De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Capítulo 49 - A magia

Hoje de manhã acordei leve. Vovó dormiu aqui em casa então fui conversar com ela, ela estava sentada na sala, sentei-me ao seu lado e comecei a falar sobre meu sonho:

- Vovó, hoje tive um sonho que me intrigou.

- Conte-me.

- Sonhei com várias mulheres, elas sorriam, estavam felizes por alguma razão. Todas eram diferentes, umas feias, outras belas, umas velhas outras jovens... E também vários homens... E alguns feios, outros belos, uns velhos outros jovens... Cada um achava o seu par e corria para um ponto que emitia uma luz rosa.. Não sei o que era... Mas todos os casais iam para essa ponto de luz, iam sorrindo, e parecia que eu assistia aquilo pela TV, e antes de todos entrarem na luz eles olhavam, como se pudessem me ver... Uns sorriam, outros piscavam, outros agradeciam... E depois iam para a luz. E teve um... Apenas um casal que ela me deu um beijo no lado esquerdo e ele do lado direito... Ela me agradeceu e ele também, então eles deram-se as mãos e foram para a luz, foram o último casal a ir... Mas a luz não cessou, permaneceu lá... Não é estranho?

- Para mim não tem nada de estranho, é até bem compreensível.

- Como assim vovó?

- Não entendeu nada mesmo, Lucy?

- Acho que não...

- O que elas tinham em comum?

- Em comum?

- É... o que as ligava?

- Não sei...

- Vamos... Faça uma forcinha. Tenho certeza que Andrew sonhou com a mesma coisa.

- Mas, por quê?

- Esse seqüestrou te deixou lenta nos pensamentos, não foi?

- Vovó... a senhora sabe não é? Conte...

- Não percebeu que eram os casais que nunca conseguiram ficar juntos? Que foram os casais que durante a história não ficaram juntos... os descendentes, Lucy.

- E porque nem a senhora, mamãe ou o pai do Andrew estavam lá?

- Lucy... Eu não estou morta.

- Ah... Mas porque eles estavam fazendo aquilo?

- Lucy, pelo amor de Deus... Cadê a sua lógica?

- Os casais encontraram a paz. Encontraram a luz Lucy. Você e Andrew concretizaram a profecia. Acabou! Não há mais busca... vocês encerraram o sofrimento desses espíritos. Vocês os colocaram na paz. Não sentiu? Há magia no ar...

- A senhora sentiu?

- Claro... ontem você notou algo diferente?

- Quando beijei o Andrew lá embaixo quando paramos vimos um pó ao nosso redor... deduzi que fosse magia.

- Vocês não apenas se beijaram não foi?

- Não... dissemos eu te amo um para o outro.

- Então foi sincero. Porque agora não há mais nada que os possa deixar separados... o perigo acabou. Seu coração não guarda mais rancor... você perdoou a Mina, Sophy e Dayanne.

- Não! Eu perdoei a Mina.

- Lucy. Seu coração é puro. Tenta, mas na consegue esconder de você. O que fez pela Dayanne, nem todos fariam. Você a ajudou mesmo depois dela ter feito coisas horríveis com você. Você é uma pessoa de coração puro... limpo, como disse Gina, um coração claro! Claro como o sol. – ao falar ela olhou para o sol que brilhava forte do lado de fora da janela, ela mantinha um sorriso no rosto, deu um grande suspiro – não sente a magia no ar?

- A senhora está sentindo a magia no ar?

- Estou!

- A senhora é meio misteriosa não é vovó.

- Todas as mulheres possuem mistérios. Todas.

- Eu não tenho.

- Claro que tem... Ninguém saberá porque tem uma ligação com o sol.

- Ah vovó... Foi apenas a Gina que falou que pareço com o sol por causa do meu cabelo loiro aceso.

- Perguntou a ela?

- Não... mas é óbvio.

- Ela enxerga diferente de nós. É apenas uma criança, mas para sempre será misteriosa... para sempre apenas ela saberá como vê as coisas.

- Qual o mistério da mamãe então?

- Porque ela ama tanto flores? Já parou para pensar nisso?

- Ahn... nada haver vovó...

- Como queira Lucy. Não vou discutir.

Fiquei olhando para vovó... ela era realmente muito misteriosa, depois que soube dessa história de profecia me tornei muito próxima dela, ela fala:

- Todas as mulheres possuem mistérios. Mesmo que elas não saibam disso. E pode ser até mesmo coisas que elas nem imaginam... cada uma possui um segredo Lucy. Pode ser apenas seu... ou de um casal... entre mãe e filha... pai e filha... vice e versa... ou entre famílias. Nós temos o nosso segredo de família. Temos a nossa herança. Somos diretamente ligadas à magia. Esse é o nosso segredo. Mas eu acho que você deveria contar ao Andrew isso... ele merecia saber que é o amor de sua vida há 500 anos.

Sorrio e concordo. O telefone toca, é o Andrew... ele acaba de me convidar para viajar com ele em uma viagem de família... para a casa dos avós dele. Topo. Iremos na sexta-feira. Ao desligar o telefone, chego perto de vovó de novo, acabo de lembrar de algo:

- Vovó... a Gina olhou nos seus olhos?

- Ela tentou Lucy... ela tentou.

- Como assim tentou?

- Ela não conseguiu.

- Porque não?

- Não sei... pergunte a ela um dia desses.

- Ah... vovó... há algo que não me entra na cabeça...

- Diga...

- Se ao morrer os espíritos de Romeu e Julieta não ficaram juntos, então eles reencarnariam. Certo?

- Sim.

- E como eles entraram em Hérmia e Mercúcio. Isso é impossível não é? Espíritos não podem encarnar em pessoas vivas... não é?

- Sabe Lucy. Nem tudo o que o repórter falou fazia algum sentido. E... quem foi que disse a você que os espíritos são de Romeu e Julieta? Só porque eram o casal famoso? Entenda algo Lucy. – ela olha bem para mim - Há um mistério nisso também... a magia passou para os irmãos... mas os espíritos predestinados eram o de Hérmia e Mercúcio. Eu não acho que foram espíritos que reencarnaram todas essas vezes... para mim não faria sentido... acho que apenas alguns casais é que estavam com os espíritos... mas a magia... ela sim foi passada para o mais próximo... e claro, no sangue. Lucy... isso nós nunca saberemos... nunca! Apenas, conte ao Andrew e vá ser feliz sendo a Hérmia do século XXI, vá ser feliz com o seu Mercúcio...
Sorrio, a beijo e saio. Minha avó é realmente demais.

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