De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Prólogo

De Cereja

Seus destinos já estavam traçados muito antes de nascerem. Tentam ficar juntos há 500 anos, mas sempre algo acontece e não os deixa serem felizes. Agora no século XXI conseguirão eles encontrar a paz?


Prólogo

Era uma noite de lua cheia, no céu não havia uma estrela sequer para assistir ao plano de fuga do casal de enamorados:

- Hérmia nos encontraremos em Mântua e lá poderemos viver juntos em paz, não haverá perda de irmãos e muito menos rivalidade entre famílias que nos separe.

- Mercúcio, tenho certeza de que tudo dará certo... já falou com o William? Sobre aquele manuscrito que queria fazer?

- Sobre Romeu e Julieta?

- É.

- Já... não seremos mencionados. – ele a abraça e a beija – ficaremos finalmente juntos meu amor, sem nada para nos atrapalhar.

Os dois ficaram ali, sentados num banco ao lado da cerejeira que Hérmia amava, estava à noite, todos na casa de Hérmia já estavam dormindo, estavam seguros, Mercúcio a beija no pescoço e vê a marca que possuía em forma de cereja, estava bem nítida, a beija novamente e seu cheiro de cereja o impregna, ele a ama mais do que qualquer coisa na vida, então resolve entregar-lhe, depois de algum tempo que passaram observando a bela lua que desejava-lhes uma boa noite:

- Hérmia, tenho algo para você.

- Do que se trata meu amor?

- É um presente, eu mandei fazer para que sempre estejamos juntos.

Ele retira um colar do bolso, aquilo era ouro maciço, seu pingente era um coração com dobradiça. Ela o pegou e abriu um lindo sorriso:

- Mercúcio, é lindo.

- Thelma me disse que somos predestinados a ficarmos juntos, então ela pôs magia nele, apenas você e eu podemos abri-lo.

Hérmia abriu o pingente de coração, lá estavam cravadas as seguintes palavras:

“Para meu eterno amor Hérmia Capuleto

De seu amado, Mercúcio Montecchio”

Hérmia o abraça e fala:

- Guardarei isto para sempre. Isto será uma prova concreta de nosso amor para que nossos filhos e netos fiquem sabendo de nossa história.

Então eles se beijaram. Era o presente mais lindo que Hérmia poderia ter ganho em toda a sua vida.

Quando foram se despedir Mercúcio falou:

- Amanhã não é? Amanhã à noite partiremos.

- Sim meu amor. Amanhã à noite vamos embora. Tem certeza que não podemos ir juntos?

- Não... isto seria arriscado de mais. Mas não se preocupe, nos encontraremos em Mântua, procure a taverna do Braw, nos encontraremos lá.

- Até Mântua meu amor.

Não sabiam eles que essas seriam as últimas palavras que trocariam.

Estava de noite, Hérmia carregava uma mala com todas as coisas que achou necessárias para iniciar uma nova vida, agora com seu amor ao lado. Ela havia pago muitíssimo bem um cocheiro, ele a levaria até metade do caminho, o restante ela teria que seguir andando, ela não hesitou.

Chegou em Mântua com o sol nascendo no céu, estava cansada, exausta de uma viagem longa, a pé e ainda por cima carregando uma mala pesada, que agora ela já dizia que eram apenas coisas fúteis. Andou mais e mais pela cidade, nenhuma taverna do Braw, saiu perguntando por onde podia, ninguém sabia responder onde ficava, e quem sabia já estava bêbado de mais para explicar como se chegava lá. Ela já estava começando a ficar em desespero, seu amor já devia a estar esperando.

Ele estava pronto, havia pego apenas uma trouxa de roupa, não achava necessário levar muitas coisas, sabia que conseguiria o que precisasse lá. Iria por um caminho diferente do de Hérmia, havia o risco de serem pegos ‘viajando’ mas pior que isso seria se fossem pegos ‘viajando’ juntos. Mercúcio não estava pronto para ser separado de Hérmia para sempre. Seguiu a viagem a cavalo. Ao chegar em Mântua, o dia já havia raiado, ele foi direto para a taverna do Braw, sabia sua localização exata, tentou explicar para Hérmia, mas como ela nunca havia estado lá foi muito complicado, no fim das contas resolveram que ela sairia perguntado às pessoas até achar, e não descansaria até encontrar com seu amado.

Hérmia estava muito cansada, mas não iria desistir, o dia já havia raiado, agora ficava mais fácil de ler as placas dos bares e tavernas, é quando ela avista uma placa meio ruída, a porta de entrada da taverna estava acabada e lascas de madeira já havia desaparecido. Seu coração começou a bater cada vez mais acelerado, era a taverna do Braw, só podia, ela sentia... quando estava chegando perto, perto o suficiente para ler, letras pintadas com uma tinta que já estava descascando, leu: Taverna do Braw. Não pôde se conter de felicidade, foi determinada até a entrada, mas algo a puxou, um homem horrível e barbado a puxou para uma viela, a deu um soco e ela desmaiou.

Mercúcio parou o seu cavalo em frente a Taverna do Braw, enquanto amarrava as rédeas em uma madeira que havia ali, exatamente para isso, viu um homem barbado, com profundas olheiras e com ar carrancudo saindo de uma viela, ele estava correndo com uma bolsa grande nas mãos, desceu a rua e sumiu da vista de Mercúcio, ele presumiu que era mais um bandido, afinal Mântua não era lá um exemplo de cidade perfeita. Mercúcio adentrou a taverna, apenas haviam boêmios (que já estavam de partida), alguns bêbados, algumas dançarinas... exatamente como uma taverna fica logo ao amanhecer, com apenas o vestígio de uma noite de bebidas e mulheres. Mercúcio percorreu o olhar pela taverna, nenhum sinal de Hérmia, então logo pensa: “Será que havia se perdido?” “Será que se machucou pela viagem?” “Será que foi abordada por algum desses bandidos por aí?” Logo tentou afastar tais pensamentos da cabeça, Hérmia estava bem, nada aconteceu com ela, ela iria chegar mais cedo ou mais tarde.

Depois de receber um soco desmaiou, o bandido levou tudo que ela tinha. Não acordou depois, como estava cansada sem querer emendou o sono com o desmaio, ao acordar havia algo sobre si, ela afastou, eram uns panos velhos e umas caixas que foram largadas, deduziu que o bandido colocou isso nela para que ninguém a visse, ou achou que ela morreu e escondeu o corpo, Hérmia toca em seu rosto, estava inchado e dolorido, olha ao redor, era inútil pois sabia que ele havia levado sua mala, rapidamente ela coloca a mão no pescoço. O colar que Mercúcio havia lhe dado ainda estava lá... pelo menos isso. Ela levanta-se, agora é que notara que já estava de noite. Ela começa a caminhar pelas ruas, estava com fome, suja, e havia se desencontrado com Mercúcio. De um impulso ela resolve entrar na taverna, olhou em volta mas não havia sinal dele. Tudo dera errado.

Nunca mais se encontraram. Hérmia conseguiu um emprego como camareira, logo depois de um tempo a família para a qual trabalhava resolveu mudar-se para outra cidade, uma que ficava muito longe de Viena, e mais longe ainda de Mântua. Já haviam se passado 3 anos, e não havia encontrado Mercúcio, resolveu seguir com sua vida, desolada, mas seguiu.

Ele a procurou durante todo o dia... nada encontrou. Passou dia e noite, noite e dia, era incansável. Nada achou. Ele conseguiu um emprego como garçom na taverna, ele ainda possuía esperanças de que ela apareceria qualquer noite dessas na taverna, porém, ela nunca foi. Mercúcio já havia procurado por toda Mântua, passara-se um ano desde então... nada de Hérmia. Apenas depois de 5 anos ele desistiu e seguiu com sua vida, casou-se e teve filhos.

Estava de noite, Hérmia estava apenas à luz da lamparina, sentada à mesa de seu quarto na nova casa da família onde trabalhava, pegou um pergaminho, uma pena e começou a escrever... escreveu sobre a história do amor impossível que tivera... enquanto escrevia chorava, e uma das lágrimas borrou uma palavra, no mesmo pergaminho ela explicou o que era aquilo, depois de muito escrever ela assinou:

- Hérmia Capuleto

Guardou sua história consigo para apenas mostrá-la aos seus filhos.

2 comentários:

Anônimo disse...

nossa!!! por enquanto, eu só li a primeira página, que pena que els não conseguem ficar juntos!!! mas, sua historia é bem bonita, eu estou gostando... mas tarde passo para terminar de ler..

Késsia disse...

Amei o primeiro capítulo Thaís!
Que pena eles não terem ficado juntos, mas vou continuar lendo o resto!