De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

quarta-feira, 25 de março de 2009

Capítulo 43 - No cativeiro

Abro os olhos, não sei onde estou... Acho que em um carro, porque ouço o motor, e estamos em movimento, está tudo escuro, fico em pé, não totalmente, o carro não é tão alto assim, abro mais os olhos, como se isso fosse ajudar enxergar, mas sei que não, começo a tatear as paredes, sinto janelas, mas elas estão todas pretas, continuo e sinto a porta, procuro a maçaneta mas não sinto nada, ou porque não tem, ou porque quem me colocou aqui tirou, deduzo então que se a porta de saída é desse lado, no lado oposto é o lado do motorista, vou até lá e começo a bater:

-ME TIRA DAQUI. PÁRA O CARRO. ME TIRA DAQUI! SOCORRO!

-Não fala mais menina. Fica bem caladinha até a gente chegar que é melhor pra você.

-Chegar onde?

-Você vai ver menina...

-O que é que você quer comigo? Porque me pegou?

-Te seqüestrei porque foi isso que me mandaram fazer. Agora calada.

A voz dele era grave, e parecia oscilar. O que será que esse cara quer comigo?

-

O carro pára, a viagem durou muito tempo, acho que umas 2 horas. Eu o ouço sair do carro, procuro algo pelo chão, não havia nada que eu pudesse usar contra ele, fico próxima da porta, ela a abre, eu pulo e saio correndo mas sinto seus braços segurando os meus:

-Sua menina levada... Não pense que vai fugir de mim não.

-Aiii... Me solta... Ta me machucando.

-Vai vir coisa pior menina... coisa bem pior.

Ele prende meus braços e vai me lavando a um casebre velho, ao redor estava tudo escuro, mas pude ver árvores... árvores? Estamos no meio do mato? Será que saímos da cidade? Mas o que é que está acontecendo? O que esse doido quer comigo? Entramos na casa, estava com um cheiro de mofo, ele acendeu a luz, era fraca mas era melhor do que ficarmos no escuro, ele desceu uma escada comigo e me jogou no chão do cômodo, acho que aquele era o porão da casa, ao cair no chão fiquei de frente para ele, então pude olhá-lo, era velho, possuía uma barba espessa, grandes olheiras, um nariz torto, sua boca é fina, parecendo mais um corte em um rosto cheio de marcas... Ele tinha uma aparência assustadora, mas parecia confuso com o que estava fazendo. Ele vem se aproximando de mim e fala:

-Olha... Pirralha. Eu vou ter que te prender porque se você der uma de espertinha e fugir... Eu estou ferrado... Vão me trancafiar de novo.

-Trancafiar? Quer dizer... Preso? Peraí... Então foi você que fugiu da cadeia... É você o fugitivo não é?

-Falei de mais... – ele começa a balançar a cabeça, como se tentasse esquecer o que havia me dito – ela não vai gostar... não... não...

-Ela não vai gostar? Quem? Quem te mandou me seqüestrar?

Ele amarrou meus braços atrás de mim, e as minhas pernas, e falou:

-Eu vou vir aqui as vezes só pra te dar comida... Mas isso até um certo dia viu?

-Como assim? Olha pode ligar para os meus pais que eles vão te dar o dinheiro do resgate, quanto que quiser...

-Hahaha... Não menina... Não existe resgate... Entenda uma coisa bem simples menina... Você não vai mais ver nem papai, nem mamãe...

Depois de falar isso ele saiu e trancou a porta... Ai meu Deus! O que ele quis dizer com isso? Ele vai me matar? Me matar? Não... Não pode... NÃOOO. Começo a chorar, estou chorando de desespero... Meu choro sai alto, com uma melancolia que eu jamais senti... Minha vida... Meus sonhos... Meus pais... Daniel... Kat... Lily... Georgie... Rachel... Funnie... Andrew. Não.. Ele não pode vir e tirar a minha vida assim de mim, não é justo. Não é justo que logo quando eu estava me acertando com o Andrew ele vem e me tira de tudo o que é meu. Isso não é justo. Eu apenas queria terminar o ano... Falta tão pouco para o fim do colégio, e depois viria a Universidade. Eu queria fazer para psicologia... Queria dar orgulho aos meus pais. Queria conhecer a pequena Lily... queria visitar a França... iria ajudar o Andrew a seguir carreira de pintor... As lágrimas descem com mais freqüência... Não. Não. Não... Espera... Espera... Pára tudo! Se esse cara é o fugitivo... Mas o fugitivo do qual papai falou era o pai da Wanessa... Então... O pai da Wanessa me seqüestrou... E ele falou que ela não ia gostar... Ela.... Ela... Será que é a Wanessa? Não.. Impossível, a Wanessa tem a minha idade, seria quase impossível que ela fizesse isso... Não. Mas eu não tenho idéia de quem possa ter mandado fazer isso... E agora, o que eu faço? Eu não vou ficar apenas me lamentando pelo que eu vou perder se eu morrer aqui. Não mesmo. Eu vou para a França. Eu vou fazer Universidade para Psicologia. Eu vou me casar com o Andrew. Eu vou. Não vai ser esse velho doido que vai me impedir. Eu tenho que fazer alguma coisa.

-

-Bom dia menina.

Ele entra no porão, e ao entrar deixou a porta aberta... Vejo que o sol brilhava forte lá fora, acho que já é de manhã, ele se aproxima e coloca um prato com um sanduíche e um copo de suco ao meu lado, eu havia dormido sentada e encostada na parede. Acho que por isso estou tão dolorida. Ele desamarra minhas mãos.

-Menina... É melhor comer porque se não vai morrer de fome...

-Foi a sua filha que te mandou?

-Hãn? – ele parece agora assustado, afasta-se de mim, e começa a andar pelo cômodo, balançando a cabeça e repetindo – do que é que você ta falando? Não... não...

-Foi a Wanessa?

-Wanessinha? Não... Não... não foi ela não... Minha Wanessinha não faria... Ou faria?... Ahhhhhhhhh... Ela vai me trancafiar de novo... Não, não... – ele olha para mim, aproxima-se, agora ele parecia agressivo – menina levada... Não pode ficar me perguntando coisas assim... Você machucou a Wanessinha... Wanessinha te machuca... Wanessinha fica e você vai...

Então ele saiu. CACHORRA DA WANESSA... SALAFRÁRIA. NÃO ACREDITO QUE ELA FOI CAPAZ DE ALGO ASSIM... GRRR... ELA NÃO TEM ESCRÚPULOS... MANDOU O PAPAIZINHO DELA PARA SE VINGAR DE MIM, NÃO FOI MULHER O SUFICIENTE PARA ME ENCARAR FACE A FACE. Ela me paga... me pagaaaaaaaaaaaaaa... Até que estava até bom o sanduíche, mas o suco estava horrível. Não demora muito e ele vem buscar o prato e o copo, mas antes ele amarra novamente minhas mãos. Droga, tinha esperanças dele não lembrar, não trocamos palavra alguma... Noto que ele ao entrar sempre deixa a porta aberta e só volta a fechá-la quando sai. Isso vai ser a minha salvação.

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