De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

sábado, 28 de março de 2009

Capítulo 45 - A outra filha do sequëstrador

Estou sentada, meus braços e pernas amarrados. Acho que estou aqui a mais de um dia. Não consigo ter bem noção das coisas. Depois do almoço eu precisava ir ao banheiro... Então ele me vendou e me levou ao banheiro, lá ele retirou o pano. Olhei para a janela, estava lacrada com madeiras e pregos. Afinal, no que acredito ter sido o dia anterior, eu tentara fugir. Droga! Ele cogitou a hipótese deu fugir por ela. Faço o que fui fazer, ele me venda novamente e me leva de volta ao meu “lar doce lar”, o meu cativeiro, quando chego lá pergunto a ele:

-Quando vai me deixar tomar um banho? Estou começando a feder.

-Menina... Não tenho roupas...

-Não faz, mal, eu coloco essas mesmo. Mas pelo amor de Deus me deixa tomar uma ducha.

-Está bem menina...

E daí ele sai. Qual é o problema dele? Eu apenas preciso que ele me leve ao banheiro... Droga! Olho para mim... Estou usando esse vestido lindo e super caro, ele está sujo agora, e todo amarrotado, o meu penteado já caiu há séculos, a tiara está como diadema agora, bem a maquiagem... Não preciso nem dizer que já era não é? De repente ele entra novamente, trazendo nas mãos um saco... Era estranho, grande e tinha uns desenhos, ele coloca no chão e abre... Era uma piscina dessas de criançinha, ele a enche e coloca embaixo de uma torneira que tinha ali, e que por sinal eu não havia visto. E daí ele abre a torneira e deixa a água cair na piscininha, olha para mim e fala:

-Sua banheirinha... Pode tomar banho.

Ele coloca um sabonete do lado, uma toalha em um ferro que existia na parede, me desamarra e vai embora. Fala sério. Fui seqüestrada, e ainda por cima terei que tomar banho numa piscina de criança no meu cativeiro. Ninguém merece mesmo.
Depois do banho, que não foi lá dos melhores, me enxugo e ponho a roupa... Não demora muito e ele entra e me amarra novamente, graças Deus dessa vez foram apenas as mãos. Porém elas ficam amarradas para trás. Ai que saco. Ele esvazia a banheira numa pia... Sim numa pia. Aqui tem um monte de coisas que não havia notado. Depois que ele vai embora começo a vasculhar o local. Havia uma pia, e na torneira ainda há água, ao lado um ferro, que ia de um canto ao outro do cômodo, parecia uma barra de treino para balé. Aquelas que bailarinas colocam um pé e ficam se alongando. Na mesma parede da barra de ferro havia uma lona por trás, como se escondesse a parede... Puxei, fiz força e a lona caiu, revelando um enorme espelho que ia de um lado ao outro. Gente, alguém que morava aqui devia fazer balé. Continuo andando pelo cômodo, haviam várias coisas amontoadas, umas por cima das outras, bicicletas faltando partes... cadeiras quebradas, mesas velhas. Pás, enxadas, botas... Roupas, havia de tudo um pouco. Eu apenas conseguia ver essas coisas por causa da luz, que era fraca, mas dava pro gasto. Ouço alguém lá fora... Com toda a certeza havia mais uma pessoa. Fico atenta, era uma voz feminina, mas não consigo distinguir o que ela falava. Será que haveria mais de um seqüestrador? Será que é Wanessa vindo se certificar de que eu iria ser morta? Será que eu ia ser morta hoje? Porcaria. Esse pensamento fica me rondando a cabeça, me ajoelho, como minhas mãos estão amarradas atrás de mim não posso juntar as mãos... Mas Deus me perdoa e vai entender. Fecho os olhos e começo a rezar:

-Pai nosso, que estais no céu. Santificado seja vosso nome. Vem nós, ao vosso reino. Seja feita a vossa vontade assim na terra como nos céus... – antecipo logo – Senhor! Estou aqui te implorando... Me ajuda por favor. Me tira dessa. Me deixa viva. Me manda alguma coisa... Sei lá, uma pista de que eu vou sair viva. Uma chance de fugir – algo me atrapalha, um som, ignoro e continuo – Por favor. Sempre tive fé. Por favor, me deixa sair dessa. Me ajuda por favor – algo como alguma janela batendo – Senhor por favor. Me prova que está me ouvindo. Me manda algum sinal... – o barulho aumenta, que saco posso nem rezar em paz – Senhor, me ajuda. Prometo que me torno uma pessoa melhor se eu sair dessa. – o barulho já estava insuportável.

Abro os olhos e vejo uma janela batendo, mas janela no porão? Acho que é uma dessas saídas de emergência. Nossa! Fecho os olhos:

-Obrigado Senhor! O senhor estava tentando me mostrar há um certo tempo não é? Foi mal.

Abro os olhos, e vou até a janela, porcaria, com minhas mãos amarradas pra trás é complicado abrir a janela. Olho pelo vidro embaçado, parecia ser uma subida. Mas é claro, se eu estava em um porão a saída era uma subida até a superfície. É quando tenho uma idéia brilhante. Certa vez eu vi em um filme. Sento-me no chão, na verdade sento nas minhas mãos... Aii... Começo a passá-las por baixo de mim... Consigo, ótimo, elas estão na parte de baixo de meus joelhos, passo uma perna, depois a outra. Fantástico. Agora é só achar alguma coisa para me desamarrar... Vasculho o cômodo e vejo uma faca... Estava apresentando umas ferrugens, mas acho que dá para usar. Coloco a faca na mesa. A ponta para fora, então ponho algo pesado no cabo, e começo a arrastar a corda na parte afiada. Estou me sentindo em um filme. Finalmente consigo me soltar. OBRIGADO SENHOR! Vou até a janela, a puxo, a empurro, faço o que posso, mas ela parece emperrada, apenas um brecha estava aberta, e foi isso que estava fazendo barulho, sinto um ar passando... Nossa como é bom sentir a brisa novamente, puxo e empurro. Mas parece que ela não sai do canto. Vou até onde achei a faca e pego um ferro com formato esquisito, começo a forçá-la, mas nada. Até que ouço alguém indo na porta. DROGA! Coloco o ferro no chão, pego as cordas, sento-me na frente do ferro, coloco minhas mãos para trás e as enlaço, assim parecem que estão amarradas, mas seguro o ferro... Ele entra, ao passar deixa a porta aberta. Ótimo. E aí ele fala:

-Vim trazer seu jantar menina.

Quando ele coloca o prato e o copo ao meu lado, levanto-me com o ferro nas mãos:

-Desculpa.

E bato na cabeça dele. Com um som alto, ele cai descordado no chão. Subo as escadas correndo, então me vejo em uma cozinha... Corro para um lado e entro numa sala, a lareira estava acesa, e havia uma mulher sentada no sofá, sua cabeleira ruiva se vira para me ver e me deparo com Monique, ela me olha sem entender e eu falo:

-Monique o que está fazendo aqui? Ele também te seqüestrou?

-Sequestrrou? Mas aqui é a casa de meu pai.

-Pai? Essa cara é seu pai? Ele me seqüestrou. Precisa me ajudar a ir embora.

-Eu não acrredito. Então erra você. E ele me disse que não ia fazerr isso.

É o quê? Então quer dizer que a encrenca no qual seu pai estava se metendo era essa? SEQÜESTRO. O MEU SEQÜESTRO? E quando ela falou que tinha uma irmã má... Então era da Wanessa que estava falando? Então foi ela mesmo... Então era isso que Monique estava fazendo naquela loja, visitando o pai... Wanessa deve ter pago ao cara para mantê-lo ali. Wanessa cachorra. Sinto braços me prenderem, tento sair, mas eram fortes, então ouço:

-Menina levada... Me machucou e tentou fugir. Eu disse para não tentar isso.

-Papai. Solte a Lucy.

-Filhinha Monique... Foi sua irmãzinha quem pediu... Mas eu também faço o que me pedir... Posso apagar alguém que queira também.

-Papai. Não faça isso. Farra o que querro? Então solte-a...

-Não posso... Sua irmã.

Ele começa a balançar a cabeça freneticamente. Enquanto repetia: -Não. Não. Wanessinha vai brigar.

-Papai – Monique estava com lágrimas nos olhos – Você está doente. Não posso deixarr que faça besteirra enquanto está doente. Eu prrometo que te ajudarrei papai. – ela olha para mim – Lucy. Eu vou te tirrar daqui. – e vai embora. EMBORA? ESPERA

-MONIQUE. PELO AMOR DE DEUS VOLTA. ME AJUDA. SOCORRO.

Ele me leva arrastada de volta aquele porão. Pega novas cordas, amarra os meus braços e minhas pernas para trás. E me fala:

-Viu o que fez menina levada? Minha outra filhinha agora brigou comigo. Ficará sem jantar e nem café amanhã... Mas você não vai precisar de café da manhã, amanhã é terça... Será o seu dia...
Ele recolhe o prato e vai embora, ao sair tranca bem a porta. Minhas lágrimas agora descem. É amanhã (já é terça-feira?) que ele vai me matar. Eu preciso arrumar alguma maneira de sair daqui... Repito o mesmo processo de antes, passo as mãos para frente e corto a corda com a faca, depois corto as cordas dos meus pés... Pego o mesmo ferro que bati nele e começo a tentar abrir aquela janela que cismava em apenas ficar fazendo um barulho irritante. Puxei e empurrei e nada... Ela não abria de forma alguma... Só se eu fizer com ele o que fiz hoje... Mas desta vez usando a faca... E desta vez ele não vai acordar... Não posso... Logo esse pensamento some de minha mente. Eu não seria capaz de matá-lo... por mais que ele queira me matar... Ele não esta raciocinando bem, apenas quer fazer a vontade da filha, e além disso Monique o ama. Eu não poderia fazer algo que iria magoar outra pessoa... Não consigo. Não dá. Minhas lágrimas caem mais uma vez, já estou cheia disso. Então continuo tentando abrir essa janela...

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