De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Capítulo 8 - Que vontade de nada

N/A: Henrique, realmente, foi o carnaval! Se gostou de um outro aspecto sem ser o de Lucy então vai adorar o capítulo 10. Por enquanto é só isso que posso falar. E ah... o capítulo 8 é um tanto triste. Beijos!

A sexta-feira amanhece chuvosa, minha janela está embaçada pela névoa, está particularmente frio hoje, graças ao aquecedor do meu quarto que resolveu quebrar e a potência diminuiu, hoje não foi o despertador que me acordou, e sim pensamentos que na verdade não permitiram que meus olhos se fechassem, e mesmo que os tivesse deixado, estes não conseguiriam porque as lágrimas brotavam dos meus olhos e escorriam pela minha face indo por fim terminarem no meu travesseiro, não me achem uma pessoa preconceituosa, não sou, não estou assim pela pequena Lily, mas tentar ter noção de como será a vida dela me deixa triste, não por ela ter uma doença congênita, e sim pelas pessoas que terá que encontrar durante toda a sua jornada... Ela é capaz de tudo como todos, mas não será fácil surgirem oportunidades para ela, se a vida foi dura e ainda é comigo as vezes, eu que pelos dizeres do povo sou “normal”, para ela devemos triplicar, ela enfrentará não só barreiras de preconceito, como também pessoas que não tem preconceito mas a acharão incapaz de realizar tarefas normais como qualquer outra pessoa que pelos dizeres também é “normal”. Falando sério, quem é normal? Ninguém é! As pessoas só notarão que ela possui um problema pelo aspecto físico que é comum entre pessoas com Síndrome de Dawn, mas se prestar atenção, meu nariz não é igual ao seu, nem o dela será, meu olho não é igual ao seu, nem o dela será, minha boca pode ser ou maior ou menor que a sua, a dela também, então sério mesmo... O que a torna diferente? A fala? O movimento? Que se dane a hipocrisia do mundo! Ela será tão normal quanto qualquer um de nós, e quem não a reconhecer como tal é porque sinceramente é tão incapaz mentalmente quanto a dirá ser, à essas pessoas só tenho um sentimento que definitivamente é o pior de todos: pena!
Em algumas horas da noite pude ouvir soluços, acredito ter vindo do quarto de Daniel, ele não viu problema algum, acho que ele já havia pensado nessa hipótese, ele apenas ficou muito preocupado com o fato de ser uma gravidez de risco, ou ainda não absorveu ou já pensou em cada coisinha que pensei agora, mas Kat, ela é fraca, e acima de tudo preconceituosa. Como pode ela, que terá uma filha da maneira como ela chamou “defeituosa”? Ela não merece ter a Lily. Lily superará todas as expectativas previstas, e eu à ajudarei no que ela precisar e algumas vezes nem vou ajudar, para que ela possa aprender com seus próprios erros.


Estou à mesa do café da manhã, estão “todos” no mais absoluto silêncio, quando digo “todos” é porque só está à mesa, eu Daniel e mamãe; Kat, eu já sabia que não estaria, mas papai foi uma surpresa, acho que ele ainda está na cama, mas ele sempre me disse que “É sempre importante levantar todos os dias pela manhã e tomar um bom café em família”. Sinto vergonha ao lembrar que havia marcado com ele hoje para comprar meu vestido, acho que não terei coragem de lembrá-lo que é hoje que iremos à Madeimoselle Chick... Ah, já não é mais tão importante! Termino o café e ligo para Jeff, depois arrumo minhas coisas, despeço-me de mamãe e dou um beijo na face de meu irmão, meu beijo teve significado o qual ele entendeu porque olhou pra mim e me retribui com o mesmo, ele sabe que pode perder a filha amada a qualquer instante. Desço as escadarias, não uso o elevador porque hoje necessito de movimento, e não de ficar parada olhando minha própria imagem refletida na droga de um espelho de elevador. Quando chego na portaria Jeff acabara de chegar, caminho pacientemente e entro no carro, ele me cumprimenta com o matinal bom humor:

- Bom Dia! Srta. Filliart!

- Dia..

Foi o único som que minha boca seca foi capaz de emitir, e o mesmo nem foi tão forte assim, fico me perguntando se Jeff realmente ouviu algo, e se ouviu se entendeu a amargura que tais palavras conseguiram expressar, não digo só por mim, porque consegui absorver toda a preocupação de todos em minha casa.
Quando chego no colégio as meninas me cumprimentam normalmente, e Georgie pergunta:

- E aí Lucy, como foi a ultra-som da Kat ontem.

“- Nossa Georgie, Kat adorou as notícias e tudo está correndo bem com a gravidez, já até marcaram o dia do parto!”

Seriam as palavras que eu adoraria dizer á ela, mas a única coisa que sai é um grito abafado de tristeza, e lágrimas que começaram novamente a escorrer pela minha face... Recebo o abraço das três, e... Por um breve segundo tudo parecia estar bem. Tudo foi explicado, e no momento em que acabei o sinal tocou, e todos começaram a entrar na sala, meu rosto ainda estava inchado devido as horas de choro e angustia, meus olhos com olheiras assustadoras, eu realmente estou em um estado deplorável.
As aulas começaram, o aquecedor está fazendo um barulho contínuo e irritante, a professora tenta falar mais alto para superar o som, mas ninguém está a fim de prestar à mínima, que seja atenção nela, acho que todos devem estar esperando pelo sinal tocar avisando a última aula para fim da primeira semana de aulas, daí todos vão para as suas casas cuidar de seus problemas que são menores ou até maiores que os meus. Tudo está tão chato, Mina ao invés de pelo menos fingir que está prestando atenção na aula está se maquiando (FÚTIL), Georgie está escrevendo suas poesias, sim ela escreve poesias, Rachel está olhando fixamente para a professora, a Funnie está remexendo com o piercing em sua língua (acho que colocou ontem, ou eu não tinha reparado mesmo), e eu... Bem eu estou com um humor terrivelmente sarcástico, quando fico triste e não posso ficar só na minha depressão em paz, fico assim, às vezes trato alguém mal, mas no outro dia vou logo pedindo desculpas, fico com peso na consciência.
Olho para o lado de fora da sala (a porta é de vidro) e vejo que continua chovendo, penso que agora o Dan deve estar levando a Kat para o hospital, a família inteira parece que perdeu a vontade de viver, todos apreensivos com essa criança, queremos todos saber se... se ela vai viver ou morrer...
- SENHORITA RONDON, EU ESTOU FALANDO COM A SENHORITA! – hãn... mas o que é essa por...

Acordo com a professora de francês me dando um berro, olho ao redor estão todos olhando pra mim agora, penso que eu devo estar com uma cara amassada de quem estava dormindo tranqüila, mas aí pronto, chega este dragão de professora para me torrar o juízo, eu estava quieta sem fazer barulho na sala dela e ela ainda me acorda em baixo de gritos. Isso não foi legal.

- Srta. Rondon me explique isto por favor? – ta legal, deixa comigo dragãzinho nanica.

- O.K. eu vou explicar. De acordo com a biologia, o sono é decorrente do cansaço do corpo e da mente, e claro devido a esses fatores importantíssimos é que uma pessoa dormi. Dormir, ato de fechar os olhos e perder a percepção das coisas ao redor, podendo a até formar imagens com continuidade na mente chamados também de sonhos. Explicado ou ainda restam dúvidas? – todos na sala estão passados e ainda tem gente rindo, isso ta demais.

- Srta. Rondon, me respeite. Como ousa me desafiar desta maneira em frente a sua sala, repleta de seus amigos. Acredito que terei que lhe passar um castigo, acho que ir para a sala de Rita ter uma conversinha lhe fará bem. – HÁ HÁ HÁ

- Ah, fala sério. Eu vou ter que ouvir aquelas lições de morais mais uma vez eu já sei tudo decorado! Não obrigado eu não quero e nem preciso. E ah sabe o que é isso? – deixei minha mão meio fechada, fazendo assim com que a pele da palma ficasse comprimida, então falei – São rugas de preocupação com a senhora ou qualquer outra pessoa dessa escola.

Falando isso saí da sala derrubando o que estivesse na minha frente, e ao sair fui aplaudida calorosamente pela sala de aula, aff, quando eu voltar vão ficar me dizendo aquelas coisas muito chatas do tipo: “Nossa Lucy, que coragem”, “Lucy nossa heroína”, “Que é isso Lucy se rebelando?”. Ai que saco!

2 comentários:

Anônimo disse...

Mais outro capítulo excelente. Acho que esse foi o que eu mais gostei até agora, a primeira parte do capítulo foi a melhor, parece que você partilha dos mesmos sentimentos que a Lucy. E estou ansioso pelo capítulo 10. E nada como o Carnaval pra movimentar um fim de semana, o meu também foi assim... E se eu fosse você, levava esse hobby a sério, porque talento você tem de sobra.

Anônimo disse...

PS:Tens msn?(claro que deve ter. XD)Se tiver, me adiciona aí por favor.
henrique_bsouza@hotmail.com