De Cereja

De Cereja
Conseguirão eles finalmente encontrar a paz depois de séculos?

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Capítulo 15 - 1º Dia

Depois daquele momento tenso, o sinal tocou, e antes mesmo de nos despedirmos direito, dei um leve “tchau” e sai dali rapidinho. Não posso negar que ele é lindo, mas já é convencido o suficiente para que eu diga isso a ele. Quando ele chegou bem perto pude sentir seu cheiro, um cheiro de homem... Não sei explicar como é, é como o que sinto em Daniel, ou no papai. Mas nele... Havia algo mais, um cheiro além do perfume, não sei dizer o que era. Só sei que era extremamente bom... Uffss... Nossa.

Ao sair da sala na hora da saída, ele já estava lá esperando por mim. Qual é a desse cara? Não tem mais nada o que fazer não? Ao sair Mina logo o vê e vai correndo em sua direção:

-Andrew. Veio aqui atrás de mim? Já sei, quer saber onde esta a Wanessa não é?

Andrew ri e fala:

-Da licença Mina. A pessoa que eu estou esperando já está bem aqui. E quanto a Wanessa – ele faz uma cara de nojo – não estou nem um pouco a fim de saber onde ela está.

Ele esquiva-se dela e vem em minha direção, ele está com uma das mãos na costas, ao chegar na minha frente me fala:

-Fecha os olhos.

-Mas por que?

-Vai fecha.

-Ta bem. – antes de fechar vejo que Mina está olhando atentamente tudo o que está acontecendo – pronto, fechei.

Depois do que me pareceu alguns segundos ele fala:

-Pode abrir.

Quando abro, tem uma florzinha, bem pequenininha das que tinham no jardim do colégio, na minha frente, então ele fala:

-Pra você. Eu sei que é pequena. Mas é em agradecimento ao seu sim.

Sorrio, pego a flor e agradeço. Eu sei que ela é pequena, mas foi tão fofo o gesto dele. Fomos caminhando à saída, e ao passar por Mina ela me lança o pior olhar que já me lançara em toda a sua vida. Aff... Deu medo, vai que aquela sapa nojenta lança uma macumba em mim... Deus me livre.
Quando saímos do colégio pergunto:

-Aonde estamos indo?

-Almoçar.

-Onde?

-Na minha casa.

Paro abruptamente. O fato de almoçar com a família dele, quando estava a algumas horas pensando coisas horríveis dele era constrangedor. Não posso. Morreria de vergonha. Ele olha para mim intrigado e pergunta:

-O que foi?

-É que, imaginar almoçar na sua casa, com a sua família toda lá. É meio esquisito. Acho que vou morrer de vergonha.

-Hahaha – ele ta rindo?? RINDO? Cara eu estou pensando na vergonha que eu vou ficar, e ele fica rindo – Me responde uma coisa?

-Diga

-Quando você foi conhecer os pais das suas amigas, você teve vergonha?

-Não. Por quê?

-Sabe o que é a vergonha? – faço que não com a cabeça – é quando você tem medo que alguém tenha uma má impressão de você. Então você fica com vergonha porque não sabe como agir diante daquela pessoa. Tem medo de fazer qualquer coisa errada. Porque tem medo de conhecer minha família?

-Ah – nossa, ele é inteligente – sei lá. Nunca é bom que alguém tenha uma má impressão de você.

Ele só ri e continua a andar, é, acho que vou almoçar lá mesmo, ligo para minha casa e aviso a mamãe que vou almoçar com um amigo. Em certo momento eu começo a me sentir a vontade com ele, como se eu pudesse falar sobre tudo:

-Sua mãe deve ter muito orgulho de você. Você parece ser um bom filho. Tem boas notas, é educado, cavalheiro, inteligente.

-Nossa. Obrigado pelos elogios. – droga. Não devia ter dito. Agora ele vai ficar se achando – minha mãe era muito orgulhosa de mim, ela vivia me dizendo isso.

-Porque você colocou no passado?

-Porque minha mãe faleceu ano passado. - POR FAVOR ALGUÉM ME ARRANJA UM BURACO PARA SOCAR A MINHA CABEÇA DENTRO.

-Nossa Andrew. Me desculpe, eu não tinha idéia.

-Tudo bem. Ninguém tem. Ninguém do colégio sabe.

-Nem os seus amigos?

-Não. Preferi não contar. Achei que talvez fossem ficar com pena de mim sabe. Me tratando diferente durante algum tempo. Não queria isso.

-Mas, e então... Quantos são na sua casa? – tenho que mudar logo de assunto. Um dia converso com ele sobre isso. Quem sabe quando formos amigos

-Somos quatro. Meu pai, William; meu irmão mais velho, Mike; e minha irmã mais nova, Gina. Ah claro sem esquecer de Benoit, meu Beagle.

-Ah, realmente agora estou lembrada. Eles estavam cheios de malas, e falaram comigo. – sorrio, e ele também – hãn... Seu irmão pratica algum esporte? – para ter aquele corpo, só sendo.

-Ele é professor de judô para crianças e eu faço judô.

-Ah, explicado seu tórax duro. – ele olhou para mim meio sem entender e vermelho, então logo explico – Sabe, no dia que você foi um bruto comigo... Que eu bati meu nariz no seu tórax.

-Ah... é mesmo. Havia esquecido. Fui tão rude com você que prefiro esquecer aquele dia. – ele faz uma carinha como quem pede desculpas, e do nada, ele me elogia – sabia que as suas sardinhas são lindas?

-Kkkkkkkk, porque falou nisso do nada?

-Você me elogia e eu te elogio. Ah, chegamos.

E realmente havíamos chegado, era o prédio da minha avó, eu nem tinha reparado, estávamos conversando como pessoas civilizadas agora.

O apartamento dele, obviamente, era igual ao de vovó, mas sabe que mudando os móveis fica parecendo outro lugar. A sala era clara, porém com um sofá escuro, tinha uma TV bem grande e preta, uma varanda imensa. Ao lado ficava a mesa, era preta e com vidro. Colocamos nossas bolsas em um armário que ficava ao lado da porta de entrada, depois o segui até a cozinha, lá estava o pai dele preparando o almoço, era um senhor bonito, tinha um porte atlético, mas possuía olheiras escuras, e já estava começando a ficar calvo. Andrew me apresentou a ele:

-Pai. Trouxe uma amiga para almoçar conosco hoje. – o Sr. William se virou para mim e abriu um sorriso. – Pai, esta é Lucy. – depois dirigiu-se a mim – E Lucy este é o meu pai, Sr. Cloney.

-Eu a conheço não?

-Ah sim. Foi a mim que o Sr. Cumprimentou ontem a tarde quando entrou no hall. É que a nova moradora do prédio, a do 3º andar, é a minha avó.

-Ah, claro. Não havia como esquecer de uma moçinha tão linda.

-Ah – que vergonha... devo estar super vermelha – Obrigada Sr. Cloney.

Andrew então pega na minha mão e me leva por um corredor, no meio do caminho somos interrompidos por Benoit pulando na nossa frente, ele era branco, e nas costas manchas marrons e pretas, é um cãozinho fofo, adorável, ele começa a pular na minha frente, olho para ele e pergunto:

-Meu amor... Sabia que você é o cachorrinho mais fofo que existe? - olho para Andrew – Uma vez eu tive um cachorro, mas ele morreu... O nome dele era Bob Marley.

-Você ainda tem que me contar essa história. – ele fala rindo.

Ele solta um meio latido e abana o rabo mais forte, olho para Andrew e ele apenas me fala:

-Não sei como, mas parece que ele entende o que falamos.

Benoit corre e entra numa porta que estava atrás de nós, depois olhamos para frente, havia uma portinha rosa, ele bate e fala:

-Gina? Tenho uma pessoa para você conhecer.

De repente a porta se abre com entusiasmo e uma menininha de cabelos pretos escorridos e um belo par de olhos verdes aparece sorrindo, Andrew solta minha mão, agacha-se, a beija na bochecha e cochicha algo em sua orelha. Depois levanta-se novamente e pega na minha mão, a menina me olha durante algum tempo e fala:

-É ela sim And. – Andrew sorri e confirma com a cabeça. Mas do que eles estavam falando afinal? A menina puxa a blusa da minha farda me fazendo ficar na sua altura – Qual o seu nome? O meu é Gina.

Sorrio, passo a mão em seu cabelo e falo:

-Eu sou a Lucy. Muito prazer. – ela sorri para mim e me da um beijinho na bochecha – Sabia que você é uma menina muito linda?

-É porque me pareço com o And. – kkkkkk, ah fala sério até a menina. Andrew também ri, mas continua nos olhando

-E então Gina. Me contaria um segredo?

-Sim – olho para o Andrew e ele parecia não entender.

-Gina, me conta... O que foi que seu irmão disse no seu ouvido – Andrew parece surpreso com a minha pergunta, mas minha curiosidade é maior que meu bom senso.

-É que... – ela me puxa ao ponto que somente eu vá ouvir o que ela vai dizer – tem uma menina que mora no coração do And. E ela brilha como o sol. – hã? Que papo é esse? – e ele queria saber se era você. – ela pegou numa mecha do meu cabelo e falou sorrindo – e é. Viu, brilha como o sol. Por fora – então ela coloca a mão no meu tórax – e por dentro. – Ele pagou a menina para ela falar essas coisas não foi?

Do nada ela pega o meu rosto e puxa para perto do dela, então ficamos olhando uma nos olhos da outra. Pelo canto do olho reparo que Andrew soltara a minha mão e agora estava abaixado ao meu lado assistindo aquela cena estranha. Ficamos por algum tempo ali, os olhos dela pareciam procurar por algo nos meus, como se fossem janelas abertas, só consigo lembrar do ditado: os olhos são as janelas da alma. Do nada ela sorri, me solta e fala:

-É engraçado.

Eu e Andrew perguntamos ao mesmo tempo:

-O que é engraçado?

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bom o capítulo. A Gina é outro personagem que me intriga, ela é uma criança muito especial, tão pequena e tão sábia, será que ela tem alguma coisa a ver com a irmã de Romeu? No mais, esse suspense é fogo, quero saber o que foi que ela acho engraçado.