Ao chegar em casa ontem, papai e Daniel me obrigaram a comer uma gororoba que Daniel havia feito, estava horrível, mas se não comesse seria o papai que iria fazer dessa vez... Então foi melhor ter comido aquela porcaria mesmo. E depois que contaram a mamãe ela ficou com ar de louca... Começou a falar coisas sem nexo, e tudo ao mesmo tempo para mim... Foi esquisito.
Hoje é quarta-feira, vou ao CLA hoje, avisarei ao Andrew que hoje o programa quem faz sou eu. Estou no carro do Jeff indo para a escola, fazia tempo que não saía com o Jeff, mas Daniel resolveu me trazer hoje à escola... Vai entender, ele ainda esta preocupado. Me viu tomar café da manhã hoje, mas parece que ainda não se convenceu. Enquanto estamos indo, resolvo falar sobre Kat:
-Dan, como está a Kat e a Lily?
-Elas estão bem. Kat anda tomando alguns remédios esquisitos, e alimentando-se corretamente. Todos os dias fazem ultra-sons para saber como está a Lily, ela parece estar bem, a doutora disse que o líquido amniótico não apresentou mais nada esquisito. Perguntei-a se a Kat já podia ir para casa, mas ela falou que é melhor esperar a Lily nascer para nós relaxarmos. E a Kat... Ela anda meio esquisita em relação ao problema da Lily... Sabe a síndrome de down... Acho que ela é meio preconceituosa... Só espero que quando a Lily nascer ela não invente de desgostar da própria filha. Eu nunca havia conhecido esse lado da Kat. Mas com o tempo ela se acostuma com a idéia.
-Fiquei preocupada... Passei um tempo, acho que, em choque. Mas acho que depois relaxei.
-É, minha única preocupação agora será o pós-parto, a reação da Kat é o que me assusta.
Jeff para em frente a escola. Dou um beijo em meu irmão e despeço-me de Jeff, ontem foi um dia conturbado... Mina com aquelas loucuras... Meu desmaio. Espero que hoje na aula de expressão seja mais calmo.
Entro na sala de aula e corro para contar as novidades para as meninas, quando termino Georgie fala:
-Lucy sua louca. Essas dietas sem necessidade. Eu sempre te avisei! Sempre estava te avisando, mas parece que não me ouve! Mas está bem... Vou parar de reclamar com você. Mas me conta... E as coisas com o Andrew? – todas agora parecem ter chegado mais perto de mim para ouvir melhor, mas Funnie continua com uma cara indecifrável.
-Ele foi super fofo... Se jogou na frente de um táxi, deu uma gritaria no hospital... E o mais fofo de tudo... Ele chorou minha gente. Ele chorou de preocupado que estava. Quando acordei o vi com os olhos vermelhos, mas ele tentou disfarçar, disse que o ar condicionado tinha irritado seus olhos... Mas quando cheguei em casa Daniel me disse que ele tinha chorado. Claro que eu não ia desmenti-lo lá na hora... preferi deixa-lo pensando que eu acreditara.
-Lucy – é a Funnie – lembra do que te falei? Esse cara é um fingido. Ele esta tentando te enganar. Não caia na dele!
Ficamos em silêncio até que Georgie começa a discutir com Funnie:
-Funnie, não é só porque você teve uma péssima experiência com homens que todos vão ser tão canalhas como aquele foi com você.
-Você não sabe o que passei! Fique calada.
-Claro, você não nos contou nada. Somos suas amigas Funnie. Você nos conta as coisas.
-Eu compartilho, eu não tenho a obrigação de contar exatamente tudo o que acontece na minha vida. Existe uma coisa chamada privacidade, conhece?
-Claro! Mas compartilhe conosco, porque só assim entenderemos a sua repugnância aos homens.
-Eles apenas não prestam. Minha namorada nunca faria nem um terço do que... Ele fez.
Funnie saiu de perto de nós e sentou-se no fundo da sala. Antes que eu fosse sentar, Rachel olhou para mim e falou:
-Lucy, por acaso você já conheceu... aquele amigo do Andrew... Um que usa óculos?
-Já sim Rachel, é o Petter. Mas... Por que?
-Ah... é só que... Bem... Ele é bonitinho, e tem cara de inteligente. Você sabe que o que eu mais gosto em um cara é a inteligência... Não é?
-Claro que sei.
-Então, eu só pensei...
-Você é tímida de mais para falar na minha cara que quer conhecê-lo não é? – ela abaixa o olhar, mas balança a cabeça positivamente – Pode deixar comigo. Serei bem discreta, pode relaxar.
Ela me da um beijo na bochecha e vai sentar.
No intervalo Funnie me procura para conversarmos, concordo e vamos para um local que não tinha ninguém no colégio:-Sabe Lucy... É que Andrew é amigo do cara que fez com que eu me desiludisse dos homens...
-Qual o nome dele?
-Andrew não anda com ele... Mas o conhece sim. – ela continua me enrolando – Afonso.
-Afonso?? Da natação??
-É. Mas como sabe?
-Eu... ouvi falar – acabo de lembrar que não contei às meninas sobre o lance de Mina... – mas o que ele fez?
-Bem... Tudo começou ano passada. Ele se interessou por mim... Me fez juras de amor, parecia apaixonado como nunca... Chegamos ao ponto de... Transarmos.
-Funnie! Você nunca nos contou.
-Eu sei. Mas pensa... Tou contando agora. – não a culpo por não ter contado antes... Afinal é a vida dela – eu transava com ele, nós meio que namorávamos... Mas ele não queria que ninguém soubesse, dizia que não queria me expor, mas a verdade é que ele não queria queimar o filme dele. Não queria que as garotas da idade dele soubessem que ele estava saindo com uma pirralha de 8ª série. – os olhos dela enchem-se de lágrimas, estou começando a ficar preocupada – sendo... Teve um dia... Que a menstruação não veio... e... – ai não... – eu descobri que estava grávida Lucy. Grávida – estou chocada! – Contei a ele. Eu tinha uma certeza total de que ficaríamos juntos para sempre, para mim iríamos casar... Mas... Quando eu contei para ele, ele ficou estranho, disse que queria terminar tudo, que não estava nos planos e falou com essas palavras: “Eu não planejei ter um filho. Pelo amor de Deus, Funnie se enxerga. Você é uma pirralha, é... Até que foi divertido enquanto durou, mas agora a brincadeira cansou... Estou cheio das suas baboseiras de criança. E agora esse filho. O que está tentando fazer? Me segurar com uma criança? Pois coloque isto para fora. E nunca mais me procure. NUNCA MAIS!” eu tentei segura-lo, eu chorava insistentemente, mas quando ele se virou, me deu um murro no rosto. Depois disso nunca mais o procurei. Abortei a criança, e minha mãe quando soube que eu estava grávida e que eu havia abortado, me colocou pra fora de casa, então fui morar com meu pai. Isto tudo aconteceu sem que vocês soubessem. Eu tinha vergonha de contar... – ela esta chorando, as lágrimas descem pelo seu rosto, e quase posso ver nelas quanta dor elas carregam – Ai Lucy... – ela esta chorando como uma louca – foi horrível... todos os dias me lembro... O abortei com 3 meses... Ele estava se formando, era uma pessoinha bem miúda... Frágil... E eu o joguei pela privada. Fui parar no hospital, e o ginecologista disse que eu não... – abraço-a – que eu não poderia ter mais filhos... Depois daquilo – Meu deus que coisa horrível!
-Calma Fun... Eu estou aqui. E nunca mais ninguém fará isso com você. Você é digna de um homem decente – ela me olha estranha, lembro-me - ou mulher decente. Já sofreu demais – ela continuava a chorar – Meu amor, chore, ponha para fora isso... Já esta guardado a muito tempo. Olhe... Quer que eu conte para as meninas? Para que você não tenha que passar por isso de novo?
-Obrigada Lucy. Muito obrigada.
-Tudo bem... Tudo ficará bem agora Fun. Tudo ficará bem.

Um comentário:
Está muito bom thaís,muito bom mesmo!!
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