De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Capítulo 2 (2ª parte)

O resto do dia se passa por aulas normais e mais uma aula do John Alucinado. Antes de tocar para largarmos, Rita a Coordenadora Pedagógica, tem cabelos pretos e curtos, olhos castanhos, sempre muito gentil e compreensiva entra na nossa sala para dar um comunicado:

- Bom Dia 1ª ano! Antes de tudo, Bem vindos de volta alunos antigos, e sejam bem vindos novatos! Lembrando que agora que não são mais ensino fundamental, são ensino médio e isso exige responsabilidades maiores ainda, - ela realmente tinha que lembrar não é? – agora sem mais delongas – ainda tem gente que usa essa expressão? – a diretora teve uma idéia muito boa. Ela quer fazer uma festa em nossa escola, algo como um baile de Máscaras, outonal. – TA BRINCANDO? – então no dia 11 de outubro, que cairá num sábado, estará sendo feito um baile de máscaras aqui na escola, para a diversão dos alunos e boas vindas ao novo ano, para o ensino fundamental será das 18:00 à 00:00 e para o ensino médio a festa começa ás 22:00 e termina às 04:00. Espero que todos compareçam, podem trazer familiares, mas só até 2, - já sei quem são! - fantasias liberadas, mas por favor sem extravagâncias, e fantasias compostas por favor! – Foi bom avisar mesmo, tem gente que viria de prostituta se pudesse – Só há uma regra em todo o baile de máscaras – tava bom de mais mesmo... – Ninguém, eu repito, NINGUÉM pode retirar a máscara durante todo o baile, claro podem se falar, dizer quem são, mas não podem tirar as máscaras – isso não é exatamente uma regra, isso é a graça do baile de máscaras! - e para melhorar, não precisa pagar nada! - NEM QUERIA!!!!! – Obrigado a todos! E compareçam!

Aiaiai!!! É claro que eu vou estar lá não é? Vai ser ótimo! Baile de máscaras, ninguém vai saber quem é quem!

-TRRRRRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM...

Finalmente! Despeço-me das meninas e sigo correndo em direção ao portão da frente, com certeza Jeff já estava a minha espera, droga ai vem a pior parte, o corredor crítico, ei... sai da frente... aii... licenç... AAAAAAAAAAHHHHHH, ISSO É UM NARIZ!!

- Aiii, me desculpa! – desculpo-me.

Dou de cara no tórax de nada mais, nada menos que Andrew, caramba que peitoral duro! Olho para cima, com a maior cara de cachorra pidona, e encaro os olhos dele, nossa como eram verdes e penetrantes, ele está me fitando, não com o olhar que eu vi ontem, mas com um olhar zangado, de quem está odiando me ver e fala:

-Eiii, olha por onde anda, para não ficar esbarrando por aí por causa dessa sua pressa.

QUE CARA IGNORANTE! EU PEDI DESCULPAS! SERÁ QUE ELE NÃO SE TOCA QUE EU SEI QUE ESTOU ERRADA? QUE EU SEI RECONHECER ISSO? QUAL É A DELE? SE ACHA DE MAIS PARA RECEBER DESCULPAS...

-Lú-u... – Ai MEU DEUS! ME DIGA QUE NÃO! – Cê ta bem? – PUTA MERDA! ESSA MENINA AGORA NÃO, AGORA, NÃO!

-Estou ótima sim, obrigada pela preocupação Wanessa – não sei como consigo mais falar calmamente, eu quase sempre me controlo para não descontar o meu estresse em alguém, acho isso injusto de mais... Estou revoltada e antes de sair, olho para Andrew e digo:

-Olha, se você é tão alto suficiente assim que não pode receber um pedido de desculpas, não posso fazer nada, estava com pressa sim, aceito os meus erros, e você aceita os seus?

Eu realmente falei isso? Aqueles olhos ainda me olharam meio sem entender... GRRR, qual o problema comigo? Falo outra língua a não ser inglês? Estou falando grego por acaso?

Adoro discutir quando estou certa, é que nem um tratamento, agora o que mais pode acontecer comigo hoje?
Reparo que quando vou embora, a turma dele está tirando a maior onda com ele depois do meu fora, acho que nunca mais ele esquece da minha cara, sei que foi um fora merda, mas acho que ninguém nunca o desafiou assim na frente da “turminha” dele. Chego ao portão e vejo o Jeff, meu nariz ainda dói, já sabia... Iria passar o dia inteiro doendo, entro no carro do Jeff, nossa... Esse cheiro de menta realmente me deixa bem mais calma, durante todo o caminho eu fui falando da prepotência de Andrew, e Jeff rindo da situação! RINDO! LERAM? RIN-DO! Finalmente chego em casa, cumprimento Ferdnando, atravesso o jardim que nunca me parecera tão vivo e cheio de flores como naquele dia, passo pelo Hall, acho que Sam acaba de passar por aqui, estava brilhando, entro no elevador e aperto o botão do 5ª andar, enquanto espero subir vou observando o ponteiro ir mudando de números, mostrando os andares passando:

-1ª...
2ª...
3ª...
...

O elevador parou? Como assim? Espero durante, ao que me parece 10 minutos, mas com certeza deve ter sido uns 10 segundos, moro aqui a 7 anos e isso nunca aconteceu, ai meu Deus! Odeio lugares fechados, aiaiaiaiai
SOCORROOOOO, ALGUÉM ME AJUDEEEEEEEEEEEEE
AAAAAAAH

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH, ALGUÉM ME AJUDEEEE, SOCORROOOOOOOOOOOOOO, ESTOU PRESA NO ELEVADOOOORR, PELO AMOR DE DEEEEUSSSS SOOOCORROOOOOO AAAAAHHHHHHH...

AAAAAAAAAIIIIIIIIIIIII, aiaiaiiaia, espera, isso são passos? AMÉN...

- Quem é que está aí?? – aiaiai, sim é a voz do meu amado irmãozinho, santo Daniel

- DAAAAAN, SOU EU A LUCY, SOCORROOOOO, EU NÃO SUPORTO LUGARES FECHADOS!!!

-KKKKKKKKKKKKKKKK, CAL... KKKKKKKKK, JÁ TO IND... KKKKKKKKKKKKK, INDO FALAR COM... KKKKKKKKKKKK, O SAM! – a filho da mãe, eu aqui em desespero e o outro rindo!

-Craaaaaanc... Praaaaaaanc – o elevador fez realmente esse barulho?

-AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH, SOCORRO...

Não quero morrer tão novaaaaaaaaaa... Aii... o elevador ta subindooooo, Graças. Entro em casa voando to parecendo uma louca, minha mãe vem e me abraça, falando:

- Minha filha, você está bem? – O QUE ELA ACHA?

- Não, mãe... não gosto de lugares fechados... MAS O QUE FOI QUE ACONTECEU NESSE ELVADOR?

Daniel aparece na sala, rindo que nem uma hiena, e que vontade de arrancar o coro da hiena, e transformar em um belo tapete!

- Mãe...kkkkkkkkkkkk... Ela é claustrofóbica... kkkkkkkkkkkk, houve um pequeno problema no elevador, e ele falhou ao passar do 3ª para o 4ª andar... kkkkkkkkkkk... Menina, - ele se dirige a mim - se controla, não ia acontecer... kkkkkkkkkkkkkkkk, nada não!

- GRRRRR O QUÊ? EU QUASE MORRO LÁ DENTRO, E EU NÃO SOU CAUSTROBICA, CAUSTROBLICA, CAUSTROFOBICA... AAAAAAHH ESSA COISA NÃO!!!! – dane-se como se escreve essa merda, era realmente só isso que faltava, um motivo para Daniel tirar onda com a minha cara por pelo menos um mês, GRRRRR, só porque odeio ficar em lugares fechados por mais de 10 segundos, ele me chama de caustro... craus... caustrofo... GRRRRRR, sei lá! Dou um tapa na cabeça dele e vou até o banheiro, tiro a minha roupa e me jogo em baixo do chuveiro... uffs... Como é relaxante... Até já esqueci a dor do nariz...
Terminado o banho vim direto para o meu quarto por uma roupa bem folgada, e agora estou fazendo esse exercício de literatura, depois de uma aula sacal com o John Alucinado, apesar de tudo o assunto até que não é tão ruim assim, ele nos pediu para ler Romeu e Julieta de William Shakespeare (é tão linda a história deles... penas que não ficam juntos) e depois fazer a ficha que ele passou, como eu já li nas férias, não tinha mais nada para fazer, então fui ler.E depois vou fazer o exercício de matemática, o professor é ate legalzinho, o único problema é que ele pensa que todos ADORAM matemática, está facílimo de fazer sou boa em cálculos, sempre me dou bem, mas que está um saco... Ah isso está! Olho para o relógio já marcam 16:00, como não tenho mais nada para fazer, acho que vou para o computa...

- Lucyyy... – é a mamãe - meu amor, tenho que sair, vou trabalhar, me chamaram para fazer um arranjo extremamente especial, lave a louça O.K.? – ta legal mamãe amada (estou sendo irônica SIM!), mas só daqui a 2 horas! – e faça agora!

- Poxa mãe, eu ia pro compu...

- Eu disse agora.

O que foi agora? Ta lendo a minha mente? Que absurdo. Parece que não vou para o computador agora... Saio do meu quarto, definitivamente hoje não é o meu melhor dia, chego na cozinha, encontro uma pia do meu tamanho, olha que sou meio altinha, acho que meço 1,67cm, lá vai Lucy, a sua vida de escrava. Não é possível, moro em Vauxhall e me sinto uma judia em plena Alemanha, na época do nazismo.

Nenhum comentário: