Estou no CLA, não estava afim de vir, mas uma aula de expressão me faria bem, ao entrar vejo que o panfleto do dia de levar os amigos(as) ou namorados(as) permanecera lá... Lembro de Andrew. Aquele fingido... Grr, me irrita pensar que estive em seus braços, me irrita saber que ele estava nos braços dela... DELA, e com certeza da Beatrice também! Quer saber? Essa história de herdeira de Hérmia não deve passar de uma grande invenção... Minha avó já deve estar caduca e inventou essas loucuras... E aquele colar... Ela deve ter mandado fazer em algum lugar, afinal ela é rica, ela pode fazer isso. AH, e na terça quando cheguei em casa, peguei todas aquelas flores e fiz questão de leva-las eu mesma até o lixo do prédio. E todos aqueles bilhetinhos... Fiquei curiosa em saber o que ele havia escrito, quais as mentiras dessa vez, então os guardei, num dia quando... Quando eu estiver com vontade de rir quem sabe eu os leia. Falei tudo o que houve às meninas na terça-feira, Rachel me crucificou, mas a Georgie, eu não entendi direito... Ela meio que não concordou com o que eu fiz, mas não me criticou, pelo menos ela, porém depois que contei que o vi nos braços de Wanessa, Georgie pediu desculpas por ter me dado um conselho errado, já a Funnie, ela adorou, na verdade ficou triste porque eu estava triste, mas ela adorou saber que estava com a razão. Depois de pensar um pouco... Imaginei... E se ele fizesse comigo o que Afonso fez com Funnie... Meu Deus! Como pude me deixar levar a este ponto? Como pude ser tão ingênua e estúpida?
Georgie me falou que eu estou fria. Pelo amor de Deus ela esperava que eu chorasse? Ele não merece minhas lágrimas. Não, não vou chorar por um imbecil. Se ele estivesse mesmo dizendo a verdade ele não teria se agarrado com Wanessa no mesmo dia. E ele havia me dito que sentia nojo dela... Eu pude ver o nojo dele, tanto nojo que a abraçou, tanto nojo que com certeza a beijou. Crápula, não acredito ainda que fui capaz de cair nas mentiras sórdidas dele. Ai que ódio. Não acredito que eu ainda fui lá me desculpar porque estava errada. Não fiz absolutamente nada de errado, porque afinal quando cheguei lá, não vi o Andrew que ele me falava ser, e sim o Andrew que eu afirmava que ele era. Fui burra. Mas agora quero fazer com ele o que fiz com Wanessa. Grrrrr... Aquela rata fedida conseguiu o que queria, conseguiu ele - tento distanciar estes pensamentos de minha cabeça enquanto caminho até a minha sala, paro em frente a sala de pintura... Havia convidado Andrew para ver uma aula lá. Aahhhh, quero tirar esse.... Grrr, sem noção da minha cabeça. Mas parece impossível porque quando entro na minha sala, lembro de imediato o que tive com ele ali: - “Sente Lucy? Encaixamos, como um quebra-cabeça...” QUE ÓDIO! Calma Lucy! Calma. Controle-se, você tem que se acalmar... Uffssss... Sua aula perfeita e totalmente relaxante está para começar. Monique entra na sala, estava com uma cara péssima, corro até a ela:
-Aconteceu algo Monique?
-Oh. Lucy... É que... É meu pai...
-O que foi?
-Eu sou filha de um inglês... E não um frrancês como deve acharr – e eu realmente achava – ele foi a Frrança e conheceu a minha mãe, lá minha mãe me teve e crresci lá, mas semprre mantive contato com ele, e até descobrri que tinha uma irmã. Puxei muito a minha mãe, tive que fazerr um teste de paterrnidade parra prrovarr a ele que eu erra a sua filha...
-Mas onde está o problema aí?
-É que meu pai esta metido em encrrencas... E ele sofrre de prrblemas da cabeça, entende? – faço que sim com a cabeça - E eu descobrri que minha irrmã, filha dele, não é tão boa pessoa assim... E ela querr que ele faça uma besteirra.
-Besteira? Mas de que tipo? – ela começa a chorar sem parar, não sei o que fazer, não estou nos meus melhores dias.
-Não posso Lucy. Não posso. Pardon. Mas vamos esquecerr isso e vamos a aula. Oui?
Confirmo e ela vai enxugar o rosto. Nossa, eu pensei que toda a família dela fosse da França.
A aula foi entediante, eu estava mal, e Monique também. Parece que tudo estava dando errado hoje. Parece que tudo esta dando errado desde o começo da semana...
Ao sair da aula resolvo dar um volta por aí, e começo a andar na beira do lago.. Vejo o cara que estava alugando barcos no... No dia que saí com Andrew... Começo a pensar em todos os momentos que tivemos juntos... Aquele desgraçado conseguiu... ou pelo menos tinha conseguido, mudar a minha idéia dele, eu até gostei dele, não há como negar... Mas, ele mentiu tanto, as vezes penso, será que ele mentiu mesmo? Porque a irmã dele falou aquilo... Será que aquela menina tava falando algo que ele mandou? Porque no dia do desmaio ele chorou... Será que estava atuando? Porque no dia que ele veio ao CLA fizemos algo super romântico, e tivemos um momento lindo no lá... Será que estava atuando? Porque no dia que fomos tomar sorvete cometeu a loucura de comer algo doce quando não pode... Será que ele realmente é diabético? Porque no dia que fizemos cooper quando estava cansada ele me carregou no colo até um banquinho... Será que ele estava apenas atuando? No dia que espanquei a Wanessa, estava sem forças e ele me carregou até a casa dele... Aquilo foi atuação? E... - as lágrimas estão rolando pelo meu rosto - e quando ele me ensinou pacientemente a andar de bicicleta, - sorrio ao lembrar dele me falando que eu estava parecendo uma criança... - E depois o beijo... aquilo era fingimento? A sensação de mágica era fingimento?
A dúvida ainda não saiu de minha cabeça desde ontem... o meu Andrew faria aquilo? Preciso de uma prova mas não sei como... Resolvo caminhar pelo colégio. O dia ontem no CLA me deixou com dúvidas. As meninas ficaram na cantina conversando, não sentirão a minha falta, Georgie disse que ando esquisita e fria nesses dias... Quando passo ao lado da arquibancada vejo Andrew sentado lá no canto... Ele está sozinho, parece estar escrevendo algo. De repente vejo os seus amigos aproximando-se e ele amassa e joga no chão o que estava escrevendo, acho estranho, e minha curiosidade que não é pequena me faz ficar a espreita esperando ele sair dali, quando ele finalmente deixa o local vou até lá e desamasso o papel, lá havia escrito:“Um dia te amei,
mas você me machucou...
Um dia eu te quis,
Mas você nem se importou...
Um dia te prendi à mim,
Mas você se soltou...
Então um dia eu fui embora,
e você me amou...”
Aiaiai... Mais confusa do que estou agora é possível ficar? Fico pensando naquilo... Ele me amou, e o machuquei... Quando ele havia me dito que gostava de mim, mas eu não acreditei e ri na cara dele, talvez isso o tenha magoado.
Quando ele me quis, eu fiz que nem era comigo e o tratei mal.
Quando ele me prendeu a ele, foi quando estávamos juntos e aí eu me soltei... brigamos.
Quando ele estava com Wanessa apareci com as florzinhas, então ele me viu. É sobre mim. Ah, é a prova que eu estava precisando. Meu Deus! Como eu fui burra. Não posso acreditar que me deixei levar... Eu preciso dar uma chance a ele para se explicar... Claro que eu fiquei possessa quando o vi junto de Wanessa... Mas... Não posso acreditar, não o Andrew. Não o Andrew que eu conheci. Não o MEU Andrew. Eu quero aquele Andrew de volta. Quero seu carinho de volta... - As lágrimas agora escorrem, parece que possuem vida própria, em cada uma posso sentir o pesar, a dor de arrependimento e culpa... - Como fui estúpida. Ele me deu provas de mais para confiar nele. Aquelas coisas não podiam ser apenas encenações. Não é possível. Como falarei com ele agora? Como pedirei desculpas? Certa vez Georgie disse-me que pedir desculpas não é humilhar-se, e sim cometer um ato de coragem, porque poucos o conseguem fazer. Mas acho que sou fraca de mais para ir falar com ele... Preciso de alguma oportunidade... Nossa, antes ele me queria e eu o esnobei, agora sou eu quem o quero e ele se foi...

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