De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

domingo, 22 de março de 2009

Capítulo 33 - Nem tudo são flores

Acordo com a luz do sol entrando pela janela, está uma temperatura ótima, minha vontade é de não sair da cama... É como se eu tivesse sido feita para ela, como se ela precisasse de mim para ficar completa. Há também um cheiro agradável no quarto, um aroma de rosas... Quando me sento na cama vejo que há buquês de flores em todos os lugares e de todas as cores... Do meu lado há um vermelho, na cadeira há um branco, no chão ao lado da cama há um amarelo. Mas o que esta acontecendo? Pelo visto vovó já acordou, vou perguntar a ela o que danado é isto, mas antes vou lavar os dentes e tomar um banho, E minha surpresa? No banheiro haviam mais flores, na pia, no chuveiro e até em cima da privada. É inacreditável... Destruíram um jardim inteiro. Depois de me banhar e escovar os dentes, vou de toalha até à cozinha para o café da manhã, e quando chego na sala, ela estava repleta de flores, flores na varanda, na TV, no sofá, nas poltronas, nos tapetes, no chão, na mesa, pelo corredor... Tudo estava com um agradável cheiro de rosas, e tão colorido... Haviam rosas de todas as cores. É inacreditável parece que fui transportada para alguma cena de filme romântico, entro na cozinha, haviam flores em todos os lugares também, e vovó estava sentada à mesa da cozinha tomando uma xícara de leite e comendo torradas, ao me ver ela fala:

-Até que enfim. Queria que você acordasse logo para finalmente tirar essas flores... Nunca pensei que fosse enjoar de cheiro de flores sabia? Lucy, você gosta desse cheiro de rosas?

-Adoro vovó... Mas porque estava me esperando acordar para tirá-las?

-Oras... Elas são suas.

-Minhas? Mas como assim?

-Eu sempre saio bem cedo de manhã para caminhar, então encontrei com o Andrew passeando com seu cachorrinho, ele me disse que teve esse idéia e perguntou se podia colocar. Ele mesmo que as colocou.

-Nossa... vovó. Estou até sem palavras, não acredito que seja verdade. Parece um conto de fadas.

-Quem sabe não seja o seu conto de fadas?

Ela me olha com uma cara como quem insinua algo. Acho que entendi, começo a preparar o meu café da manhã quando me toco de algo importantíssimo:

-VOVÓ...

-O que foi minha filha?

-Ele entrou no quarto enquanto eu dormia e colocou as flores? Ele me viu dormindo? Descabelada? Toda babada e com cara de sono?

-Hahahahahaha – COMO ELA PODE RIR DE ALGO ASSIM???? – claro que não meu amor. Essas flores fui eu quem pus. Não se preocupe.

-Ah, não as jogue fora vovó...

-E faço o quê com elas?

-As mande lá para casa por Jeff.

-Reparou que em cada uma há um bilhete?

-Não. Então quando chegar em casa hoje, os leia. Mandarei sim por Jeff. Boa aula meu amor.

Suspiro aliviada, nossa... Uffs... Após o café da manhã me arrumo e vou descer, e adivinhem? No elevador tinha um buquê com rosas vermelhas e um bilhete escrito “Bom dia Lucy!” Sorrio. Quando o elevador chega no ponto final e as portas se abrem Andrew estava em pé, segurando uma rosa no peito, estava sorrindo e mordendo o lábio inferior... Deus como ele está lindo! Chego perto e antes que eu pudesse agradecer ele fala:

-Esta rosa – ele a coloca na minha frente – por mais simples que seja, apenas o que ela é, demonstra o que sinto por você.

-Nossa Andrew. Muito obrigada. Sabe estava tudo lindo... Na verdade perfeito. Exatamente como em um conto de fadas. Mas não acho que era necessário.

-Como não?

-Sabe... Não precisava de tanto, você deve ter gasto uma nota com tudo isso.

-Eu não acredito que está ligando pra isso. Desencana Lucy. Eu não ligo para dinheiro ou qualquer outra coisa quando estou pensando em te agradar.

Sorrio, está estranho para amigos que se beijaram não é?... Romântico de mais... Estranho.

Deixo o buquê que ele me dera em um vaso que até já estava com as flores mortas... Não ligo em deixá-las lá, afinal já tenho tantas.
Caminhamos de mãos dadas até chegarmos no colégio, lá solto a mão dele discretamente, não é porque nos beijamos que todos precisam saber. Vou indo até a minha sala, esperava que ele fosse até a dele, mas na porta da minha sala ele me puxa e vem me dar um beijo, tiro o rosto e ele termina me dando um beijo desajeitado na bochecha, ele se distancia de me e pergunta:

-O que foi?

-Não tem necessidade disso aqui não é?

-Não estou entendendo... Você fez a mesma coisa ontem à noite. Tem vergonha de mim?

-Claro que não. Mas ninguém precisa ficar sabendo de tudo o que acontece na minha vida pessoal.

-Eu até entendo... Mas não vou poder te beijar? Nem um beijinho – ele vem se aproximando rindo e colocando junto o dedo indicador com o polegar, demonstrando algo bem pequeno, porém desvio dele.

-Não há necessidade disso Andrew.

-Mas namorados fazem isso.

-E quem disse que estamos namorando? – É O QUÊ?

-Como não? Nós ficamos ontem, você estava toda carinhosa comigo, quando há uma semana não agüentava olhar na minha cara... a última semana foi perfeita. Então presumo que seja apaixonada por mim, e é recíproco... Então – ele faz uma cara como se o que ele estivesse dizendo fosse algo óbvio e que apenas um imbecil não fosse compreender aquilo – deduzi que estávamos namorando.

-Andrew... Nós não estamos namorando. Eu nunca disse isso para você.

-Mas...

-Andrew. Estou falando muito sério, namorar é algo muito radical... Seria assumir um compromisso que eu sei que não estou pronta. Só estou fazendo isso Andrew, para não te magoar mais ainda depois. Eu adoro você Andrew, sério mesmo. A última coisa que quero é te magoar de alguma forma... Pensei que fossemos apenas amigos, nós beijamos... mas pronto, pensei que também achasse isso. Desculpe se te dei alguma esperança falsa...

-Qual é Lucy... Não acredito no que está me falando... Não me deu alguma esperança não, me deu todas. Eu te falei que tava apaixonado por você

- Mas em momento algum você mencionou algo sério.

-Por Deus, Lucy como você é cabeça dura. Não aceita de forma alguma que gosta de mim. Lucy nós estamos apaixonados... Não esconda isso de você. – eu sei quem me disse isso... EU NÃO ACREDITO.

-EI! Você estava ouvindo o que sua irmã me disse atrás da porta? Eu não acredito, que coisa baixa!

-Eu não acredito Lucy! Eu me dediquei de corpo e alma pra mostrar a você como eu sou. Me dediquei para te conquistar, fui verdadeiro em cada palavra, em cada gesto. Vivemos coisas tão legais, engraçadas, preocupantes, e mesmo assim você não é sincera?

-Eieiei, está dizendo que não estou sendo sincera em não aceitar que eu gosto de você? Pelo amor de Deus, não está se achando de mais não? Pisa no chão Andrew!

-Está bem, levando em conta o que esta me falando... Você não gosta de mim... Então quer dizer que tudo o que vem me dizendo durante a semana foram mentiras? Você mentiu? Só se foi. Porque você mesma me falou que estava se apaixonando.

-Não. Eu falei que estava gostando. Como amigos.

-Apenas amigos não ficam como ficamos ontem. Você por acaso parou para pensar que poderia estar mexendo com o coração de alguém? Parou para pensar nisso?

-Eu também não tenho como acreditar que tudo isso foi verdade.

- O quê?

- Tudo o que você me disse. Afinal... tem Beatrice, e a Wanessa...

- Espera... Wanessa eu já te expliquei não é? Pelo amor de Deus! E Beatrice é a minha prima, e ela fica correndo atrás de mim, o que não significa que eu a queira. E voltando a eu ter sido verdadeiro... EU é que não acredito que passei esse tempo todo tentando te mostrar a verdade e mesmo assim você não conseguiu acreditar em mim.

-Claro. Você é alguém comigo e outra pessoa aqui com seus amigos... Você é frio, e... esquisito... Nem parece você. Parece um robô.

-Você não entende...

-Realmente, eu não entendo. – fez-se um silêncio entre nós, e percebo que algumas pessoas começam a passar perto de nós no intuito de ouvir a nossa discussão, gente metida – Você não me diz... Olha, esta discussão está sem sentido e absolutamente sem razão... Começamos com algo e agora estamos em outro. Conversamos depois e com mais calma.

-Não precisa Lucy. Eu já entendi. Você vive dizendo coisas horríveis de mim... Mesmo estando enganada.– eu nunca o vi desse jeito – Sabe por quê? – faço que não com a cabeça – porque você é insegura, não sabe o que quer, não sabe se gosta de mim. Não quero alguém assim comigo. Quando tiver conseguido entender que eu sou apaixonado por você me procure.

- Vai morrer esperando – GRRR

-Quem disse que vou esperar? Apenas me procure para conversar. Não vou ficar feito um imbecil esperando até que a senhorita resolva se decidir

- Não preciso me decidir de nada. Esta vendo? A semana terminou e a imagem que eu tinha de você não mudou.

Ele só me olha, estava diferente, no seu rosto havia algo, que... Eu não sei explicar. Me viro em direção a sala e vejo pelo reflexo do vidro da porta, Andrew apertando e jogando algo no lixo, depois que ele já sumiu de vista vou até lá... E ao olhar para o lixo... Vejo no meio de tanta porcaria, no meio de coisas inúteis para os outros... lá estava a rosa que representava o que sentia por mim, ele havia amassado e nem ligado para os espinhos, ela estava melada com o seu sangue, e algumas pétalas já haviam caído. A coloco na minha mão, e do nada algo se mistura com seu sangue, é quando finalmente noto... que é uma lágrima.

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