De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Capítulo 20 - O susto de Lucy

O treino já estava começando, Xavier nos posiciona e começamos com alguns golpes simples, olho para Lucy, ela está muito pálida... Será que está doente? Do nada ela cai do banco, corro em sua direção, a pego no colo:

-LUCY! LUCY, acorda... Vamos... – ela não esta reagindo, começo a entrar em desespero – LUCY! ACORDA! – olho para Xavier que esta assistindo a cena com uma cara preocupada, então digo-lhe – Xavier ela desmaiou do nada. Treino outro dia a levarei ao hospital.

Saio feito um louco com ela nos meus braços, preciso ir ao hospital mais próximo, estou correndo pelas ruas feito um louco com uma garota desmaiada em meus braços, ela mesmo assim está linda, serena... Mas minha preocupação toma conta de meus sentimentos, quando vejo um táxi passando na rua corro para a frente dele, ele pára buzinando:

-Moleque doido, saia já da minha frente!

-Por favor, para o Hospital mais próximo, minha amiga desmaiou. Pelo amor de Deus. Me ajude

-Esta bem. Entre.

Entro para o banco de trás com ela em meus braços, parecia tão frágil. O taxista me pergunta:

-Ela é sua namorada meu rapaz?

-Não. Apenas minha amiga.

-Você parece gostar muito dela.

-Eu a amo.

Depois disso ambos ficamos calados. Enquanto o táxi nos levava até o hospital resolvo mexer em sua bolsa atrás do telefone de sua casa. Acho seu celular, procuro na agenda e finalmente encontro, disco, uma voz masculina atende:

-Alô?

-Ah, oi. Aqui é Andrew um amigo de Lucy. Ela está passando o dia comigo, mas do nada ela desmaiou, estou levando-a para o hospital... – olho para o taxista pelo retrovisor que estava acompanhando a conversa, ele me fala que é o Hospital Santa Edwiges – Santa Edwiges.

-Como assim? O que aconteceu?

-Não sei. Ela de repente desmaiou, já estava bem pálida hoje mais cedo.

-Acho que já sei o que foi. Ah é, sou Daniel irmão mais velho dela. Estou indo para lá.

-Está O.K. Tchau.

Desligo, ele até que foi bem legal. Se fosse comigo, começaria a gritar com o cara pensando em coisas horríveis que ele poderia fazer com minha irmã. Esse não foi o melhor jeito de conhecer meu futuro cunhado. Rio, e depois me sinto culpado em achar graça em uma hora dessas. Estou preocupado, do nada uma lágrima escorre pelo meu rosto, a enxugo, eu estou chorando. Chego mais perto do rosto dela, pálido, consigo ouvir sua respiração, e isso já me acalma bastante, chego bem próximo de sua boca e sussurro:

-Não faz isso comigo Lucy. Não me deixa preocupado assim.

Mais uma lágrima cai, dessa vez em seu rosto a enxugo. Eu poderia beijá-la naquele instante... Mas não seria sacana a este ponto, não seria justo. Quero beijá-la apenas no dia em que ela também o quiser. Retiro uma mecha loira de seu cabelo da frente de seu rosto, como ela é linda em qualquer circunstância. Do nada o táxi pára e avisa:

-Chegamos meu rapaz.

-Olha, eu não tenho dinheiro agora, estou de kimono. Mas pode passar na academia de Judô Thompson.

-Não tem problema meu rapaz. Você estava em desespero pelo seu amor. Tudo bem. Cuide dela.

-Nossa, muito obrigado. Cuidarei sim.

Nossa, esse cara realmente foi gente fina, entro feito um louco no hospital, corro para a ala de urgência, chego na balconista e falo:

-Quero um médico agora. Minha amiga desmaiou do nada.

-Calma, precisa passar pelos procedimentos padrões. Qual o nome dela?

-Pelo amor de Deus, não sabe que é perigoso um desmaio? Quero um médico, depois preencho todos os papéis que quiser.

-Entenda rapaz. Este é um hospital particular, temos regras por aqui. – qual o problema dessa recepcionista?

-EU QUERO A PORCARIA DE UM MÉDICO AGORA!

Um senhor todo de branco aparece e fala:

-O que foi meu rapaz? Não precisa de toda essa gritaria aqui.

-Ela desmaiou já faz algum tempo. Pelo amor de Deus cuida dela.

Ele concorda com a cabeça e chama alguns enfermeiros que a colocam numa maca, e a levam, ele me olha:

-Quando você puder vê-la, voltarei e lhe chamarei.

Ele vai te a recepcionista e fala:

-Sarah. Esta é a ala de urgência. Primeiro atendemos o paciente, depois fazemos a parte burocrática deste hospital. Agora pode falar com o rapaz.

-Sim. Desculpe-me Dr. – bem feito!

Ela me olha e começa:

-E então? O nome dela?

-Lucy Rondon.

-O nome completo

-Ahn... – não sei ao certo. – espere, vou até a bolsa dela e procuro em sua carteira a carteirinha de estudante, lá estava – Lucy Becky Rondon Filliart – que nome grande

-Idade?

-16 anos.

-O convênio?

-Não sei. O irmão mais velho dela já esta chegando.

-O que é dela?

-Ahn... Amigo.

-Sente-se, quando o irmão dela chegar me avise.

Fico sentado, impaciente, guardo as coisas dela em sua mochila e fico com ela no colo. Um rapaz de cabelos castanhos, alto e forte chega e pergunta por uma Lucy que teria dado entrada agora, corro em sua direção:

-Oi. Eu sou o Andrew. – o cumprimento

-Sou o Daniel. E então, como ela está?

-O médico a levou. E disse que quando pudermos vê-la, ele nos chamará.

-Está bem... Você estava chorando? – ele me pegou de surpresa

-Bem... fiquei preocupado...

A recepcionista nos interrompe:

-E então? Você é o irmão dela – fala olhando para Daniel

-Sim sou eu.

-Qual o convênio dela?

Enquanto Daniel terminava o formulário para aquela recepcionista sebosa, fiquei sentado com a mochila de Lucy. Nossa... Nunca pensei que fosse ficar tão preocupado. Será que ela estava doente? Será que possuía algum tipo de doença esquisita? Será que fui o culpado por deixá-la sem almoço? Mas afinal era apenas meia hora... Estou me sentindo um lixo. O culpado dos culpados. Quando Daniel termina, ele vem e senta-se ao meu lado:

-E então? O que aconteceu?

-Nós fizemos um acordo de passarmos a semana juntos... É uma longa história. Então hoje a levei para um treino meu de judô, por isso o kimono, mas era coisa de meia hora ou até menos. Depois íamos almoçar. Mas quando estava lá no treino ela estava meio pálida... E do nada ela desmaia, fico feito um louco, a pego e corro para cá. O taxista nem cobrou pela corrida.

-Muito obrigado. Mesmo. Fiquei preocupado. Minha irmã estava nas mãos de um marmanjo que eu nem conhecia. Consegue imaginar o meu desespero?

-Consigo sim. Também tenho uma irmã mais nova. Mas você havia dito que achava que sabia o que foi?

-Pois é. Ela não comeu nada de manhã em casa. Disse que estava começando uma dieta. Disse que passaria o dia sem comer. Ninguém lá em casa acreditou, acharam que ela estava apenas brincando, mas eu fiquei com um pé atrás. Lucy tem cisma de que precisa emagrecer.

-Ela não precisa disso. Já é linda. – ele me olha com uma cara – Ah... Não é nada do que está pensando. Mas eu acho a Lucy linda já do jeito que ela é.

-Vocês... por acaso... Já ficaram ou coisa do tipo?

-Não. Ela não quer. – olho para ele. Acho que ele agora tem pena de mim.

-Ela é difícil de se entender. Você gosta dela? Mesmo?

-Muito. Mas fazer o que... Só com o tempo ela descobrirá isso.

Ele sorri e me da uma tapinha nas costas, acho que de consolo. Ficamos conversando por algum tempo, contei como cheguei lá, que havia me jogado em frente a um táxi para ele parar. De repente o doutor Que a levou aparece e vem falar comigo:

-Bem rapaz. Eu sou o Dr. Ringo. O que a paciente é sua?

-Minha amiga Dr. – aponto para Daniel - e este é o irmão dela.

-Bem - o doutor continua – colocamos ela no soro, e daqui a pouco ela deve acordar. Desmaiou porque estava fraca de mais. Acho que é mais uma adolescente que tenta emagrecer sem orientação de um nutricionista. Apesar de ter visto que ela não precisa. Ela é saudável. – Graças a Deus – e então. Querem vê-la?

Ambos concordamos com a cabeça e seguimos o doutor, graças a Deus ela estava bem... Mas ela só pode ser louca mesmo. Uma dieta doida dessas... E ela não precisa, tem um corpo lindo. O que eu não daria para acariciá-lo... Olho para o lado e Daniel estava lá. Engulo em seco... Estava tendo pensamentos sobre a irmã dele. Mas acho que ele viu o quanto gosto dela. É, parece que já conheço metade da família de Lucy.

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