sinto um ar passando... Nossa como é bom sentir a brisa novamente, puxo e empurro. Mas parece que ela não sai do canto. Vou até onde achei a faca e pego um ferro com formato esquisito, começo a forçá-la, mas nada. Até que ouço alguém indo na porta. DROGA! Coloco o ferro no chão, pego as cordas, sento-me na frente do ferro, coloco minhas mãos para trás e as enlaço, assim parecem que estão amarradas, mas seguro o ferro... Ele entra, ao passar deixa a porta aberta. Ótimo. E aí ele fala:

-Vim trazer seu jantar menina.

Quando ele coloca o prato e o copo ao meu lado, levanto-me com o ferro nas mãos:

-Desculpa.

E bato na cabeça dele. Com um som alto, ele cai descordado no chão. Subo as escadas correndo, então me vejo em uma cozinha... Corro para um lado e entro numa sala, a lareira estava acesa, e havia uma mulher sentada no sofá, sua cabeleira ruiva se vira para me ver e me deparo com Monique, ela me olha sem entender e eu falo:

-Monique o que está fazendo aqui? Ele também te seqüestrou?

-Sequestrrou? Mas aqui é a casa de meu pai.

-Pai? Essa cara é seu pai? Ele me seqüestrou. Precisa me ajudar a ir embora.

-Eu não acrredito. Então erra você. E ele me disse que não ia fazerr isso.

É o quê? Então quer dizer que a encrenca no qual seu pai estava se metendo era essa? SEQÜESTRO. O MEU SEQÜESTRO? E quando ela falou que tinha uma irmã má... Então era da Wanessa que estava falando? Então foi ela mesmo... Então era isso que Monique estava fazendo naquela loja, visitando o pai... Wanessa deve ter pago ao cara para mantê-lo ali. Wanessa cachorra. Sinto braços me prenderem, tento sair, mas eram fortes, então ouço:

-Menina levada... Me machucou e tentou fugir. Eu disse para não tentar isso.

-Papai. Solte a Lucy.

-Filhinha Monique... Foi sua irmãzinha quem pediu... Mas eu também faço o que me pedir... Posso apagar alguém que queira também.

-Papai. Não faça isso. Farra o que querro? Então solte-a...

-Não posso... Sua irmã.

Ele começa a balançar a cabeça freneticamente. Enquanto repetia: -Não. Não. Wanessinha vai brigar.

-Papai – Monique estava com lágrimas nos olhos – Você está doente. Não posso deixarr que faça besteirra enquanto está doente. Eu prrometo que te ajudarrei papai. – ela olha para mim – Lucy. Eu vou te tirrar daqui. – e vai embora. EMBORA? ESPERA

-MONIQUE. PELO AMOR DE DEUS VOLTA. ME AJUDA. SOCORRO.

Ele me leva arrastada de volta aquele porão. Pega novas cordas, amarra os meus braços e minhas pernas para trás. E me fala:

-Viu o que fez menina levada? Minha outra filhinha agora brigou comigo. Ficará sem jantar e nem café amanhã... Mas você não vai precisar de café da manhã, amanhã é terça... Será o seu dia...
Ele recolhe o prato e vai embora, ao sair tranca bem a porta. Minhas lágrimas agora descem. É amanhã (já é terça-feira?) que ele vai me matar. Eu preciso arrumar alguma maneira de sair daqui... Repito o mesmo processo de antes, passo as mãos para frente e corto a corda com a faca, depois corto as cordas dos meus pés... Pego o mesmo ferro que bati nele e começo a tentar abrir aquela janela que cismava em apenas ficar fazendo um barulho irritante. Puxei e empurrei e nada... Ela não abria de forma alguma... Só se eu fizer com ele o que fiz hoje... Mas desta vez usando a faca... E desta vez ele não vai acordar... Não posso... Logo esse pensamento some de minha mente. Eu não seria capaz de matá-lo... por mais que ele queira me matar... Ele não esta raciocinando bem, apenas quer fazer a vontade da filha, e além disso Monique o ama. Eu não poderia fazer algo que iria magoar outra pessoa... Não consigo. Não dá. Minhas lágrimas caem mais uma vez, já estou cheia disso. Então continuo tentando abrir essa janela...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Capítulo 44 - As revelações

Estou na delegacia com papai, Gina foi levada para a casa de meus avós enquanto estamos muito ocupados. Estou sentado ao lado do Sr. Filliart e da Sra. Filliart. A Sra. Filliart está com os olhos inchados de tanto chorar, o Sr. Filliart até que tenta, mas não consegue esconder que está totalmente assustado, ele me olha e fala:

-Andrew... Me conte, como foi que tudo aconteceu?

-Sr. Filliart – sei que ele me falou para chamá-lo de James, mas numa hora dessas... – Antes de tudo queria lhe informar que eu estou namorando a sua filha. Tudo apenas ia tornar-se oficial quando eu fosse falar com o senhor. Mas não deu. Estávamos... conversando quando do nada aquele homem veio e nos abordou, colocou formol no rosto dela, então parti para cima dele,mas ele me derrubou, quando fui levantar para revidar, ele colocou formol em mim também e eu desmaiei.

-E de quem foi a idéia de sair do colégio?

-Minha senhor. Mas haviam me informado que haveriam seguranças do lado de fora. Estávamos completamente seguros, nunca me passou pela cabeça que algo dessa gravidade fosse acontecer. Mas na hora que aconteceu eu vi, haviam seguranças pelas redondezas, mas eles não fizeram nada. Assumo a responsabilidade de culpado.

-Não meu rapaz... Você não é culpado de nada. Mas com certeza a empresa de segurança vai pagar. Eles estavam ali para proteger os alunos e não conseguiram fazer. Não se preocupe meu rapaz... Eu posso ver que gosta de minha filha. E essa marca na sua boca – ele aponta pra o local inchado onde levei um murro – essa marca mostra que fez o que pode para não deixar que nada a acontecesse. Afinal é a segunda vez que faz algo para ajudá-la.

Agradeço com a cabeça e dou uma tapinha em suas costas. Depois que eu disse aquelas coisas ao papai ontem à noite, parece que ele criou mais disposição e agora mergulhou de corpo e alma nesse caso. É quando ele entra na sala onde estávamos e anuncia:

-Boa tarde Sr. E Sra. Filliart. – olha para mim – Andrew, o retrato falado que nos deu encaixa-se perfeitamente com o cara que fugiu da cadeia da cidade hà alguns dias.

Senhora Filliart grita:

-EU AVISEI! Eu avisei a Lucy... Eu disse que era perigoso...

Então ela volta a chorar, o Sr. Filliart a abraça, e então meu pai continua:

-No local onde Andrew foi encontrado haviam marcas de pneu. Especialistas foram lá e avaliaram a marca do pneu e para quais lojas de carros eles vendem. Descobrimos que daquele tipo de pneu apenas vendem-se para carros grandes. E como a Srta. Filliart foi levada como refém, presumo que tenha sido um carro onde ele pudesse colocá-la... Então o carro que temos suspeita seja uma Van...

Meu pai é interrompido por um colega de trabalho que entra na sala parecendo ter feito uma grande descoberta e anuncia:

-Sr. Delegado. A escola possui um sistema de câmeras recém instalado, e havia uma câmera logo na portaria e vimos toda a cena. Me acompanhe por favor.

Novas esperanças surgem em mim... Vão ver a cena. Vão ver o carro... Tudo o que aconteceu. Graças a Deus. Entramos em uma sala e lá estava a diretora da escola, que afinal a essas horas já devia mesmo ter sido avisada do ocorrido, o nome dela eu nunca soube, apenas a chamavam de Sra. McHale, ela me vê e cumprimenta com a cabeça, então nos juntamos em frente a televisão e colocam a fita para rolar: “Aparece uma menina... Espera, é a Wanessa, ela entra em uma Van azul, a Van não sai do canto, acho que ela estava conversando com alguém, então ela sai, acena com a mão para um segurança, ele se aproxima, ela fala algo em seu ouvido e lhe entrega um bolo de dinheiro... Depois ela sai, e a Van desaparece... Não demora muito e eu apreço com Lucy, nos encostamos e eu tiro a sua máscara e a minha, nos beijamos... – todos na sala me olham, droga, não era pra ninguém ter visto isso – então, acaricio o seu rosto, e do nada vem uma Van por trás dela, a mesma Van que Wanessa estava - eu não vi essa Van no dia – e de dentro sai um cara, era o cara que eu vira lá, ele coloca aquele pano no rosto dela, ela cai, eu parto para cima dele, esmurro e chuto, e depois ele me dá um murro e caio, então quando fui me levantar ele colocou o pano em mim também e desmaiei, ele pegou Lucy no colo abriu a parte de trás da Van ,jogou-a dentro, e saiu...”
Depois aparece o segurança indo lá me acudir. Nos mandam sair da sala para avaliarem com mais calma, depois do que acho que foram umas 3 horas, papai sai da sala onde assistimos o vídeo nos olha e fala:

-Conseguimos. Acabamos de confirmar que é realmente o nosso fugitivo. E sabemos que esse fugitivo é pai de uma aluna da sua escola, diretora – ele falou olhando para a Sra McHale – e eu presumo que aquela que entrou na Van seja a filha dele... Chegamos a uma hipótese que a aluna pagou para os seguranças para não fazerem nada quando o pai dela fosse seqüestrar Lucy. Claro que é apenas uma hipótese... Afinal não há razão alguma para uma menina de 16 anos encomendar o seqüestro de outra.

-Espera... – interrompo – Wanessa, que é essa menina daí... Ela jurou Lucy de morte. – todos fizeram aquele “Ohh...” – é sério isso... Claro que nós não levamos a sério... Mas não sei. Se ela foi capaz de subornar os seguranças, não duvido de mais nada.

Todos estavam atentos me ouvindo, então papai fala:

-Isso é muito sério, Andrew.

-Eu sei que é, pai.

-Vamos investigar essa menina... Chamaremos a mãe dela aqui para prestar um depoimento.

Somos interrompidos pelo mesmo colega de trabalho de antes:

-Ahn... Sr. Delegado... Temos duas pessoas aqui.

Todos levantamos e vamos ver essas pessoas, eram Sophy e Dayanne. Sophy parecia determinada já a Dayanne estava chorando e parecia implorar para não estar ali, Sophy segurava firmemente a mão dela. Chegamos lá e papai fala:

-E então? O que desejam?

-Queremos prestar um depoimento acusando Wanessa Algeria.

-Vamos, siga-me, pegarei seu depoimento.

-Não. Sr. Delegado. Se não se importa eu queria que os pais da Lucy, e – ela olhou para mim – você Andrew, também ouvissem.

-Está bem. Se não se importa.

-Não – Dayanne cochicha para Sophy, inutilmente porque todos estávamos ouvindo – não... por favor...

Sophy a olha repreendendo-a, e cochicha de volta:

-Ela te salvou de um filho-da-mãe. Precisamos ajudá-la. Não seja covarde, Day.

Olho para elas, elas me ignoram. Papai as leva para a sua sala, todos acompanhamos e lá elas começam:

- Meu nome é Sophy Garret e o dela é Dayanne Voxy. – Dayanne a cutuca, mas Sophy ignora e continua – Wanessa havia nos dito já há algum tempo que soltara seu pai da cadeia. Mas não nos contou como – Dayanne começara a chorar – ela nos disse que iria mandar seu pai matar Lucy – a Sra. Filliart solta um grito aterrorizado, e o Sr. Filliart tenta acalmá-la – Ela nunca havia nos contado porque odiava tanto Lucy, mas acreditamos que era inveja. Bem, pelo menos algumas pessoas pensam assim... Em todo o caso, pensamos que não ia levar em nada, que na verdade era tudo da boca para fora. Mas ela realmente o fez. Ela nos falou que iria mandar seu pai seqüestrá-la no dia do baile, e passar alguns dias com ela para depois matá-la, ela queria que a família de Lucy sofresse... O pai de Wanessa tem alguns problemas mentais, e ama a filhinha de todo o coração. Fará qualquer coisa por ela. – WANESSA É A UMA VACA!

- Mas – papai começa a interrogá-la – porque Srta. Algeria iria querer fazer tanto mal a Srta. Filliart?

-Lucy estava tendo alguma coisa com Andrew. E era óbvio que Andrew gostava dela. Andrew se apaixonou perdidamente em apenas pouco tempo. Enquanto Wanessa tentava ficar com ele há anos... Ele nunca deu bola alguma para ela. E eu digo... Wanessa não é normal, ela tem problemas psicológicos, ela é totalmente obcecada por Andrew. Morre e... Mata por ele. – engulo em seco, e papai me olha – Certo dia ela jogou Lucy contra a parede e começou a avisá-la que era para se afastar de Andrew, mas claro que Lucy não iria se afastar simplesmente porque uma menina havia feito uma simples ameaça, eu no lugar dela faria o mesmo. Não tinha como levar Wanessa a sério... ou pelo menos tão a sério. Então Wanessa agrediu Lucy, e obviamente Lucy deu uma surra nela. E sinceramente, bem dada. Daí Wanessa ficou com um ódio mortal dela, e no mesmo dia procurou seu pai para fazer “a encomenda” como ela chamava. Ela nos contou, nós fingimos que gostávamos da idéia. Para ser sincera Sr. Delegado, nós nunca fomos amigas dela, estávamos com ela por simples interesse. Sei que parece malvadeza isso, mas confie em mim, ela não vai ficar magoada. Wanessa não possui coração algum para ficar magoada. Ela apenas queria pessoas com as quais compartilhar a sua inveja, que claro, ela não aceitava que era inveja... Dizia que odiava a Lucy pelo simples fato dela ser irritante e sem graça. Mentira, sempre soubemos que ela invejava a Lucy. E isso piorou quando Lucy se tornou mais amiga de Andrew. E bem... no dia do baile, Andrew veio e nos falou que estava namorando com Lucy. Wanessa ficou possessa e foi para fora do colégio. Não sei ao certo o que ela foi fazer, apenas sei que ela me disse que conquistaria o Andrew no dia do baile, e que se Lucy atrapalhasse mais uma vez, ela iria realmente levar o seu plano adiante. No fundo, no fundo, ela não queria fazer algo tão trágico, mas quando Andrew chegou e comunicou, eu sei – ela me olha – foi inocentemente, ela ficou possessa e saiu. Acho que foi falar com o pai dela.

-E a senhorita veio aqui prestar depoimento para ajudar Lucy, ou para destruir a vida da Srta. Algeria?

-Para ajudar Lucy. Não que eu goste dela, mas eu gosto dessa daqui – ela aponta para Dayanne, que continuava a chorar – e Lucy nos alertou que Dayanne estava se envolvendo com um canalha que lhe faria muito mal. Descobrimos hoje mesmo que era verdade. E Lucy havia nos avisado em troca de nada, nunca fizemos nada de bom para ela e mesmo assim ela nos alertou. Ela foi honesta e não guardou rancor nosso, mesmo depois de termos estado ao lado de Wanessa humilhando-a. Day não soube reconhecer o ato de Lucy, mas eu soube e a obriguei a vir até aqui para denunciar a Wanessa. Porque Lucy não merece isso. Lucy é uma pessoa boa, e se alguém merece passar por tanto sofrimento, é a Wanessa.

Todos estamos chocados com tudo. Não acredito... Minha Lucy é realmente fantástica. Mesmo depois de tudo que Sophy e Dayanne fizeram a ela, ela as alertou, as ajudou. Minha Lucy é realmente fantástica.- Papai as olha com cuidado:

-Obrigado Srta. Garret. Isso esclarece muitas coisas, apesar dos motivos terem sido bem infantis. Mas não vou poder deixá-las ir embora. Preciso estudar mais isso. Vou precisar que faça esse depoimento novamente e agora se possível acrescentando mais detalhes, por favor, siga o Sr. Houston. – ele fala apontando para o colega de trabalho. – Afinal, ainda não sabemos como o Sr. Algeria fugiu.

Ao ouvir isso Dayanne se joga no chão e começa a chorar insistentemente, e fala:

-Eu avisei Sophy... Eu disse... eles vão nos manter aqui... vão nos prender... nos jogar naquelas celas podres...

-Day – Sophy ajuda-a a levantar-se – calma... apenas são presas pessoas culpadas.

-Mas... eu sou.

Todos ficamos atônitos, e continuamos a ouvi-la:

-Se a Wan é culpada... Eu também sou – ela chorava muito, e Sophy a olhava sem entender

-Como assim Day? – Sophy parecia confusa

-Wanessa conseguiu tirar o pai dela de lá... Ele estava preso na cadeia que o papai é dono lembrasse?

-Aii... Não acredito que se meteu nisso, Day...

-Eu a ajudei... Pensei que apenas estivesse com saudades do pai. E ela havia me dito que ele tinha sido preso injustamente. Eu não fazia idéia de que ela seria louca ao ponto de fazer algo... tão grave.

Alguns policiais a retiram, e as levaram para uma sala onde fariam novos depoimentos e Dayanne explicaria tudo direito, enquanto isso papai ficou conosco na sala dele. O Sr. Filliart olhou para a diretora McHale e falou:

-A senhora realmente vai precisar avaliar os seus alunos. Como pôde deixar algo tão grave acontecendo?

-Mas eu não fazia idéia.

-A senhora vivi ausente de sua escola.

Papai interrompe:

-Calma Sr. Filliart. Não culpe a Sra. McHale. Ela não poderia fazer idéia de algo assim. Ninguém poderia. É algo inacreditável. Uma adolescente... Fazer algo tão monstruoso assim e por motivos totalmente sem cabimento. Cuidarei para que quando ela for julgada, não seja julgada como uma menor. Porque para alguém que consegue armar uma emboscada assim, para mim não é de menor. Tem que arcar com as conseqüências de seus atos como uma de maior.

-Estou contando com o senhor, Sr. Cloney. Como amigo e como vítima.

Papai concorda.

-Muito de meu esforço Sr. Filliart é por parte pessoal. Vejo que nossos filhos se amam. Quero vê-los juntos.

-Tirou as palavras de minha boca.

Não há como não gostar disso. Nossos pais aceitando isso. Meu pai, fazendo algo para me ver feliz. Lucy veio a minha vida para me salvar mesmo. Sou interrompido pelo Sr. Houston:

-Sr. Delegado? Conseguimos testemunhas próximas a escola que disseram que viram para onde foi a Van. E câmeras que ficam nas fronteiras entre as cidades flagraram quando a Van passou. O Sr. Algeria saiu da cidade. Mas agora que temos a placa da Van não será tão difícil assim achá-lo. Uma frota de nossos policiais está saindo agora. Temos esperanças de que a encontraremos ou hoje ou amanhã. De qualquer forma, eles ficarão hospedados em um hotel na cidade vizinha enquanto investigam. Deseja ir com eles senhor?

-Sim. Levarei comigo Andrew.

-Também vou. – O Sr. Filliart estava em pé. – Vou com vocês.

Houston finaliza:

-Estão saindo agora senhor.

-Vamos agora – disse papai - e Sr. Houston, você comandará as coisas por aqui em minha ausência. Estou confiando no senhor.

Sr. Houston dá um sorriso, discreto, mas pude vê-lo, ele agradece com a cabeça e sai.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Capítulo 43 - No cativeiro

Abro os olhos, não sei onde estou... Acho que em um carro, porque ouço o motor, e estamos em movimento, está tudo escuro, fico em pé, não totalmente, o carro não é tão alto assim, abro mais os olhos, como se isso fosse ajudar enxergar, mas sei que não, começo a tatear as paredes, sinto janelas, mas elas estão todas pretas, continuo e sinto a porta, procuro a maçaneta mas não sinto nada, ou porque não tem, ou porque quem me colocou aqui tirou, deduzo então que se a porta de saída é desse lado, no lado oposto é o lado do motorista, vou até lá e começo a bater:

-ME TIRA DAQUI. PÁRA O CARRO. ME TIRA DAQUI! SOCORRO!

-Não fala mais menina. Fica bem caladinha até a gente chegar que é melhor pra você.

-Chegar onde?

-Você vai ver menina...

-O que é que você quer comigo? Porque me pegou?

-Te seqüestrei porque foi isso que me mandaram fazer. Agora calada.

A voz dele era grave, e parecia oscilar. O que será que esse cara quer comigo?

-

O carro pára, a viagem durou muito tempo, acho que umas 2 horas. Eu o ouço sair do carro, procuro algo pelo chão, não havia nada que eu pudesse usar contra ele, fico próxima da porta, ela a abre, eu pulo e saio correndo mas sinto seus braços segurando os meus:

-Sua menina levada... Não pense que vai fugir de mim não.

-Aiii... Me solta... Ta me machucando.

-Vai vir coisa pior menina... coisa bem pior.

Ele prende meus braços e vai me lavando a um casebre velho, ao redor estava tudo escuro, mas pude ver árvores... árvores? Estamos no meio do mato? Será que saímos da cidade? Mas o que é que está acontecendo? O que esse doido quer comigo? Entramos na casa, estava com um cheiro de mofo, ele acendeu a luz, era fraca mas era melhor do que ficarmos no escuro, ele desceu uma escada comigo e me jogou no chão do cômodo, acho que aquele era o porão da casa, ao cair no chão fiquei de frente para ele, então pude olhá-lo, era velho, possuía uma barba espessa, grandes olheiras, um nariz torto, sua boca é fina, parecendo mais um corte em um rosto cheio de marcas... Ele tinha uma aparência assustadora, mas parecia confuso com o que estava fazendo. Ele vem se aproximando de mim e fala:

-Olha... Pirralha. Eu vou ter que te prender porque se você der uma de espertinha e fugir... Eu estou ferrado... Vão me trancafiar de novo.

-Trancafiar? Quer dizer... Preso? Peraí... Então foi você que fugiu da cadeia... É você o fugitivo não é?

-Falei de mais... – ele começa a balançar a cabeça, como se tentasse esquecer o que havia me dito – ela não vai gostar... não... não...

-Ela não vai gostar? Quem? Quem te mandou me seqüestrar?

Ele amarrou meus braços atrás de mim, e as minhas pernas, e falou:

-Eu vou vir aqui as vezes só pra te dar comida... Mas isso até um certo dia viu?

-Como assim? Olha pode ligar para os meus pais que eles vão te dar o dinheiro do resgate, quanto que quiser...

-Hahaha... Não menina... Não existe resgate... Entenda uma coisa bem simples menina... Você não vai mais ver nem papai, nem mamãe...

Depois de falar isso ele saiu e trancou a porta... Ai meu Deus! O que ele quis dizer com isso? Ele vai me matar? Me matar? Não... Não pode... NÃOOO. Começo a chorar, estou chorando de desespero... Meu choro sai alto, com uma melancolia que eu jamais senti... Minha vida... Meus sonhos... Meus pais... Daniel... Kat... Lily... Georgie... Rachel... Funnie... Andrew. Não.. Ele não pode vir e tirar a minha vida assim de mim, não é justo. Não é justo que logo quando eu estava me acertando com o Andrew ele vem e me tira de tudo o que é meu. Isso não é justo. Eu apenas queria terminar o ano... Falta tão pouco para o fim do colégio, e depois viria a Universidade. Eu queria fazer para psicologia... Queria dar orgulho aos meus pais. Queria conhecer a pequena Lily... queria visitar a França... iria ajudar o Andrew a seguir carreira de pintor... As lágrimas descem com mais freqüência... Não. Não. Não... Espera... Espera... Pára tudo! Se esse cara é o fugitivo... Mas o fugitivo do qual papai falou era o pai da Wanessa... Então... O pai da Wanessa me seqüestrou... E ele falou que ela não ia gostar... Ela.... Ela... Será que é a Wanessa? Não.. Impossível, a Wanessa tem a minha idade, seria quase impossível que ela fizesse isso... Não. Mas eu não tenho idéia de quem possa ter mandado fazer isso... E agora, o que eu faço? Eu não vou ficar apenas me lamentando pelo que eu vou perder se eu morrer aqui. Não mesmo. Eu vou para a França. Eu vou fazer Universidade para Psicologia. Eu vou me casar com o Andrew. Eu vou. Não vai ser esse velho doido que vai me impedir. Eu tenho que fazer alguma coisa.

-

-Bom dia menina.

Ele entra no porão, e ao entrar deixou a porta aberta... Vejo que o sol brilhava forte lá fora, acho que já é de manhã, ele se aproxima e coloca um prato com um sanduíche e um copo de suco ao meu lado, eu havia dormido sentada e encostada na parede. Acho que por isso estou tão dolorida. Ele desamarra minhas mãos.

-Menina... É melhor comer porque se não vai morrer de fome...

-Foi a sua filha que te mandou?

-Hãn? – ele parece agora assustado, afasta-se de mim, e começa a andar pelo cômodo, balançando a cabeça e repetindo – do que é que você ta falando? Não... não...

-Foi a Wanessa?

-Wanessinha? Não... Não... não foi ela não... Minha Wanessinha não faria... Ou faria?... Ahhhhhhhhh... Ela vai me trancafiar de novo... Não, não... – ele olha para mim, aproxima-se, agora ele parecia agressivo – menina levada... Não pode ficar me perguntando coisas assim... Você machucou a Wanessinha... Wanessinha te machuca... Wanessinha fica e você vai...

Então ele saiu. CACHORRA DA WANESSA... SALAFRÁRIA. NÃO ACREDITO QUE ELA FOI CAPAZ DE ALGO ASSIM... GRRR... ELA NÃO TEM ESCRÚPULOS... MANDOU O PAPAIZINHO DELA PARA SE VINGAR DE MIM, NÃO FOI MULHER O SUFICIENTE PARA ME ENCARAR FACE A FACE. Ela me paga... me pagaaaaaaaaaaaaaa... Até que estava até bom o sanduíche, mas o suco estava horrível. Não demora muito e ele vem buscar o prato e o copo, mas antes ele amarra novamente minhas mãos. Droga, tinha esperanças dele não lembrar, não trocamos palavra alguma... Noto que ele ao entrar sempre deixa a porta aberta e só volta a fechá-la quando sai. Isso vai ser a minha salvação.

Capítulo 42 - À procura de meu amor

-Andrew, eu também te am...

Antes que ela pudesse terminar a frase que concretizaria o que sentimos, um cara robusto, barbado e parecendo mal cuidado aparece e coloca um pano no rosto dela fazendo ela desmaiar, parto para cima dele com socos e chutes... SEU FILHO DA MÃE, FICA LONGE DELA. Ele me da um soco e caio no chão, minha boca está sangrando, quando vou levantar para revidar ele me segura, começo a gritar no intuito de chamar a atenção dos seguranças do colégio, ele vem e coloca um pano no meu rosto... que cheiro forte...

-

-Ei... garoto? Acorda...

Acordo com os seguranças da escola me sacudindo, levanto rápido:

-Cadê ela? Cadê a Lucy?

-Quem?

-A garota que estava comigo?

-Não havia mais ninguém aqui com você quando te vi desmaiado no chão. O que foi que aconteceu?

-AI MEU DEUS. NÃO... NÃO!

-Calma...

-Seqüestraram a minha namorada... Eu tentei impedi-lo mas ele colocou um pano com cheiro forte, acho que era formol...

-Calma. Não acha que desmaiou e sonhou com essas coisas?

-Claro que não! Chamem a polícia... Vamos... AGORA.

-Calma...

-AGORA. VAI!

Lágrimas começam a escorrer do meu rosto, não.. Lucy, agora que tudo estava bem entre nós dois. Droga. Pego as nossas máscaras que estão no chão, e corro para dentro do colégio. Atravesso a quadra correndo e subo no palco roubando o microfone do cantor:

-Por favor. Georgie e Rachel eu preciso urgentemente falar com vocês. Aconteceu algo grave.

Começo a ouvir os protestos das pessoas que estavam curtindo a festa, um segurança aparece ao meu lado e fala que eu não posso ficar sem máscara. Não me importo com ele. No meio das pessoas vejo Georgie retirando a máscara e Rachel que estava ao lado de Petter também, faço sinal a elas para me seguirem, desço do palco e todos vamos para fora da quadra. Nos encontramos e Georgie fala:

-O que foi? Deve ser algo realmente grave pra pagar esse mico e parar a festa.

-E é. Preciso do telefone da família de Lucy. Agora.

-O que foi?

-Nós estávamos lá fora – como vou explicar porque estávamos lá fora? – Ah é, estamos namorando a partir desta noite. Resolvi sair com ela para poder vê-la sem a máscara. Mas quando estávamos lá um cara apareceu e colocou formol no rosto dela com um pano, ela desmaiou então parti para cima dele, mas ele me deu um soco e antes que eu pudesse levantar ele colocou formol em mim também, e aí eu desmaiei. Não pude fazer nada. – mais lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto.

-Calma...

-CALMA? NÃO DÁ!

-Quanto mais agitado você ficar, pior. Vamos até a secretaria e ligaremos para a casa de Lucy. Eu sei o telefone dela decorado.

-Petter – me dirijo a ele – vá chamar os outros. Vamos nós mesmo começar a procurar por aqui. Preciso da ajuda de vocês. Eu estarei na secretaria – ele olha para mim e concorda com a cabeça, então despede-se de Rachel com um beijo nos lábios e sai.

Eu, Georgie e Rachel vamos correndo à secretaria, lá encontramos Rita com duas meninas, todas as duas descabeladas, cheias de arranhões pelo corpo e vermelhas, olho para Rita e falo:

-Rita. Aconteceu algo urgente. Poderia ligar para a casa de uma aluna?

-Andrew. Essas duas – ela aponta para as meninas – entraram em uma briga por um menino, estou tentando ligar para os pais delas para virem buscá-las, não dá para manter pessoas assim. Depois de ligar para os pais delas ligo para o de vocês.

Eu não acredito.

-RITA! A ALUNA LUCY RONDON ACABOU DE SER SEQÜESTRADA. E A PORCARIA DOS SEGURANÇAS QUE VOCÊS CONTRATARAM NEM VIRAM QUANDO ACONTECEU.

-Calma. Sr. Cloney. Você pode estar enganado, quem sabe ela não foi dar um volta. A agência de segurança que contratamos foi cedida pelo presídio da cidade. O pai de uma de nossas alunas, que é o dono do presídio quem forneceu.

-Eu vi! Eu estava lá e lutei com ele... Mas nada adiantou, ele colocou formol no meu rosto e me desmaiou. Fui acordado pelos seguranças que me disseram que não viram nada. Não viram nenhuma menina. Apenas saí com ela do colégio porque tinha certeza que estaríamos seguros. Nunca colocaria ela em perigo.

-O que ela é sua? Alguma parente?

-Minha namorada.

Ela parece hesitar, mas depois concorda, então olha para as duas meninas:

-Vocês duas. Vão para o banheiro e se arrumem. Se me derem mais trabalho hoje juro que suspenso as duas até das aulas de vocês. Agora saiam. Tenho algo mais importante para fazer. – ela se dirige a mim – e então? Qual o telefone?

Georgie toma a vez e fala. Ficamos olhando para Rita enquanto ela esperava, de repente ela começa a fala:

-Alô? Boa noite! Aqui é Sra. Rita Whitney coordenadora da escola de sua filha, Lucy Rondon... Bem, na verdade eu preciso que venham até aqui. Aconteceu algo grave... Na verdade prefiro falar quando estiverem aqui... Não posso antecipar nada... Entendo... Sim... Resolveremos sim... Está bem... Estarei esperando por vocês... Até mais. – ela desliga – Pronto. Os pais dela estão vindo, quando eles chegarem conversaremos.

Escutamos alguém bater na porta da secretaria, ao olharmos era meu pai:

-Pai? O que o senhor faz aqui?

-Não estou aqui como seu pai Andrew. Vim resolver esse caso. Os seguranças chamaram a polícia, disseram que uma menina foi seqüestrada... Bem terminei ficando com o caso. O que está acontecendo?

Rita o cumprimenta:

-Boa Noite! Delegado. Sou a coordenadora desta escola. Sra. Whitney.

-Boa Noite! Sou o delegado William Cloney. Pode me falar o ocorrido por favor?

-Quem testemunhou foi o seu filho.

Papai dirige-se a mim, estava com um ar profissional:

-E então? O que aconteceu?

-Eu estava com ela, estávamos... conversando. Então do nada um cara apareceu e colocou um pano no rosto dela, ela desmaiou, eu acho que era formol. Então eu fui para cima dele, para ele ficar longe dela, então ele me deu um soco – aponto para o lado do meu rosto que estava dolorido, e eu acredito que esteja inchado – e eu caí, e quando fui tentar me levantar, ele colocou o mesmo pano com formol no meu rosto e eu desmaiei... Daí eu acordei com os seguranças, perguntei a eles por ela, mas eles disseram que só me viram desmaiado no chão.

-Está bem. Quero que dê o retrato falado do homem.

Vejo meus amigos na porta da secretaria, saio e comunico o ocorrido a todos, Sophy e Dayanne se entreolham... Pareciam assustadas. Papai sai da secretaria e eu falo com ele:

-Irei com meus amigos procurar pelas redondezas.

-Não seja estúpido Andrew. Não banque de herói numa hora como essas.

-Não estou tentando bancar de herói. Estou preocupado e quero ajudar a achá-la.

-Porque há tanto interesse seu nessa menina?

-É a Lucy. Você a conheceu.

-E o que tem...?

-Ela é a minha namorada. Eu a amo papai... – ele parecia começar a achar graça do que eu falava

-Não seja criança Andrew. Isso é apenas uma paixãozinha de adolescente. Não vale a pena se arriscar nem levar tão a sério. Eu já tive uma paixãozinha como essa... Não leva a nada. O que precisa é amadurecer e achar uma mulher certa para você.

-Pai. Não tenho culpa se não teve a vida que queria ter. Se não agarrou com unhas e dentes a sua paixão e por isso se lamenta até hoje. Mas eu não vou cometer o mesmo erro que você.

-Eu não cometi erro algum. E você não sabe do que está falando. Eu sei o que é melhor para você. E eu já cansei de lhe falar o que é melh...

-Eu não vou fazer o que você acha melhor... Não quero ter a vida que você queria ter tido. Eu vou ter a minha vida. E vai ser com a garota que eu amo. E nada papai... Nada do que você diga vai me fazer mudar de idéia. Eu vou atrás da Lucy, mesmo que não dê em nada, eu preciso ter a minha mente limpa de que eu fiz tudo que foi possível, e até o impossível para tê-la novamente. Diferente de você pai. Não vou ser covarde não indo atrás do que eu quero.
Dou-lhe as costas e saio, olho para os meninos e todos nós vamos procurar perto do colégio, sei que as chances dela ter ficado por aqui são mínimas, mas pouco me importa. Eu tenho que tentar. Preciso achá-la... Preciso. Olho para a máscara dela em minhas mãos... Lucy. Eu juro que vou te achar. Juro que te terei de volta. Não vou te perder de novo. Nós ficaremos juntos meu amor. Leve o tempo que for... Ficaremos juntos meu amor... Meu amor.

Capítulo 41 - O Baile de Máscaras Outonal

-Sério Georgie está bom mesmo?

-Lucy, relaxa pelo amor de Deus. Está ótimo.

As meninas vieram aqui para casa hoje à tarde, viemos todas nos arrumar juntas, são 22:15, o pessoal do ensino médio já deve ter começado a chegar. Meu cabelo está preso em um belo penteado, a tiara PERFEITA já foi colocada. Rachel e Georgie estão prontas, falta apenas eu, que ainda estou me maquiando e a cada dez segundos peço a opinião de Georgie. Depois de por o meu vestido, terminada a maquiagem e colocado os sapatos, estou me sentindo uma princesa-fada. Ponho a máscara, que prende por trás da cabeça, e me olho no espelho. Nem eu pude me reconhecer. Sério mesmo... Eu estou linda. E olhe que não é fácil eu falar isso de mim mesma. Olho para as meninas, todas elas estão encantadores... Nossa! Saímos todas do quarto, e todos na sala (mamãe, papai e Daniel) nos olham surpresos. Daniel fala:

-Nossa, pirra. Vocês estão muito bonitas mesmo.

-Muito bonitas é pouco – diz papai – estão realmente lindas.

-Meninas – mamãe termina a sessão de elogios – vocês estão parecendo que saíram de um conto de fadas.

Sorrio, até que foi um comentário meio irônico, afinal realmente somos fadas. Olho para o Daniel e pergunto:

-Tem certeza que não vai mesmo?

-Tenho sim. Eu iria se fosse com a Kat. Mas ela não pode. Então deixa para a próxima.

Concordo com a cabeça... Eu contei a vocês que no dia do aniversário de Andrew, que eu acordei sozinha, foi porque todo mundo foi ver a Kat? Tiveram um alarme falso... Estavam achando que a Lily ia nascer, mas acho que ela resolveu ficar mais um pouco.
Eu e as meninas vamos até o elevador com papai, no elevador ele pergunta:

-Está levando celular filha?

-Não pai. Não tenho local para guardá-lo.

-Não é meio perigoso? E se precisar ligar para mim antes da hora que marcamos para eu ir lhe pegar?

-Calma pai. Relaxa. Estou segura. Estarei nas áreas da escola. Lá está cheio de seguranças.

Ele sorri, e concorda, então todas caminhamos na direção de seu carro, retiramos nossas asas para não amassá-las e entramos no carro. Durante todo o caminho brincamos tentando imaginar as fantasias de Wanessa e as amigas dela. Ficamos falando qual criatura iria combinar com quem ali. Ao chegarmos, a escola estava linda, até o porteiro estava fantasiado, obviamente ele não me reconheceu, mas tudo bem. Nem eu me reconheceria mesmo. Não contei as meninas, mas meu maior nervosismo era para com Andrew. Na contei a elas sobre o bilhete que havia deixado em seu quarto. Acho que primeiro vou esperar para ver se ele vêm ou não. De qualquer forma contarei às meninas. Elas dormirão lá em casa depois do baile. Nos dirigimos à quadra, estava toda caracterizada de outono, com efeito de folhas secas... um tom laranja e rosado estava nos lençóis das mesas. E nossa! Havia uma variedade espetacular de máscaras, parece impossível reconhecer alguém ali no meio, e também, devido aos convidados que cada um tinha direito de levar, há muitas pessoas desconhecidas na escola. Eu e as meninas nos dirigimos mais para o meio da quadra onde ficamos dançando e rindo juntas.
A noite estava sendo agradabilíssima, 5 caras vieram até agora falar comigo perguntando o meu nome, querendo me conhecer, claro que eu não dizia o meu nome verdadeiro, sempre dizia: Julieta. Mas nenhum dos caras era Andrew. Porque com certeza Andrew iria saber que era eu. Perguntei a um segurança as horas e já estava quase na meia noite. Quando realmente fosse meia-noite o relógio do colégio anunciaria, afinal ele é daquele relógios que na meia-noite e meio-dia ele faz um barulho estridente e alto. O do colégio ficava ao lado de um microfone, que era para a escola inteira ouvir, e essa seria a hora para o pessoal do ensino fundamental sair. Algum tempo depois finalmente ouço... TIIIIIIIIM, DOOOOOOOOOOOOOM, TIIIIIIIIIIIIIIIM, DOOOOOOOOOM... é parece que já é meia-noite, e o encanto de algumas cinderelas já estava acabando. Essa piada foi legal. Então vejo um cara, não sei bem a fantasia, acho que apenas quis usar uma máscara. Ele se aproxima e pergunta:

-Qual o seu nome bela fada?

-Julieta.

-E onde está o seu Romeu?

-Sabe que eu não sei... Acho que ele não vem. – fui bem sincera.

-Posso ser o seu Romeu esta noite?

-Sabe... É que apenas existe um Romeu para qualquer Julieta, me entende?

-Claro, menina do sol.

HÃN? ANDREW??

-Andrew?

-Olá Lucy.

-Nossa... pensei que não viesse... e também pensei que não fosse falar comigo...

-E então Julieta? Posso ser seu Romeu?

-Você sempre o foi.

Depois disso nos beijamos, as máscaras até que atrapalharam um pouco, mas nada que pudesse interferir aquele momento mágico. Sim, era uma noite mágica... Um momento mágico com um cara mágico. Tudo realmente parecia ter saído de um conto de fadas... Era como a história de Romeu e Julieta... Se apaixonaram em um baile de máscaras... Mas pode ter certeza que por mim essa história não terá um final trágico, e nem um desencontro com a de Hérmia e Mercúcio. O nosso beijo termina, e olho para aqueles olhos verdes, Deus, havia esquecido como eram lindos... Duas esmeraldas cintilantes, que me olhavam com tanto carinho.

-Você está muito mais bonita do que qualquer Julieta um dia poderia estar.

-E você está muito mais encantandor do que qualquer Romeu um dia poderia estar.

Ele se ajoelha, como quem vai pedir a mão de alguém em casamento. Ele segura a minha mão e fala:

-Julieta Capuleto, aceitaria namorar com Andrew Cloney?

-Sim. Lucy Rondon aceita namorar com Romeu Montecchio.

ISSO COM CERTEZA FOI A COISA MAIS FOFA E ROMÂNTICA QUE EU JÁ VIRA EM TODA A MINHA VIDA. Ele levanta-se e me beija, um beijo tão carinhoso... Nossa... Quando paramos ele me pega pela mão e me leva à um grupo de pessoas, que lá ele identifica:

-Afonso – a medida que fala os nomes ele aponta para a pessoa correspondente – Dayanne, Djim, Sophy, Mina, Wanessa – agora ele aponta para mim – esta é a minha namorada Lucy. – eu não acredito que ele fez isso... Não na frente de Wanessa. – Onde está o Petter para eu falar da novidade?

-Ah... – Djim, que estava abraçado a Sophy, fala – ele está ficando com uma fadinha de máscara preta e vestido verde

-Sério? É a minha amiga Rachel.

Todos rimos, mas aí Wanessa grita:

-COMO ASSIM SUA NAMORADA? NÃO!

Ela vem para cima de mim, mas Andrew entra na frente e fala:

-Não se atreva, Wanessa.

Ela o encara, e depois desaparece, então chega a vez de Mina:

-Petter está com a Rachel? Djim você tem certeza do que ta falando?

-Claro. Eu vi quando ele se aproximou dela. E a Lucy confirmou a roupa dela.

Mina tira a máscara e foi então quando pude ver seus olhos marejados de lágrimas que começaram a escorrer como se tivessem vida própria, ela tapa o rosto e corre em direção ao banheiro, olho para as pessoas ali presentes como se procurasse por alguma explicação, até que ela chega, era Sophy:

-Mina sempre foi apaixonada por Petter.

-Sério? – isso é realmente uma novidade para mim.

-Ahn... Vem cá Lucy.

A sigo, ela me leva para um pouco distante do pessoal, sinceramente isso é bem estranho para mim, o que ela queria me falar? Então ela começa:

-Sabe Lucy. Eu gostaria de te pedir desculpas, pelas vezes que te humilhei ao lado da Wanessa. Bem... Eu realmente não me importo muito com o que pense, mas antes queria tirar essa imagem que tem de mim.

-Porque isso agora? Falsidade tem limites, Sophy.

-Ai... Calma. É que na verdade todas nós apenas nos aproximamos da Wanessa porque ela conhecia esses meninos, e todas nós queríamos alguma maneira de conhecê-los, então, eu, Dayanne e Mina combinamos de nos tornarmos amigas dela por isso. Eu sei que foi uma tremenda falsidade de nossa parte. Mas Wanessa nos tratava tanto como capacho que isso é meio que uma maneira de vingança.

-Bem... É tudo meio que uma surpresa.

-Ah, tem mais. Mina só ficou falsa contigo porque ela era a pessoa mais próxima de você, e Wanessa queria te atingir de alguma forma. Mas Mina ainda gosta muito de você.

-Sério mesmo. Eu não acredito.

-Tudo bem. Eu não me importo. Mas olha... Por alguma razão Wanessa sempre te odiou. Dayanne acha que no fundo ela tem inveja de você. Apesar deu também achar que você não tem lá os maiores atrativos em uma garota. Bem... precisava apenas esclarecer essas coisas.

-Ahn... apesar deu não ter acreditado em nenhuma palavra do que disse. Até que foi bem elaborado.

-Ah... Como queira. Não me importo.

-Mas... Já que me falou isso. Tenho algo importante para a sua amiga Dayanne.

-O quê?

-Afonso não é um cara legal. Ele vai iludir a sua amiga, e depois destruir a vida dela. Eu tenho uma amiga que ele fez exatamente isso. E só estou avisando porque não desejo o que aconteceu com ela a mais ninguém.

-Mas ele nunca ficou com ninguém do colégio... pelo menos ninguém que vá ser uma amiga sua.

-Como você disse... Não me importo. Mas apenas precisava avisar. Se gosta realmente dela como amiga, previna-a dele. Ele não presta.

-Esta bem. Leve as coisas que te disse a sério, que levarei as que me disse.

-O.K.

Voltamos a nos juntar com o grupo, quando vejo Sophy chamar Dayanne para conversar em um canto. Até agora nenhum sinal de Mina, e muito menos de Wanessa. Andrew me pega pela mão e vai me levando para fora da escola. Pergunto a ele:

-O que vamos fazer?

-Queria ficar um pouco a sós com você... Longe da multidão. Também quero poder olhar para o seu rosto sem essa máscara. Há alguns seguranças do lado de fora, estaremos seguros. Se não se importar claro.

-Por mim tudo bem.

Vamos para o lado de fora da escola, na verdade não ficamos muito longe do portão de entrada, ficamos a uns 2 metros só dele, Andrew se encostou na parede, tirou a minha máscara e tirou a dele, então ele falou:

-Agora sim... Posso olhar para o rosto de que senti tanta saudade. – ele me beija – como eu senti sua falta Lucy... Falta do seu olhar... Falta do seu cheiro de cereja, do seu beijo – ele me beija de novo.

-Eu tenho cheiro de cereja?

-Tem. – ACABO DE CONFIRMAR! SIM, EU SOU A HERDEIRA DE HÉRMIA! – não sabia?

-Não. – rimos juntos. Eu o beijo, passo meus braços ao redor de seu pescoço, e ele ao redor de minha cintura. Paro de beijá-lo, acabo de identificar o cheiro dele – você tem cheiro de baunilha.

Ele ri. Então me olha nos olhos, tão fundo que acho que podia ler minha mente se quisesse então ele fala:

-Lucy... Eu te amo.

Olho bem para os olhos dele também, ele parecia ter dito aquilo de todo o coração, então respondo:

-Andrew, eu também te am...

Mas antes que eu pudesse terminar vi uma mão aparecendo do nada na minha frente com um pano... E um cheiro forte... Aii...