De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

domingo, 22 de março de 2009

Capítulo 37 - Adeus, menina do sol

Estamos em uma aula super chata de geografia, sério, eu tenho que estudar mais, relaxei muito passando aquele tempo com Andrew. Rita, a coordenadora bate na porta e entra:

-Bom Dia 1º ano.

Todos respondemos com aquele típico bom dia “empolgado”, então ela começa:

-Bem. Sei que havia dito que o baile de máscaras iria ser no dia 11 de outubro. Mas vamos ter que adiantar. Por isso o baile foi transferido para dia 04 de outubro – mas isso é semana que vem! – portanto aos colegas que faltaram hoje os avisem. Obrigada e tenham um bom dia.

Droga, só tenho o vestido, preciso achar ainda uma máscara e um sapato... Isso sem falar nos outros acessórios básicos, como tiara, brincos, colar, pulseiras, anéis... Droga. Olho para Georgie e falo:

-Georgie, já comprou o seu vestido?

-Já sim, só falta o sapato. E você?

-Só tenho o vestido. Que tal sairmos hoje para comprar o que nos falta. Poderíamos até aproveitar para curtirmos, afinal andamos meio distantes.

- Ótima idéia.

- Podíamos também chamar a Rachel e Funnie.

- Funnie não vai.

- Por quê?

- Ela disse que parece coisa de criança... E que não mora em um país que comemora o carnaval (ela falou que esse baile está parecendo um carnaval) . – sorrio

- Esta bem. Mas e a Rachel?

- Espera.

Ela se vira e fala com Rachel, Rachel parece super empolgada e concorda, depois ela se vira para mim:

-Tudo O.K. Vamos hoje. Nos encontramos naquela galeria perto do CLA. Está bem?

-Porque não vão lá pra casa? Poderíamos almoçar juntas e depois íamos.

-Alôu. Lucy, precisamos pegar dinheiro, ou vai pagar para nós?

- É mesmo. O.K. Mas se quiser eu vou pegar vocês em casa com Jeff.

-Ótimo.

O professor já estava nos olhando com uma cara feia... - Meu filho, cara feia para mim é fome. - Sabe que eu não havia pensado no dinheiro. Vou ter que arranjar uma maneira da mamãe liberar a grana... Ou, eu posso pedir a vovó. Não acho que eu tenha coragem... Mas não custa. Vovó mora no prédio de Andrew. Ele esta com raiva de mim. Depois daquilo que ele escreveu, estava nítido que ele desistira... Não sei se quero falar com ele. Será que não seria melhor esquecer tudo isso e pronto?


-Jeff, antes de passar na casa das meninas poderia por favor passar na casa de minha avó?

-Claro Srta. Rondon.

-Obrigada.

É, eu decidi passar lá depois que mamãe disse que não me daria dinheiro algum porque o vestido já foi caro o suficiente, então agora estou dependendo da vovó abrir a mão. E se eu vir o Andrew lá... eu nem sei o que farei!
Ao chegar no hall do prédio de vovó encontro Gina, ela me vê e grita:

-Menina do sol.

-Olá Gina. Como está?

-Eu estou bem. Porque nunca mais foi lá em casa?

-Ah... Não deu. Mas um dia eu passo lá para te visitar está bem?

-Ta bom.

Ouço uma voz, extremamente familiar:

-Gina. O papai esta chamando você no carro. Vamos.

Levanto o olhar e era Andrew, ele não parecia abalado, mas por um lado também parecia aliviado, ele fala:

-Devia parar com isso.

-Com isso o quê?

-Até para uma criança você fica dando falsas esperanças agora. Devia parar com isso. Machuca as pessoas.

-Andrew. Esta sendo infantil.

-Então não devo ser o único.

-Preciso ir, não é uma boa hora para conversarmos. Vim visitar vovó.

-Não precisa me dar explicações de sua vida. E parece que para você, nunca é uma boa hora para se conversar mesmo.

-Pára com isso. Eu não fiz nada.

-Não... Claro que não. Quem sabe esse não foi o problema.

-Ei... Não venha me dizer que eu fui a errada da história. Porque afinal para quem dizia gostar muito de mim você estava bem feliz nos braços de Wanessa.

-Eu não estava nos braços dela.

-Não... Claro que não.

-Estava tentando falar a ela...

-Ah, estavam conversando? Perto de mais não? – o interrompo... Mas agora pronto, conversa agora é só de super perto. Só se for.

-Eu não a beijei. Nunca faria algo assim.

-Me explique então porque estavam daquele jeito.

-Você não acreditaria em mim de qualquer forma. Afinal, eu sou um pegador, popularzinho, nojento e metido não é?

-Pois é. Quando eu fui atrás de você era exatamente para falar que eu estava de cabeça quente quando falei aquelas coisas. Que ja havia descoberto que você não era aquilo que eu pensava... Mas aí, acabei vendo que eu estava fazendo papel de boba. Então saí dali logo. Depois eu pensei bem e lembrei daquele Andrew que passou uma semana comigo. Do Andrew que riu comigo. Do Andrew que chorou de preocupação comigo. Do Andrew que me falou que éramos como quebra-cabeça. Do Andrew que passeou de barco comigo. Do Andrew que até tomou sorvete por mim. Do Andrew que me carregou porque eu estava cansada. Do Andrew que me ensinou a andar de bicicleta... – uma lágrima escapou, droga, não queria que ele me visse assim, mas não paro, continuo – E principalmente do Andrew que me beijou com tanto carinho. Então pensei... – as lágrimas saem aos montes agora – ele deve ter uma explicação. Mas chego aqui e o que ele tem é uma desculpa boba. Você estava errado. Quando te amei, você não foi embora. Na verdade nunca havia chegado.

Acabei de repetir, com uma diferença, o último trecho do que ele havia escrito. O que ele quis dizer com o fui embora seria, quando desisti de você. Mas como ele pode ter desistido se ele nunca quis? Se tudo era apenas fingimento? Saio dali em direção ao apartamento de vovó, resolvo ir pelas escadas, assim pelo menos da tempo de enxugar o meu rosto, para que vovó não me veja assim. Porém antes que eu chegasse no primeiro degrau ele me puxa e me segura na frente dele:

-Lucy...

-Não há mais nada a ser dito Andrew. Chega, acabou. E você me prometeu uma coisa. Depois da proposta se você não conseguisse me provar o contrário, me deixaria em paz. Não cumpre com a sua palavra?

-Lucy! Você não vê? Esta sendo boba, infantil. Você foi lá atrás de mim me falar que havia errado, mas aí apenas porque viu uma cena que parecia ser verdade mudou de idéia sobre mim? Que espécie de desculpas ia me dar? Novamente ia dizer coisas das quais não possuía certeza.

-Você tirou a certeza de mim.

-Certeza não vai embora assim não Lucy. Era para você confiar em mim. – os olhos dele enchem-se de lágrimas... – tudo o que eu mais quis Lucy era que você confiasse em mim, apenas isso... Confiança. – ele me solta e enxuga uma lágrima que desceu – Realmente, me desculpa ter exigido que namorássemos, apenas namoram pessoas que se amam. Apenas namoram pessoas que tem certeza do que querem. Não é o fato de não querer nada comigo... é o fato de você ter mostrado que queria, e no fim não ter ficado comigo, sei que poderia te fazer feliz... Sabe porque Lucy? – não faço nada, apenas continuo a observá-lo – porque eu não sou o cara que você pensava. Comigo a parada é séria. Eu queria algo sério com você. Quando te conheci, você era segura, decidida, e eu te apreciava de mais por causa disso, então quando você me fala que eu havia conseguido mudar a sua idéia sobre mim, e me disse que gostava de mim... Nossa, pensei: Meu Deus! A mulher que eu amo, me ama. Mas aí, você me fala que se precipitou, se precipitou? Você precipitou o meu coração. Você do nada se tornou uma pessoa insegura. Por quê?

-Andrew...

São as únicas palavras que saem, as lágrimas agora escorrem sem parar... não sei mais o que fazer, não consigo nem mais falar, minha cabeça esta girando, não sei mais de nada... Ele está certo, eu era mais segura, decidida... E vovó havia me alertado... Disse que ele queria algo sério, e que eu tivesse certeza do que queria. Mas eu também falei a ela, que é como se eu tivesse medo de algo, e não sabia o quê.

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