- Agorra, porr favorr, façam duplas, farremos um trrabalho que devíamos fazerr com todos que conhecemos, mas isso serria meio estrranho de se fazerr com cada estrranho na rrua – esse “r” dela puxado...kkk...eu não me agüento...
Faço par com a Sra. Watson, desde o meu 1ª dia de aula (que foi ano passado), faço aquelas aulas com algumas pessoas de sempre, Sra. Watson, tem uma cabeleira branca, deve ter uns 62 anos, e com o Jerry, que é um cara muito, muito, MUITO lindo, acho que ele poderia ter qualquer garota que quisesse... se ele não fosse gay!
Claro faço aulas com mais gente a esse tempo, mas os meus amigos lá, eram esses dois. Paro em frente a Sra. Watson que me da um sorriso carinhoso, só retribuo, lá vem Monique de novo:
- Farremos um rreconhecimento facial, querro que fechem os olhos, e cada um com a mão que menos usam durrante o dia, comece agorra a escorrerr os dedos pelo rrosto do outro... cuidado! Sem machucarrem ninguém. – ADOREII
Ela começa, na verdade foi meio esquisito, sentir uma mão meio desajeitada percorrendo o seu rosto, ela começou na minha testa, passou um tempão, depois foi aos meus olhos, passou para o meu nariz, depois minha boca, passou também um tempão no meu queixo, coisa esquisita.
Minha vez começo então a passar a mão direita (sim sou canhota) pelo rosto da Sra. Watson, é estranho utilizar uma mão que às vezes nem parece existir, posso sentir uma baixa quando vão se chegando seus olhos, seu nariz é maior do que eu imaginava, seus lábios são finos, e no lábio inferior do canto esquerdo ela possuí uma cicatriz, ou algo parecido, pela textura da pele é o que parece ser, continuo tateando, posso sentir cada ruga, cada linha de expressão, parece até um filme, eu fico imaginando como ela conseguiu cada linha daquela... esta grande na testa seria porque quando seu filho tinha mais ou menos a minha idade, ele saiu de casa a noite e ela ficou preocupada passando a noite acordada em desespero a sua espera? E essa ao lado do olho, seria porque ficou muito preocupada com a nora quando esta estava tendo seu primeiro neto? Nossa, como uma pessoa pode sentir o quanto outra viveu só pelo toque não é?...
- Cerrto gente, acho que porr hoje é só, obrrigada! Até semana que vem! – Parabéns, Monique! Você acaba de atrapalhar a maior viagem que eu já fiz no rosto de uma pessoa.
Pego minhas coisas, e vou até a Sra. Watson, fiquei curiosa sobre de onde ela conseguiu aquela cicatriz, espero que ela não me acha uma enxerida na vida dela, só fiquei curiosa. Vou me aproximando dela e pergunto meio acanhada:
- Desculpe, Sra. Watson se estou sendo intrometida, mas pude sentir uma cicatriz em seu lábio inferior que nunca havia reparado como a senhora conseguiu? – estou esperando ela gritar olhando para mim que eu devia tomar conta da minha vida.
- Ah, haha, minha filha, aposto que sentiu muitas rugas também... mas essa cicatriz eu consegui quando tive meu primeiro filho, foi no parto normal, e ele estava bem gordinho, o tive na minha casa, quem me ajudou foi minha mãe, que Deus a tenha, senti tanta dor que mordi o lábio, mas não tinha idéia da minha dor, hehehe, pode rir, na hora eu nem me toquei do que havia feito, depois que já havia descansado do parto que fui levada ao hospital foi que me dei conta, e ri demais depois... mas minha filha, em você eu senti uma felicidade na sua expressão... heheh! Está mesmo feliz assim ou eu estou ficando caduca? – Ela é o que? Vidente?
- Hahahah, claro que não Sra. Watson, a senhora não esta caduca coisa nenhuma, eu é que estou feliz mesmo, vou ter um sobrinho... na verdade não sei ainda o sexo do bebê!
- Ohh, que lindo! Quero vê-lo um dia! E avise para a mãe, que se for ter parto normal, não morda o lábio – Ambas rimos juntas.
Ela saiu, vou descendo as escadas e pensando naquela aula, tenho que fazer isso mais vezes! Quando já estou fora da CLA, vejo Monique fumando e olhando a praça que ficava de frente para o CLA, com os olhos inchados... ESPERA! ELA ESTÁ FUMANDO? Sei que já me intrometi de mais por hoje na vida alheia, mas agora fiquei preocupada:
- Hãm... Monique, você está bem?
- Ohh... – ela parecia surpresa em me ver ali, acho que estava pensando, o que essa loira sem graça e pirralha pensa que está fazendo ali xeretando a vida dela – oui, clarro Lucy,estou bem oui, não se preocupe.
- Olha, qualquer coisa que quiser desabafar, falar, gritar, pode me procurar, estarei sempre aqui, está bem? – Nossa, viro outra pessoa quando alguém está triste, adoro escutar problemas dos outros, não que isso seja lá desses programas ótimos, mas saber que posso ajudar alguém que eu gosto, é muito gratificante.
- Oh, Lucy, semprre tão cuidadossa, obrrigada, está bem. – é... nem parece a mesma Lucy que estava tendo pensamentos sádicos com um pirralho na escola!
Dou um beijo nela e saiu, acho que ela prefere ficar só agora, parecia estar chorando, e eu sinceramente nunca a vi fumando, foi realmente uma cena chocante!

Um comentário:
Thaís, você está de parabéns por essa história. É brilhante, comecei a ler, não consegui parar até terminar e vou continuar lendo o que você postar. A protagonista, Lucy, é uma personagem fascinante, divertidíssima ela. Você tem muito futuro, continue assim.
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